Trump emite alertas para três países da América Latina
México, Colômbia e Cuba condenaram a operação militar dos EUA contra a Venezuela como uma grave violação da soberania
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu advertências veladas aos governos do México, da Colômbia e de Cuba após a operação das forças especiais americanas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. As declarações ocorreram no sábado, quando o mandatário defendeu a ação militar realizada na Venezuela e ampliou o tom de confronto com países da região.
Segundo informações publicadas pelo site RT, Trump classificou Maduro como um “narcoterrorista” e, ao ser questionado sobre as implicações do episódio para os países vizinhos, voltou a direcionar críticas ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, apontado por ele como um aliado do líder venezuelano.
“Ele tem fábricas de cocaína, ele tem instalações onde produz cocaína”, disse Trump ao se referir a Petro, acrescentando: “ele precisa ficar de olho nele”. As falas reforçaram a retórica de confronto do governo americano, que passou a vincular diretamente autoridades da região ao narcotráfico.
O presidente dos EUA também mencionou Cuba ao tratar do cenário regional. Para Trump, a ilha caribenha é um tema que deverá voltar à pauta de Washington. “Será algo sobre o qual acabaremos falando”, afirmou, ao sugerir que os Estados Unidos desejam “ajudar o povo” de uma “nação falida”, que, segundo ele, se assemelha à Venezuela. “É muito semelhante no sentido de que queremos ajudar as pessoas em Cuba, mas também queremos ajudar as pessoas que foram forçadas a sair de Cuba e estão vivendo neste país”, declarou.
As críticas se estenderam ao México. Trump afirmou que “algo terá que ser feito com o México”, alegando que os cartéis de drogas controlam efetivamente o país. Ele disse ainda que a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum Pardo, estaria “com medo” dessas organizações criminosas. “Eles estão comandando o México. Eu perguntei a ela inúmeras vezes: ‘A senhora gostaria que acabássemos com os cartéis?’ ‘Não, não, não, senhor presidente, não, não, não, por favor.’ Então, temos que fazer alguma coisa”, afirmou em entrevista por telefone à Fox News.
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela provocou ampla condenação internacional. México, Cuba e Colômbia denunciaram a operação como uma violação do direito internacional e alertaram para os riscos à estabilidade regional, ampliando a pressão diplomática sobre Washington.
O Ministério das Relações Exteriores do México declarou que a intervenção americana “coloca em sério risco a estabilidade regional” e reforçou que a América Latina e o Caribe devem permanecer uma “zona de paz”. Em Havana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou o ataque como “covarde, criminoso e traiçoeiro” e defendeu uma condenação internacional. Já o presidente colombiano, Gustavo Petro, manifestou “profunda preocupação” e reafirmou a rejeição de seu governo a “qualquer ação militar unilateral”.
