10 vezes em que Bolsonaro fez o Brasil passar vergonha no mundo (e foi só o primeiro ano)

"Parece uma década, mas se passou apenas um ano desde que o extremista de direita Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República", escreve Cynara Menezes, do Jornalistas pela Democracia. "Neste curto espaço de tempo, ele já fez o país passar vexame no mundo inúmeras vezes", completou Cynara, relembrando os "micos" passados pelo país nas mãos de Bolsonaro

Notícias sobre Bolsonaro na imprensa estrangeira
Notícias sobre Bolsonaro na imprensa estrangeira (Foto: Montagem/Socialista Morena)

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena e para o Jornalistas pela Democracia

Parece uma década, mas se passou apenas um ano desde que o extremista de direita Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República. Neste curto espaço de tempo, ele já fez o país passar vexame no mundo inúmeras vezes. Acusar o ator Leonardo DiCaprio pelas queimadas na Amazônia foi só mais um dos episódios que causaram embaraço ao país lá fora.

Apresentamos alguns dos micos internacionais de Bolsonaro neste post. É muita vergonha alheia, Brasilllll!

1. Bolsonaro indica chanceler que acredita que o aquecimento global é “uma trama marxista”

O destaque internacional (só que ao contrário) de Bolsonaro começou antes de assumir. Ao indicar Ernesto Araújo para ser chanceler, o presidente eleito virou alvo de gozação da imprensa estrangeira diante das crenças alopradas do diplomata de extrema direita. “O novo ministro das Relações Exteriores do Brasil acredita que a mudança climática é uma trama marxista”, disse o britânico The Guardian.

2. Bolsonaro posta vídeo obsceno e pergunta “o que é golden shower”

No carnaval, em março, o presidente da República pegou um vídeo onde dois artistas gays faziam uma performance em cima de um carro alegórico e reproduziu no twitter. Não satisfeito, no dia seguinte, postou a pergunta: “O que é golden shower?”

Quinze dias depois, quando os advogados da dupla retratada nas imagens ingressaram com um mandado de segurança no STF exigindo que a postagem fosse excluída, Bolsonaro apagou as duas postagens. O site da revista Der Spiegel noticiou: “Bolsonaro compartilha vídeo obsceno –e tenta se explicar”.

3. Bolsonaro diz em Israel que nazismo “é de esquerda” e é desmentido pelo Museu do Holocausto

Em Israel, onde visitou o Museu do Holocausto, o presidente disse “não ter dúvida” de que o nazismo “é de esquerda”, e foi desmentido pelo próprio museu, que diz em seu site que o Partido Nazista foi resultado do “crescimento de grupos radicais de direita na Alemanha”.

Bolsonaro repetia a fala de seu ministro Ernesto Araújo, que expôs a baboseira em março. A embaixada da Alemanha no Brasil já havia desmentido a fraude histórica do “nazismo de esquerda” em suas redes sociais durante a campanha eleitoral, em um vídeo onde afirmava que “os alemães não escondem seu passado”.

Em entrevista ao jornal O Globo em setembro daquele ano, o próprio embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, afirmou ser uma “besteira completa” dizer que fascismo e nazismo são de esquerda.

4. Prefeito de Nova York dá um pé na bunda de Bolsonaro e diz que a cidade não quer homofóbicos

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, deu um título de “persona non grata” ao brasileiro, tuitando que a cidade não está interessada em um “homofóbico com orgulho” por lá. Bolsonaro o rebateu, chamando-o de “radical”, e de Blasio respondeu: “Se é ‘radical’ se levantar contra sua ideologia destrutiva, então somos radicais com orgulho”.

Bolsonaro seria homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, mas o prefeito pediu a um dos locais escolhidos para sediar a cerimônia que não recebesse o presidente por considerá-lo um “ser humano perigoso”. Outros locais se recusaram a receber o evento, alguns patrocinadores desistiram, e Bolsonaro acabou cancelando a viagem.

Para encerrar o imbróglio com chave de ouro, o presidente ainda chamou os habitantes de Nova York de “novaiorquines” ao finalmente receber a homenagem em Dallas.

5. Bolsonaro é mostrado como um idiota após aumento de incêndios na Amazônia

Em agosto, o presidente foi alvo de críticas de um programa humorístico da TV estatal alemã, que o retratou como “o idiota de Ipanema” e “Trump do Samba”. “Desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu significativamente e pode continuar aumentando”, diz a narração, após aparecer uma foto do líder brasileiro como o “bobo da corte do agronegócio”, segurando uma garrafa de agrotóxico. O governo já liberou 439 novos registros de agrotóxicos desde que assumiu.

A Alemanha havia anunciado o corte de 155 milhões de reais destinados à preservação da Amazônia, como resposta aos números recordes do desmatamento e das queimadas sob Bolsonaro. Ao ser questionado sobre o assunto, o presidente resolveu atacar a chanceler Angela Merkel. “Eu queria até mandar recado para a senhora, querida Angela Merkel. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá tá precisando muito mais do que aqui”, disse. A reação alemã veio rápida, com a divulgação de um vídeo no facebook da embaixada mostrando que o país é “um dos mais florestados da Europa”.

6. Bolsonaro ataca o pai de Michelle Bachelet, que morreu após ser torturado pelo regime de Pinochet

Sem ter como contestar as críticas da alta comissária das Nações Unidas sobre a situação dos Direitos Humanos no Brasil, Bolsonaro optou por atacar o pai dela, o brigadeiro Alberto Bachelet, que morreu após passar meses sendo torturado pelo regime de Augusto Pinochet, que o presidente brasileiro tanto admira. “Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 73, entre eles o seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”, disse Bolsonaro. A repercussão internacional foi enorme.

“Presidente do Brasil irrita o Chile com ataque pessoal a Bachelet”, noticiou a agência Reuters. “Bolsonaro louva golpe militar no Chile em 1973”, titulou a Associated Press. O pior para Bolsonaro é que suas declarações infames acabaram sendo criticadas até mesmo pelo presidente do Chile, Sebastián Piñera, que é de direita.

7. Bolsonaro zomba da aparência física da mulher de Emmanuel Macron

Em vez de responder às críticas do homólogo francês à cumplicidade e à inoperância do governo com os incêndios na Amazônia, o presidente misógino do Brasil partiu para o ataque contra… a mulher de Emmanuel Macron, Brigitte. Em um comentário no facebook de Bolsonaro, um leitor escreveu que Macron sente “inveja” do brasileiro, e comparou com fotos a aparência das mulheres de ambos os presidentes. O perfil oficial do presidente do Brasil concordou, dando risada.

Macron não só foi informado da “gozação” como respondeu ao comentário tosco de Bolsonaro durante uma coletiva de imprensa no G7, para o mundo inteiro ver. “Eu respeito cada líder eleito pelo seu país, porque respeito todos os povos e todos os países. Ontem ele achou uma boa ideia seu ministro insultar minha pessoa”, disse, sobre comentário do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que o chamou de “calhorda oportunista”.

Em português, a primeira-dama Brigitte Macron agradeceu aos brasileiros pela criação de uma hashtag nas redes sociais em sua defesa, #DesculpaBrigitte.

8. Nome de Bolsonaro é citado em investigação sobre assassinato de Marielle

O britânico Guardian já havia noticiado que Bolsonaro aparecia em fotos com os suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco: a primeira foi com Élcio Queiroz, preso em março deste ano, e a segunda em outubro, com o lutador Josinaldo Lucas Freitas, acusado de jogar no mar as armas usadas no assassinato.

Em outubro, quando o Jornal Nacional publicou a reportagem sobre o porteiro que havia anotado no livro de registro do condomínio Vivendas da Barra que os assassinos de Marielle afirmaram se dirigir à “casa 58” (de Bolsonaro), a imprensa internacional voltou a repercutir o caso. “Bolsonaro protesta contra a mídia por vinculá-lo ao caso Marielle”, disse o francês Le Point sobre o piti do presidente contra a Globo. “Uma testemunha vinculou Bolsonaro com um dos suspeitos de assassinar Marielle Franco”, reportou o site argentino Infobae.

9. Bolsonaro associa Greenpeace a manchas de óleo no Nordeste

Em vez de mostrar alguma iniciativa para minimizar o desastre ecológico, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, preferiu utilizar um boato, associando uma embarcação do Greenpeace às manchas de óleo que apareceram nas praias do Nordeste. O navio Esperanza do qual fala o ministro só chegou à região em agosto, mais de um mês depois do início do desastre.

Bolsonaro, ao invés de corrigir (ou demitir) seu funcionário, ratificou a “suspeita” aloprada. “Para mim isso é um ato terrorista. Para mim, esse Greenpeace só nos atrapalha”, afirmou o presidente. As acusações, na verdade, buscaram atingir a organização porque o Greenpeace divulgou um vídeo zoando o governo por acusar as ONGs pelo aumento dos incêndios na Amazônia, que Salles tentou rebater gastando dinheiro público em propaganda no exterior.

Para a revista Der Spiegel, atacar as ONGs pelos incêndios não faz sentido. “É uma bobagem, mas combina com a visão de um homem que também acredita que ir ao banheiro uma vez a cada dois dias seria uma boa contribuição para a proteção do meio ambiente”, disse a publicação.

10. Bolsonaro acusa ator Leonardo DiCaprio de atear fogo à Amazônia

Não bastasse o discurso vexaminoso na abertura da assembleia-geral da ONU sobre a Amazônia (“surreal”, segundo jornalista da New Yorker), mais uma vez Bolsonaro terceirizou sua responsabilidade sobre os desastres ambientais desde que assumiu a presidência.

Sem apresentar nenhuma evidência, o presidente acusou o ator Leonardo DiCaprio de doar a ONGs que atearam fogo à floresta. “O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e então o Leonardo DiCaprio doa 500 mil dólares para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo, tá certo? Leonardo DiCaprio tá colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá”, disse, em sua live semanal no facebook.

Também sem provas, seu filho Eduardo ratificou a “acusação”.

O Washington Post noticiou: “Sem apresentar provas, presidente do Brasil disse que Leonardo DiCaprio financiou organizações não-governamentais que ele acusa como parcialmente responsáveis pelos incêndios na Amazônia este ano”. Já o Guardian disse que Bolsonaro acusou DiCaprio “falsamente”, de forma “espúria”, “sem fundamento”.

O ator rebateu a acusação com um tapa de luva, desmentindo, no instagram, que tenha doado qualquer quantia às organizações que “estão atualmente sob ataque”, embora elas “certamente mereçam apoio”.

“O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem”, afirmou o ator, destacando seu apoio ao povo do Brasil, “que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural”.

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