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Fernando Lavieri

Jornalista, com passagens pela IstoÉ e revista Caros Amigos

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A Alemanha não cansa de errar

País europeu quer reescrever a história com mentiras, mas vai fracassar.

Friedrich Merz, em 29 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Liesa Johannssen)
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Antes, a Europa era manipulada por celerados maníacos e sanguinários, mas que tinham objetivo claro – dominar o mundo -, eles, porém, eram mestres em reger marionetes. Hoje, imitadores sem rigor estratégico ou metodológico, que não sabem articular minimamente suas bases políticas degradam o clima político da Alemanha. Friedrich Merz é um deles. Ator de direita e não conservador, Merz não é nem sombra do que foi Angela Merkel. Ele assumiu o governo prometendo barrar imigrantes em seu país e foi o que fez, mas tal ação política e policial, no entanto, não seria possível sem xenofobia e ódio, principalmente aos muçulmanos; e por isso, pode se dizer que ele flerta com a extrema direita, com o que há de mais reacionário na Alemanha, a AFD, a pesar do cordão sanitário que hoje, não passa de uma tênue linha. Merz conseguiu, recentemente, emitir o seu racismo contra o Brasil em uma audiência pública no Congresso Alemão do Comércio, em Berlim. Para além do executivo, há diversos partidos no Bundestag que querem modificar o justo e exuberante monumento construído para glória do magnífico Exército Vermelho – aquele que livrou o mundo da besta nazista -, o Memorial aos Soldados Soviéticos, na Parque Treptow, em Berlim.


É público e notório que na Alemanha a política está aliada ao que há de mais retrógrado e reacionário na Europa. Alguns casos: apoio irrestrito a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no que se refere a Ucrânia e, por conseguinte, subserviência aos Estados Unidos, e, nesse contexto, rearmamento e forte militarização da nação - fato único pós 1945. Nessa sequência, a política dominante na Alemanha criou forças policiais altamente agressivas, basta observar como os agentes de segurança tem impedido manifestantes pró-palestina em praças e ruas de Berlim. A respeito da relação com a Rússia, a Alemanha rompeu acordos econômicos na área energética, o que tem degradado e penalizado a sua população. Pior, há regressão no estado de bem-estar social que há anos vigia. Os mais penalizados, por óbvio, a classe trabalhadora.  


Voltando à excrescência contra a memória da Segunda Guerra Mundial, os deputados que representam a direita e extrema direita da Alemanha querem que seja acoplado ao monumento informes sobre as “atrocidades” de Josef Stálin. Em  primeiro lugar, o tema é controverso.  E, depois,  falar sobre tais “atrocidades” não se coaduna com o Teatro de Operações frente aos agressores nazistas. Trata-se aqui de blasfêmia ao legado de suprema coragem dos incríveis soldados soviéticos, uma tentativa vergonhosa de reescrever a história simplesmente por ódio a Rússia de Putin. A Alemanha foi uma das primeiras nações a adotar e disseminar a russofobia após o início da Operação Militar Especial na Ucrânia. O Parlamento e governo da Alemanha certamente estarão juntos nessa empreitada vergonhosa, mas eles se esquecem que uma das imagens mais significativas da Segunda Guerra Mundial é a do soldado soviético ao fincar a bandeira comunista no Reichstag, em 2 de maio de 1945. E mais, eles não deveriam esquecer que uma imagem vale mais que mil mentiras.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.