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Erivelton Dias Costas

Secretário de Finanças do PT-RJ, e assessor do deputado e presidente da Alerj, André Ceciliano

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7 de setembro e o espetáculo de horrores de Bolsonaro

Não será mais possível evitar que alguns apoiadores de Bolsonaro saiam às ruas propagando a ideia de intervenção militar. Mas seguramente é necessário evitar que esse espetáculo de horrores continue ganhando adeptos

7 de setembro e o espetáculo de horrores de Bolsonaro (Foto: Reprodução)

A independência do Brasil é um episódio controverso de nossa história. As experiencias coloniais da América Latina demonstram que sair da condição de subjugados, na maior parte das vezes, exige participação efetiva do povo em um processo de desgaste das relações sociais com a metrópole. Conosco aconteceu diferente, o nosso 7 de setembro foi consequência de um longo processo político institucional cujo marco foi o grito do Ipiranga e a insistência da família real de permanecer no território brasileiro apartando-se da imensa crise que atingia Portugal depois da invasão francesa napoleônica. 

Só muito tempo depois nós, enquanto nação, passamos a resignificar esse marco histórico. Parte desse processo começou em 1995, quando movimentos sociais e religiosos passaram a organizar o Grito dos Excluídos, evento que desde de então ocorre todo ano denunciando os mecanismos de exclusão social e opressão, propondo caminhos alternativos para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Este ano, a manifestação deve acontecer tendo como lema a luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda.

Ocorre que em meio a um país alimentado pelo ódio bolsonarista, existe uma ameaça concreta que outra reinterpretação do 7 de setembro prospere, dessa vez com a insígnia do golpismo e o emblema da falência de nossa democracia. As ameaças de Bolsonaro ganham diariamente mais concretude. No mês passado, ele e a cúpula militar protagonizaram um show dantesco com o desfile da marinha em clara ameaça a soberania do congresso para decidir sobre o voto impresso.

Na quarta-feira passada, o prefeito de Cerro Grande do Sul (RS).foi pego tentando entrar no aeroporto de Congonhas com mais de 500 mil reais em espécie. Indícios apontam que o dinheiro seria utilizado na organização dos atos antidemocráticos de 7 de setembro. Alguns apoiadores do presidente já respondem inquéritos e tiveram prisão decretada por organizarem atos contra a democracia, é o caso do blogueiro Wellington Macedo, o político Roberto Jefferson e o caminhoneiro Zé do Trovão.  

O próprio presidente coloca lenha na fogueira ao provocar constantemente a suprema corte e ameaçar os parlamentares do Congresso Nacional. Além disso, faz encenações caricatas como o sobrevoo em avião militar na esplanada dos ministérios, em flagrante ato de intimidação aos poderes da república.

Certo é que não será mais possível evitar que alguns apoiadores de Bolsonaro saiam às ruas propagando a ideia de intervenção militar. Mas seguramente é necessário evitar que esse espetáculo de horrores continue ganhando adeptos, fragilizando nossas instituições e ameaçando nossa estabilidade democrática.    

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.