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Presidente cubano afirma que país fará mudanças econômicas sem abrir mão da soberania

Díaz-Canel enfatiza posição histórica de Cuba contra pressões externas e defende mudanças econômicas decididas pelo próprio povo

Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em pronunciamento perante a Assembleia do Poder Popular (Foto: Mídia cubana)
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247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país fará mudanças econômicas de forma soberana, sem abrir mão da autodeterminação, e cobrou dos Estados Unidos o fim das medidas que impedem Cuba de comerciar, importar medicamentos e combustíveis, receber investimentos e manter relações normais com seus emigrados e com o mundo, conforme declarações feitas na Terceira Sessão Extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular, em sua 10ª Legislatura.

Em discurso na Assembleia Nacional, Díaz-Canel dirigiu-se à comunidade internacional e ao governo dos Estados Unidos para defender que Cuba “desenha e propõe soberanamente” as mudanças consideradas urgentes para enfrentar a crise provocada pela agressividade externa e por insuficiências internas.

O presidente cubano afirmou que a crítica e a autocrítica fazem parte da tradição política do governo do país. Segundo ele, esse processo não representa uma experiência improvisada, mas a aplicação de um princípio atribuído a Fidel Castro: “emanciparmo-nos por nós mesmos e com nossos próprios esforços”.

Díaz-Canel disse que, ao mesmo tempo em que busca corrigir erros e insuficiências internas, Cuba enfrenta o cerco externo. Nesse contexto, afirmou que o governo decidiu avançar na abertura da economia, com prioridade para os cubanos residentes no país e também para os que vivem no exterior.

As decisões, segundo o presidente, não estão relacionadas a negociações com Washington. Ele afirmou que Cuba continua disposta a dialogar com respeito sobre todos os temas possíveis com o governo dos Estados Unidos, disposição que, de acordo com ele, já foi demonstrada historicamente.

Díaz-Canel atribuiu as dificuldades no diálogo com os Estados Unidos a setores que se opõem a qualquer aproximação entre os dois países. Segundo ele, esses grupos disseminam ameaças, vazam informações falsas, perseguem negociações e apostam na “opção perversa da asfixia” para provocar uma explosão social em Cuba.

O presidente cubano também rejeitou a narrativa de que Cuba seria um “Estado falido”. Para Díaz-Canel, essa ideia é vendida ao mundo ao mesmo tempo em que se intensificam pressões contra o povo cubano. “Assim não funcionam as relações entre nações soberanas independentes, condição que reivindicaremos sempre”, afirmou.

Ao criticar a política dos Estados Unidos, Díaz-Canel disse que não é honesto afirmar que se deseja ajudar o povo cubano enquanto se perseguem operações bancárias, encarecem-se importações, bloqueia-se a compra ou a chegada de combustíveis, alimentos e medicamentos e pune-se quem deseja investir ou comerciar com Cuba.

“Não se pode falar de liberdade enquanto se empurra de propósito um povo inteiro para o desespero por falta de recursos que hoje são vitais para a existência”, declarou o presidente cubano.

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Díaz-Canel dirigiu-se diretamente ao governo dos Estados Unidos. “Ao governo dos Estados Unidos dizemos, sem ódio, mas sem medo: se de verdade querem ajudar o povo cubano, deixem-nos viver!”, afirmou.

O presidente pediu que Cuba possa comerciar, comprar medicamentos, importar combustível, receber investimentos, créditos e financiamentos, além de se relacionar normalmente com seus emigrados e com o mundo. “Deixem Cuba mostrar ao planeta do que este povo é capaz quando não há obstáculos aos seus esforços para se levantar”, disse.

Díaz-Canel encerrou a mensagem reafirmando a posição do governo cubano diante das pressões externas. “Cuba não vai pedir permissão para existir nem entregará sua soberania”, afirmou.

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