50 anos do JN e a Lava Jato: a ascensão do maior jornal, também manipulador contemporâneo da história brasileira

Na recente cena brasileira denominada de Golpe contra a Democracia, por exemplo, cuja grande trama foi afastar a honesta ex-presidente Dilma Rousseff e, ato seguinte, legitimar a Lava Jato para impedir a eleição de Lula, está mais do que evidente, comprovada, a determinante posição assumida pelo Jornal Nacional da Rede Globo

Nenhum cidadão ou cidadã da Globosfera pode ignorar que o "Jornal Nacional" é o mais influente jornal eletrônico da história brasileira e que, ao longo de seus 50 anos de existência foi, também, o principal manipulador que tem por finalidade interferir em diversas fases da vida nacional, comumente ao lado de posições conservadoras e de direita.

Eis a síntese do que se convencionou no mundo como “Pós Verdade”. O ódio a Lula e ao PT gerou esta anomalia histórica.

Na recente cena brasileira denominada de Golpe contra a Democracia, por exemplo, cuja grande trama foi afastar a honesta ex-presidente Dilma Rousseff e, ato seguinte, legitimar a Lava Jato para impedir a eleição de Lula, está mais do que evidente, comprovada, a determinante posição assumida pelo Jornal Nacional da Rede Globo.

A CENA COMPROVADA

Foi o "Jornal Nacional" o porta-voz escolhido pelo ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Dallagnol para reproduzir em 2016 um diálogo entre os ex-presidentes Lula e Dilma, atribuindo-lhe um caráter de escândalo e, por sonegar informações sobre os motivos que permeavam a iniciativa de indicação para o cargo de chefe da casa civil, levou o Ministro do STF, Gilmar Mendes, a impedir a posse de Lula.

O "Jornal Nacional" não foi só responsável por esta cena determinante para consolidar o Impeachment de Dilma, cuja abertura do processo pelo deputado federal Eduardo Cunha se deu dois dias após a exposição do vazamento, como foi o principal porta-voz da Lava Jato dos inúmeros vazamentos contra Lula e o PT acusados de corruptos, sem lhes oferecer espaços para contraponto.

Passados os tempos, Lula se mantém punido sem provas contra ele em manipulação  comprovada pelas revelações do The Intercept flagrando Moro, Dallagnol em armação política sem abrigo jurídico para favorecer Bolsonaro sob a cumplicidade do JN. 

MOMENTOS HISTÓRICOS DE MANIPULAÇÃO

Na recente eleição "bombardeada" pela manipulação de Fake News nas redes sociais, o JN entrevistou Bolsonaro portando o inexistente livro "KIT GAY" sem nenhuma contestação dos seus entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcelos. E deu no que deu.

Na eleição de Lula contra Collor, em 1990, a edição manipulada do debate pelo diretor Armando Nogueira para o JN construiu, na reta final, uma narrativa falsa contra o petista para favorecer o alagoano, que venceu com este fato.

No Mensalão, primeiro grande ataque da grande mídia contra o PT, o ex-ministro José Dirceu frequentou assiduamente o JN exposto como chefe de quadrilha sem direito de resposta à altura para sua defesa. Resultado: sob pressão do jornal global, o STF condenou Dirceu sem apresentar até hoje uma única prova contra o ex-ministro, mas conseguindo o intento de aniquilá-lo da vida pública porque foi, com Luiz Gushinken, o ministro que estudou a reformulação da distribuição regional dos recursos para a propaganda do Governo Federal, tirando da Globo o consolidado quinhão de 60% do total da verba.

APÓS A VIDA NÃO CORRESPONDIDA

Em síntese, agora com o presidente Bolsonaro boicotando abertamente a Rede Globo e o JN dando preferência explícita a Rede Record e SBT, como se viu no desfile de 7 de Setembro, o mais importante jornal eletrônico do País reproduz o slogan de que "entrou no JN é Fato" sem fazer a "mea culpa", como fez ao apoiar a Ditadura, e encarar o futuro sem reciprocidade de quem ajudou a eleger em 2018.

Detalhe: apesar de todo poderio, o JN não conseguiu eliminar Lula nem o PT, ambos resistindo e respeitando as regras do jogo no qual o Judiciário, MPF e PF foram parciais alinhados do JN no processo que gerou retrocessos graves e contribuiu para a construção das incertezas contemporâneas do Brasil. 

PARA ALÉM DO FATO

Imbuído do sentimento ufanista que a semana da pátria nos enseja, reiteramos a certeza de que o Brasil vai dar a volta por cima e retomará os princípios que regem a soberania nacional e garantirá o retorno da inclusão dos pobres na cadeia produtiva, tirando-os da condição de miséria que a atual e difícil conjuntura - agravada pelas equivocadas decisões de política econômica - os tem mantido, o que é comprovado por uma simples conferência visual dos que estão habitando as ruas e calçadas de nossas cidades.

A VEZ DA "PÓS VERDADE"

No Brasil, diferentemente dos países civilizados a partir dos EUA e Europa, a inexistência de regras claras e democráticas de Regulação da Mídia impedindo o Oligopólio em curso há anos, gerou a anomalia de poucas famílias controlarem e manipularem a opinião com seus espaços e veículos de concessão pública.

Em nome de interesses empresariais que se confundem com o exercício do jornalismo plural, o que se convencionou de "Pós Verdade" agora convive com a cultura de mídia neopentecostal fechada e burra levando o País ao caos pela incompetência posta.

Como se diz lá na Torre, plantou o que quis e colheu o absurdo do plantio danoso.

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