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Presidente do instituto que mede a inflação na Argentina renuncia

Renúncia de Marco Lavagna ocorre oito dias antes da divulgação da nova metodologia de inflação, que altera a cesta de consumo e peso da moradia e serviços

Presidente do instituto que mede a inflação na Argentina renuncia (Foto: Agência Brasil )

247 - O presidente do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), órgão responsável por medir a inflação na Argentina, Marco Lavagna, renunciou nesta segunda-feira ao cargo que ocupava desde 2019. A informação foi confirmada por uma fonte do próprio organismo, sem detalhar os motivos da decisão.

A saída ocorre a apenas oito dias da divulgação do primeiro resultado do índice de inflação calculado com a nova metodologia liderada por Lavagna. A informação foi noticiada inicialmente pelo jornal La Nación, que ouviu representantes dos trabalhadores do instituto e acompanhou as mudanças promovidas no sistema de medição.

A renúncia provocou reação imediata entre servidores do Indec. Para o delegado dos trabalhadores, Raúl Llaneza, o momento da decisão é motivo de preocupação. “— Chama-nos poderosamente a atenção a renúncia a oito dias da divulgação do novo índice—”, afirmou. Em seguida, reforçou a cobrança por autonomia institucional: “— Exigimos um Indec independente do poder político —”, declarou ao La Nación.

Economista próximo do líder opositor peronista e ex-candidato presidencial Sergio Massa, Lavagna manteve-se à frente do Indec mesmo após a posse do presidente ultraliberal Javier Milei, em dezembro de 2023. Sua permanência foi vista por analistas como um fator de continuidade e credibilidade em um período de mudanças profundas na política econômica do país.

Sob o governo Milei, a inflação passou por forte desaceleração após um pico histórico. O índice anual caiu de 211,4% em 2023, ano em que o presidente promoveu uma desvalorização de 50% do peso argentino, para 31,5% em 2025, o menor patamar em oito anos. O governo costuma apresentar essa trajetória como seu principal êxito econômico.

Apesar da queda acumulada, a última medição disponível, referente a dezembro, indicou uma alta mensal de 2,8% nos preços, sinalizando uma tendência de aceleração iniciada em junho do ano passado. Esses dados ainda foram calculados com base na metodologia antiga do Indec.

O novo modelo de cálculo busca refletir de forma mais fiel os hábitos de consumo atuais da população. A metodologia anterior utilizava uma cesta de preços baseada em 2004, que não incluía despesas hoje consideradas essenciais, como telefonia móvel, internet e televisão por assinatura. Além disso, atribuía menor peso a gastos com moradia e serviços públicos.

A nova cesta passa a se apoiar na pesquisa de renda e despesas dos domicílios realizada entre 2017 e 2018 e segue recomendações internacionais, segundo o próprio organismo. A expectativa era de que o primeiro índice sob essas normas fosse divulgado no próximo dia 10.

A renúncia de Lavagna soma-se a um histórico recente de instabilidade interna no Indec. No fim de 2025, o instituto já havia registrado várias saídas de funcionários em meio a conflitos relacionados a baixos salários, o que aumentou a atenção sobre o futuro da instituição e a continuidade das reformas em curso.