A blasfêmia!

Não consigo processar como um governo que, ostensivamente, desrespeita o Estado Laico possa usar o sofrimento dos que são perseguidos por sua religião, em vários lugares do mundo, o que é deplorável, para declarar a sua devoção à liberdade de fé, de crença e de expressão.

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)
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A oração chamada de “O Pai Nosso” é dita ou usada como modelo por cristãos de todos os matizes e nacionalidades.

A ênfase dessa oração ensinada pelo próprio Jesus, nosso Senhor e Deus, é a santificação do nome do Pai.

Santificar o nome do Pai é não permitir que o seu santo nome seja usado para justificar ou encobrir o mal. Usar o nome santo para tal é blasfêmia.

Quando terminou o discurso do atual Presidente da República Federativa do Brasil, na abertura do debate geral da 74ª Assembléia Geral das Nações Unidas, tive a nítida impressão de ter ouvido um blasfemo.

Não me lembro de ter visto, em âmbito tão abrangente, a menção de Deus ser relacionada a tanta desinformação, a tanta leviandade, a tanta calúnia.

Não me lembro de tanto desrespeito a seres humanos como o anúncio de que os povos originários não terão mais nada no Brasil, porque são seres humanos como nós…

“Nós quem, cara pálida?” Nós, os capitalistas vorazes, que trabalhamos pela destruição do planeta, como o idiota que testa sua metralhadora atirando, em todas as direções, contra a sua própria casa, sentado no confortável sofá de sua sala?

Quer dizer que os povos originários aderiram ao ecocídio, e inauguraram a nova fase incendiando a floresta amazônica?

E mais, não consigo processar como um governo que, ostensivamente, desrespeita o Estado Laico possa usar o sofrimento dos que são perseguidos por sua religião, em vários lugares do mundo, o que é deplorável, para declarar a sua devoção à liberdade de fé, de crença e de expressão.

Onde está a ação desse governo para coibir os ataques aos locais de serviço religioso das religiões de matriz africana?

Enfim, o nosso algoz se revelou ao mundo como o porta-voz dum projeto lesa-pátria e lesa-humanidade, que invocou Deus como patrono da destruição de sua criação, como se o extermínio assumisse, na missão de Deus, o lugar que sempre foi e será da redenção.

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