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Fabrizio Ridolfo Prado

Bacharel em Direito, militante dos direitos humanos, socioambientais e dos trabalhadores. Integrante da Juventude do Partido dos Trabalhadores e, a partir deste novo mandato, da direção do Setorial Estadual de Meio Ambiente do Partido. Um dos coordenadores da obra coletiva "Mudanças Climáticas e a COP 30"

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A ascensão da juventude e o pós-Lula

Renovação geracional no PT ganha força e desafia estruturas tradicionais do partido na disputa por espaço e protagonismo político

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

“Tá, mas e quando o Lula morrer? O PT vai acabar, não tem sucessor”. Dificilmente você não tenha se deparado com essa frase ao entrar em uma padaria, enquanto toma uma cerveja com seus amigos ou, então, em um momento de maior calor emocional, durante um encontro de família. A preocupação de qual será a futura liderança do partido é grande e perpassa a avaliação de quase todo cidadão brasileiro.

O Partido dos Trabalhadores se sagrou vencedor em 5 das 9 eleições para a Presidência da República desde 1988, ano de partida do Estado Democrático de Direito no país, fato esse que, inevitavelmente, torna essa disputa pela futura vacância de poder algo de interesse nacional, não meramente partidário.

Nesse cenário de extrema relevância partidária na disputa política nacional — mencionando também o fato de o PT ser o 2º partido com o maior número de filiados, com 1.670.000 pessoas — os pleitos internos de sucessão começam, naturalmente, a aparecer.

É preciso assumir que olhar para dentro indica, em sua maior parte, um partido envelhecido, dominado por uma lógica de correntes que aparelha parte da evolução dos novos quadros e que, por conta desse engessamento, mantém os mesmos líderes em altos cargos de comando há muito tempo.

Ok, isso precisa ser reconhecido. E, pelo que se vê no dia a dia dos plenários de todo o país, nas redes sociais e nos espaços de comando, a juventude reconheceu esse cenário e, frente à dificuldade, chutou a porta. Hoje, o que se vê são jovens de todos os cantos do país lutando por seu espaço institucional e partidário, ganhando caldo político, disputando bases eleitorais, ensinando muitos a lógica das redes sociais e, ainda que seja clichê, fazendo jus ao jargão “parecendo gente grande”.

E são grandes, muito grandes!

Gostaria de destacar dezenas de nomes — sem exagero — que representam esse avanço real de renovação dos quadros partidários, porém fico limitado à quantidade de caracteres do presente texto. No entanto, para ilustrar o sentimento de esperança que esses jovens vêm calcando, conversei sobre o tema com a Secretária Nacional de Juventude do PT, Júlia Kopf, que pensa o seguinte sobre o tema:

“O processo das candidaturas jovens é algo muito necessário para dentro do Partido. A Juventude do PT, historicamente, pauta a necessidade de uma transição interna e de quadros, mas essa transição geracional só poderá ser completa caso exista uma transição também no parlamento. O PT, por exemplo, atualmente é o partido que tem a maior média de idade na Câmara dos Deputados, fato que se reflete em outras Câmaras Legislativas pelo país. É fundamental potencializar as nossas lideranças jovens que constroem as lutas diárias nos territórios e nas bases para também construírem mandatos e ocuparem a institucionalidade política".

Outro importante jovem quadro partidário, Duda Hidalgo, vereadora de Ribeirão Preto e atual pré-candidata a deputada estadual de São Paulo, e que demonstra ser uma das principais apostas do Partido para o pleito proporcional no Estado, também topou se manifestar sobre o tema para este artigo, da seguinte forma:

“O presidente Lula nos ensina que precisamos sonhar, que esse direito é nosso. Hoje, quando perguntam como mobilizar a juventude, seja ela organizada ou não, isso se faz através da luta contra a precarização do trabalho, pelo acesso ao emprego e pela luta por direitos básicos. Tudo isso precisa ser alcançado de uma forma que dialogue com os jovens e com a sociedade, precisamos falar a mesma língua. A única forma que vejo isso ser possível é, de forma conjunta, com o crescimento da quantidade de jovens quadros políticos junto da experiência de luta trazida pelos quadros mais antigos".

A fala da Duda Hidalgo é muito feliz porque, além de se tratar de um quadro partidário jovem e vindo do movimento estudantil, esboça exatamente o movimento trazido pelo Governo Federal, que, por via da nova agenda da comunicação institucional e das pautas políticas-chave, privilegia as causas de redução da jornada de trabalho, da devolução da esperança para o povo brasileiro, da enorme quantidade de empregos criados nos últimos quatro anos e do investimento na juventude, tudo isso através de uma comunicação moderna — em grande parte realizada por “memes” — e focada nas redes sociais.

Hoje, ser jovem na política virou sinônimo de aguerrimento, coragem e respeito.

Pois bem, esses dois cenários postos, permeados por conflitos geracionais e de espaço, demonstram um cenário de necessidade de mudança e de uma paulatina revolução intrapartidária. Vale destacar que esse processo se manifesta não somente em pleitos eleitorais — como nos casos de (1) Luna Zaratini, jovem vereadora de São Paulo e pré-candidata a deputada federal; ou da (2) Ana Júlia Ribeiro, deputada estadual pelo Paraná e pré-candidata a deputada federal — mas também em jovens que já possuem mandatos, como: (3) Uriel Biazin, vereador em Embu das Artes-SP; (5) Clovis, vereador em Santo André-SP; (6) Karin Santos, vereadora em Recife-PE.

E não para por aí: a institucionalidade intrapartidária e a própria composição da burocracia governamental, neste momento sob o comando do Partido dos Trabalhadores, também possuem uma série de jovens que foram designados, de todos os cantos do país, para essa missão em Brasília-DF. Novamente, aproveito para exemplificar esse movimento por meio de importantes nomes, como: (1) Lígia Toneto, chefe de gabinete da Presidência do PT; (2) Viviane Mendes, chefe da assessoria parlamentar do Ministério da Saúde; (3) Alexandre Pupo, secretário-geral da OIJ; (4) Vitor Quarenta, assessor especial do ministro da Saúde; (5) Rodrigo Portella, coordenador do setorial jurídico estadual de São Paulo.

O desafio de rejuvenescer o comando do PT e os rumos que serão seguidos após a partida de Lula, fato que, infelizmente, se aproxima, já estão na mesa. Agora, vale destacar que o processo de sucessão, a modernização do Partido e a incorporação das novas lutas da atualidade vêm sendo construídos por uma juventude partidária já pujante. A cada dia que passa, a juventude do PT avança e, para os poucos que resistem a essa ideia ou para os muitos que não diagnosticaram esse movimento, é melhor que abram alas, porque a juventude vai passar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.