Procuradoria da Colômbia intima Álvaro Uribe por massacres paramilitares
Ex-presidente colombiano deverá depor sobre La Granja, El Aro, assassinato de defensor de direitos humanos e fazenda Guacharacas
247 - A Procuradoria da Colômbia intimou o ex-presidente Álvaro Uribe a prestar depoimento em uma investigação criminal sobre massacres paramilitares ocorridos em Antioquia, incluindo os casos de La Granja e El Aro, além de episódios ligados ao assassinato do defensor de direitos humanos Jesús María Valle e à fazenda Guacharacas.
As informações são da teleSUR. A notificação foi confirmada pelo próprio Uribe em suas redes sociais, após seus advogados receberem a comunicação da Terceira Procuradoria. “A Terceira Procuradoria acaba de nos notificar que o está intimando para interrogatório sobre a quadrilha, a fazenda, José María Valle e Guacharacas”, publicou o ex-presidente.
Uribe, que governou a Colômbia entre 2002 e 2010, deverá responder no inquérito sobre seu suposto envolvimento em dois massacres cometidos por grupos paramilitares no departamento de Antioquia há cerca de três décadas. O caso envolve o massacre de La Granja, ocorrido em 1996, que deixou quatro mortos e dezenas de pessoas deslocadas, e o massacre de El Aro, em 1997, no qual 15 civis foram mortos.
Segundo a investigação, o episódio de El Aro ocorreu enquanto um helicóptero do governo de Antioquia fazia vigilância na região. Na época, Uribe comandava o departamento como governador. Em 2015, a Procuradoria-Geral da Colômbia já havia anunciado a abertura de uma investigação contra o ex-presidente com base em depoimentos de moradores, que relataram a presença da aeronave durante a ação paramilitar.
A intimação também inclui questionamentos sobre o assassinato de Jesús María Valle, defensor de direitos humanos morto por pistoleiros das Autodefesas Unidas da Colômbia em 27 de fevereiro de 1998, em Medellín. Valle havia denunciado a omissão de autoridades diante da violência criminosa e também apontado supostas irregularidades relacionadas à fazenda Guacharacas, propriedade da família de Uribe.
A nova etapa da investigação ocorre em um momento de pressão judicial sobre o entorno familiar do ex-presidente. A Justiça colombiana ratificou a sentença de 28 anos e três meses de prisão contra o pecuarista Santiago Uribe, irmão de Álvaro Uribe. Ele foi condenado por conspiração para cometer crime e homicídio agravado, em razão da fundação do grupo paramilitar Los Doce Apóstoles, em Yarumal, e por participação na morte de Camilo Barrientos, em 1994.
A trajetória judicial de Álvaro Uribe também foi marcada por outro caso de grande repercussão. Em 1º de agosto de 2025, o fundador e líder do partido de direita Centro Democrático tornou-se o primeiro ex-presidente colombiano condenado criminalmente. Uma juíza de Bogotá o considerou culpado de suborno em processo criminal e fraude processual no chamado “julgamento do século”, originado em uma ação apresentada pelo próprio Uribe em 2012 contra Iván Cepeda, atual candidato presidencial.
Apesar da condenação inicial, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu Uribe em segunda instância em outubro, ao aceitar o recurso apresentado por sua defesa contra a pena de 12 anos de prisão. A nova intimação, no entanto, recoloca o ex-presidente no centro de um dos capítulos mais sensíveis da história recente da Colômbia: a relação entre política, forças regionais e violência paramilitar em Antioquia.
