A arte como meio essencial para salvar vidas

O mundo todo sente os impactos da crise do coronavírus, econômica, física, emocional e psicologicamente, e é nesse momento de uma crise existencial individual e coletiva, que é possível reconhecer que a arte nunca foi tão importante, como foi brilhantemente ilustrado pelo também artista Gregório Duvivier no programa Greg News intitulado “Leveza”

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É muito difícil mensurar a exata relevância da arte em nossas vidas, mas definitivamente é importante e muito!

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche disse que “sem música a vida seria um erro”. Eu não só concordo, mas adicionaria também as demais expressões artísticas, como o cinema, a literatura, a poesia, o teatro, a fotografia, a dança, as artes plásticas, tudo o que engloba a nossa cultura popular. Elas representam a história e ideias do nosso povo, suas indagações, críticas e proporcionam inúmeras reflexões sobre o mundo em que vivemos e para qual caminho devemos trilhar.

Hoje, em tempos de pandemia, a arte também tem o poder de salvar mais vidas do que já salvava. Um jovem sem oportunidades de emprego na periferia, por exemplo, muitas vezes deixou de trilhar o clássico caminho da criminalidade por conta do rap, da poesia marginal, do hip hop. Só que a maioria das vezes em que isso acontece, é com iniciativa da própria comunidade, dos próprios artistas que olham para os seus e entendem que algo deve ser feito para chegar onde o Estado deveria, mas não vai. E essas histórias não estarão registradas nos livros de história e, se tiver, estará de forma distorcida. O protagonismo do povo preto e sua história é muito melhor traduzida nos versos de “Mandume”, do Emicida, “Sucrilhos”, do Criolo, “Castelo de Madeira”, d”A Família, e por outros e outras que vivem e sentem na pelo aquela realidade, uma realidade diferente da que a maioria esmagadora da classe média e da burguesia brasileira conhece e se importa.

Porém, de uma forma ou de outra, o mundo todo sente os impactos da crise do coronavírus, econômica, física, emocional e psicologicamente, e é nesse momento de uma crise existencial individual e coletiva, que é possível reconhecer que a arte nunca foi tão importante, como foi brilhantemente ilustrado pelo também artista Gregório Duvivier no programa Greg News intitulado “Leveza” nesta última semana.

Muitos clamam e contam as horas para voltarmos à normalidade. Mas será que é isso que realmente devemos querer? O que era normal antes é bom para nossas vidas? Esse sistema que vivemos e alimentamos é saudável? Essas são algumas das reflexões que os artistas vêm trazendo há séculos para nossas vidas, das mais diversas formas e se atualizando com o passar do tempo. E, no fim das contas, se esses caos se instaura da forma como está, arrancando a humanidade de tantas pessoas em nome de “salvar a economia”, só mostra que esses artistas sempre estavam certos. Esse sistema é genocida e suicida.

Quem não está acostumado a refletir sobre tudo isso pode surtar mesmo, é verdade. Ainda mais agora que está tudo tão sensível e tenso. É por isso que surgem mais uma vez os artistas para nos salvar e trazer um pouco de equilíbrio no meio disso tudo através da leveza do riso, do amor, da esperança que trazem em seus versos, prosas, canções, enfim, toda sensibilidade de transmitir os sentimentos e valores que fazem a vida valer a pena.

Transitar entre as reflexões e esse acalanto que a arte nos traz, seja através da live do seu artista favorito ou do novo filme ou série no catálogo da Netflix, é essencial para que permaneçamos vivos nesse período. Desta forma, sim, a arte é primordial para o enfrentamento do coronavírus. Enquanto os profissionais da saúde e da ciência lutam para buscar a cura e tratar os infectados, são os artistas que lutam para entreter e manter a sanidade do povo para que a ansiedade não domine, fazendo com que tomem atitudes nocivas para si e para os demais.

Ao final das apresentações, é comum uma salva de palmas para expressar uma demonstração de reconhecimento ao talento e ao trabalho daqueles que acabaram de se apresentar. Assim foi feita recentemente uma onda de aplausos aos profissionais da saúde recentemente, também em reconhecimento aos seus esforços. Mas eles precisam mais do que isso. É necessário que, mais do que palmas, existam políticas públicas eficazes que atendam as demandas das suas classes.

Nesse sentido, é mais do que necessária a reciprocidade do povo paulista em apoio ao Projeto de Lei nº 253, que tramita na ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), que cria um auxílio emergencial para trabalhadores e trabalhadoras da cultura, além dos espaços culturais de São Paulo, que ficaram de fora dos programas já criados, de autoria de Isa Penna, Monica da Bancada Ativista, Erica Malunguinho e Carlos Gianazzi (PSOL), Leci Brandão (PCdoB), além da assinatura de coautoria de outros deputados do campo da esquerda. O início da votação está marcado para amanhã (19).

Paralelo a este projeto, tramita no Congresso Nacional o PL nº 1075, de autoria da deputada Benedita da Silva (PT), com coautoria de outros deputados, que também dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural, enquanto as medidas de isolamento ou quarentena estiverem vigentes, afinal, a cultura foi o primeiro setor a ser paralisado justamente por ser um aglomerador de pessoas e deve ser o último a ser retomado.

Portanto, se você for artista, é mais do que necessário apoiar e cobrar para que estas iniciativas sejam efetivadas como políticas públicas que possam resguardar sua sobrevivência. Se você não for artista, é essencial também que apoie da mesma forma, pois alguns artistas de renome podem sim passar por esta pandemia com facilidade e ainda lucrar em cima disso, mas a maioria não. E são justamente estes artistas que proporcionam as reflexões necessárias neste momento, que moram na sua cidade, perto da sua casa, e que nunca precisaram tanto de você agora para poder continuar contigo para passarem juntos por essa amanhã.

Em tempo, muitas cidades também estão buscando desenvolver ações no mesmo sentido em nível municipal. Para aqueles que ainda não cumpriram com seu papel de gestores da forma e com a agilidade necessária, o recado é simples: “Trabalhadores (as) da cultura, uni-vos!”

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