200 anos de Engels: de origem burguesa a revolucionário comunista

O contributo desse camarada para a luta dos/as trabalhadores/as de todo o mundo é de um valor ímpar. Detenho uma convicção, de que não haveria o Marx que conhecemos sem Friedrich Engels

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Tenho que vos confessar que já tive uma posição reticente em relação ao companheiro e colaborador de (no verdadeiro sentido da palavra) Karl Marx. Acredito que fruto de leituras de terceiros e de uma certa imaturidade intelectual. Hoje, depois de conhecer suas principais obras, garanto-vos que o contributo desse camarada para a luta dos/as trabalhadores/as de todo o mundo é de um valor ímpar. Detenho uma convicção, de que não haveria o Marx que conhecemos sem Friedrich Engels. 

“O garoto não conseguia se sentir um mero espectador de toda essa miséria.” Essa frase escrita pelo seu primeiro biógrafo, Gustav Mayer jamais saiu da minha memória. A palavra chave aqui é “espectador”, sim, Engels era filho de um burguês industrial nos primórdios do capitalismo na Alemanha. Portanto, o jovem Engels presenciou a miséria dos/as trabalhadores/as das fábricas do seu pai. 

O menino nascido em Barmen (28/11/1820) demonstrou desde cedo uma sensibilidade e capacidade única de observação da realidade. A sua origem de classe jamais foi um empecilho para reconhecer o carácter destrutivo do capitalismo, o quanto esse sistema é produtor de desigualdade, miséria, doenças e de morte. Um exemplo: 

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“Lembro-me bem de que, quando eu tinha apenas vinte anos, destilados baratos apareceram de repente nos bairros industriais de Brandemburgo e no Baixo Reno […] a vasta massa da população trabalhadora caiu no alcoolismo.” (Mayer, 2020, p. 29)

Gostaríamos de sinalizar que Engels ressalta o “de repente”, contudo, essa observação não se tornará uma mera constatação. Caro leitor/a, peço-lhe, gentilmente que não esqueça desse detalhe. Engels passará um ano em Berlim a servir o Exército e a participar de um grupo de intelectuais da famosa “esquerda hegeliana”. Porém ao retornar à casa, o seu pai (Friedrich Engels também) tomará a decisão de enviá-lo para trabalhar noutra fábrica que a família também possuí em Manchester, na Inglaterra. Pois, o jovem Engels já dava sinais da radicalização das suas ideias e inconformismo diante da miséria.

 O velho Engels acreditava estar a punir o filho, colocando-o no coração do capitalismo industrial, na altura o mesmo não tinha se quer completado 22 anos. Essa posição “privilegiada” de Engels o possibilitará investigar e compreender as entranhas do pauperismo da classe trabalhadora inglesa. Sua companheira Mary Burns, filha de imigrantes irlandeses, irá apresentar-lhe as condições ainda mais precárias e miseráveis dos/as trabalhadores/as imigrantes. 

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Lembram-se do “de repente”? Será pesquisando as condições da classe trabalhadora inglesa que ele entenderá o porque do alcoolismo tornar-se uma doença comum entre os/as operários/as fabril. Sinteticamente, Engels fez uma conexão entre as condições objetivas de vida dos/as trabalhadores/as da Inglaterra e o alcoolismo como uma doença socialmente determinada. O capitalismo é um assassino social e nada é “de repente”. 

Permitam-me um convite, quem quiser saber mais detalhes sobre essa longa pesquisa de Engels e suas conclusões, recomendo vivamente que leiam o livro “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”. Não tenho medo em afirmar que esse é o livro mais importante do nosso “general” (forma carinhosa como os íntimos o chamava). Só depois de compreender o quão explorador e destrutivo é o capitalismo e, identificar na classe trabalhadora o sujeito revolucionário que irá emancipar a humanidade da barbárie, torna-se um revolucionário. Ou seja, deixou de ser um mero espectador! Mesmo quando teve que trabalhar na fábrica da família, Engels tinha uma coisa em mente, encontrar formas de ajudar a Marx (e a sua família) financeiramente para que ele pudesse trabalhar na sua monumental pesquisa acerca da sociedade capitalista, que dará origem ao livro “O Capital”, bem como amparar outros revolucionários e a Internacional dos Trabalhadores.

O legado de Engels para história da humanidade será devidamente reconhecido quando a rosa cruz do socialismo florescer em todo o mundo, em que a exploração e as opressões de todos os tipos sejam eliminadas. Não estaremos no paraíso, mas com certeza sairemos da barbárie em que vivemos!

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Parabéns meu camarada Engels pelos seus 200 anos. Hoje tomarei um espumante em tua homenagem.

Até a vitória camaradas! 

Saber mais: Editora Boitempo acaba de lançar no Brasil a primeira e mais relevante biografia de Friedrich Engels, de Gustav Mayer. (https://www2.boitempoeditorial.com.br/produto/friedrich-engels-uma-biografia-1023)

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