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Venezuela deporta Alex Saab aos EUA após queda de Maduro

Ex-ministro venezuelano é acusado de lavagem de dinheiro e sua deportação pode ampliar crise política em Caracas

Alex Saab (Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)
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247 - O governo da Venezuela anunciou neste sábado a deportação do ex-ministro da Indústria Alex Saab para os Estados Unidos. A decisão ocorre meses após a queda de Nicolás Maduro e em meio à instabilidade política que marca o novo governo de transição liderado por Rodríguez em Caracas. Saab era considerado um dos principais aliados do antigo presidente venezuelano.

As informações foram divulgadas inicialmente pela emissora alemã Deutsche Welle (DW). Em comunicado oficial, a administração de imigração venezuelana afirmou que a medida foi tomada devido ao envolvimento de Saab em crimes investigados pelas autoridades norte-americanas.

“A medida de deportação foi adotada levando-se em consideração o fato de que o referido cidadão colombiano está envolvido na prática de diversos crimes nos Estados Unidos da América, como é público, notório e divulgado”, declarou o órgão migratório venezuelano.

A Constituição da Venezuela proíbe a extradição de cidadãos venezuelanos. Por esse motivo, o governo classificou Saab oficialmente como cidadão colombiano para autorizar sua deportação aos Estados Unidos.

Alex Saab era operador estratégico do governo Maduro

Nascido na Colômbia, Alex Saab ganhou influência durante os anos de governo de Nicolás Maduro ao administrar uma ampla rede de importações ligada ao Estado venezuelano. Ao longo desse período, construiu uma fortuna por meio de contratos públicos e operações comerciais vinculadas ao governo.

As autoridades dos Estados Unidos acusam Saab de atuar como testa de ferro de Maduro e de participar de esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao governo venezuelano. Em troca de sua lealdade política, Maduro concedeu a Saab cidadania venezuelana e um passaporte diplomático.

Saab foi preso em Cabo Verde, em 2020, sob acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. No ano seguinte, acabou extraditado para os Estados Unidos, onde passou a responder formalmente às acusações apresentadas pela Justiça norte-americana.

Acusações envolvem programa de alimentos subsidiados

O empresário e seu sócio, Álvaro Pulido, foram acusados de comandar uma estrutura financeira ligada ao programa venezuelano CLAP, criado para distribuir alimentos subsidiados à população.

Segundo as investigações, os dois teriam participado da lavagem de aproximadamente 350 milhões de dólares provenientes de contratos ligados ao programa social venezuelano. As autoridades americanas sustentavam que o esquema utilizava empresas de fachada e movimentações internacionais para ocultar recursos.

Posteriormente, a Justiça dos Estados Unidos rejeitou grande parte das acusações contra Saab. Ainda assim, ele continuava respondendo a uma acusação de conspiração para lavagem de dinheiro, crime que poderia resultar em pena de até 20 anos de prisão.

Troca de prisioneiros levou Saab de volta à Venezuela

Em dezembro de 2023, Alex Saab foi libertado da custódia norte-americana após um acordo de troca de prisioneiros firmado entre Washington e Caracas.

No ano seguinte, Nicolás Maduro nomeou Saab para integrar seu gabinete ministerial, reforçando a proximidade política entre ambos. A nomeação gerou críticas de opositores e aumentou a tensão diplomática entre Venezuela e Estados Unidos.

Entretanto, a situação mudou radicalmente após a deposição e captura de Maduro por militares norte-americanos em janeiro. Com a ascensão do governo interino de Rodríguez, Saab perdeu rapidamente espaço dentro da nova estrutura de poder.

Nova gestão afasta aliados do antigo governo

Rodríguez, que havia atuado como vice-presidente durante o governo Maduro, decidiu demitir Alex Saab do gabinete e revogar todas as suas funções dentro da administração venezuelana.

A mudança também atingiu pessoas próximas ao ex-ministro. Camilla Fabri, esposa de Saab e então vice-ministra da Comunicação Internacional, foi dispensada do cargo em fevereiro.

A deportação de Saab para os Estados Unidos pode aprofundar as divisões internas da já fragilizada coalizão que sustenta o governo interino em Caracas, ampliando a disputa entre grupos ligados ao antigo chavismo e setores que apoiam a reorganização política do país.