500 dias de democracia abalada

Lula é maior que seus algozes, resistente às calúnias e difamações, detido numa solitária, as mensagens do ex- presidente transcendem as limitações físicas e há 500 dias resiste à democracia abalada

Votar no Lula é votar no Brasil
Votar no Lula é votar no Brasil (Foto: RICARDO STUCKERT)

Depois de anos de acusações infundadas no intuito de solapar a reputação do maior líder partidário do nosso país, o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzido à sede da superintendência a polícia federal de Curitiba, numa operação espetacular transmitida ao vivo em cadeia nacional. 

O Brasil assistiu em tempo real a ação de paparazzos em carros, motos links, helicópteros sedentos por flagrar qualquer esboço de abatimento ou semblante de enfraquecimento de Lula. 

Mas as imagens frustaram, a determinação de Lula se sobrepôs aos seus tiranos. 

Forjado na luta pela sobrevivência e na resistência ao sistema desigual e opressor predominante no nosso país, a passagem do o presidente Lula no governo federal  deixou  marcas que transformaram o cotidiano da vida de milhares de brasileiros, com inclusão no universo da cidadania a partir do acesso aos direitos sociais,políticos econômicos, educacionais, culturais, identitários, como nunca tiveram oportunidade. 

Estas conquistas semearam no cerne da alma dos brasileiros, a luz do poder da autoestima, do autoconhecimento da dimensão intelectual, psíquica, social, econômica, o que  incomodou os poderosos acostumados a definir as regras, ter domínio das mentes, almas e espoliar a força de trabalho da população brasileira.  

A partir da detenção de Lula, entrou em cena a escala contínua e gradual  do desmonte das bases dos avanços políticos e sociais, com o fim dos direitos trabalhistas, previdenciários e encolhimento da malha de proteção social de  complementação de renda, assistência à saúde, acesso à medicação gratuita, programas habitacionais, crédito, financiamento, além de apoio e programas educacionais, entre tantas outras medidas que deram assistência, suporte e recursos para o desenvolvimento e aprimoramento da autonomia cidadã.

Este é um dos elementos que explicam os 500 dias da permanência do acampamento Lula Livre em Curitiba, a proliferação de Comitês Lula Livre e de manifestações de líderes políticos, religiosas, sindicais, culturais e populares de contestação à prisão de Lula.      

Por outro lado, temos vivido aqui em São Paulo situações tensas e de ameaças à democracia, que tem como pano de fundo o autoritarismo da aliança Bolsodoria.         

Como reação à resistência de Lula e do apoio popular que recebe diariamente, as forças opressoras avançam com violência contra os povos nativos indígenas, aumento da letalidade policial, ataques aos acampamentos do MST.   Em São Paulo houve o atropelamento criminoso do sem terra, que manifestava contra a falta d’água no acampamento Marielle Vive, na cidade de Valinhos. 

Na sequencia tivemos a tentativa de expulsão de moradores caiçaras da Juréia, descendentes de povos tradicionais instalados na região há  mais de dois séculos, tiveram suas casas demolidas, sem base legal, agiram apoiados apenas num parecer administrativo da Procuradoria Geral do Estado.    

A contribuição do governador João Dória para o agravamento do momento político e abalos à democracia do nosso país segue o script de criminalização e cerceamento de organização, persegue e atinge movimentos populares, em especial de moradia, que figura entre os mais organizados, numerosos e ativos na defesa das pautas de direitos, da  democracia, em defesa da nossa soberania e Lula Livre. 

Há mais de um mês quatro lideranças de movimento de moradia da capital  foram presas, implicadas em supostas ações criminosas, sustentada na montagem de uma peça jurídica recheada de retóricas que não resistem ao enfrentamento e depuração da realidade dos fatos.    

Por último, a notícia de que o ex- presidente Lula poderia ser transferido para o sistema penitenciário de São Paulo, elevou a temperatura na Assembleia Legislativa no embate que nós petistas enfrentamos e contrapomos aos  correligionários de Jair Bolsonaro e João Doria com sua base de sustentação.  

Contrariado com a manutenção do capital político e moral de Lula, o governador João Doria buscou os holofotes e disparou medíocres insultos ao ex- presidente petista. 

Mas Lula é maior que seus algozes, resistente às calúnias e difamações, detido numa solitária, as mensagens do ex- presidente transcendem as limitações físicas e há 500 dias resiste à democracia abalada.          

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