A boa e a má notícia de fim de ano do amigo Eros Grau, chegando aos 80

O colunista Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia, relata seu encontro com o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Eros Grau. Ele diz: "fazia tempo que não encontrava o ex-ministro Eros Grau, que vive metade do tempo em sua bela casa de Tiradentes, nas Minas Gerais, e outra em seu apartamento de Paris"

Por Ricardo Kotscho, para o Jornalistas pela Democracia - Participo de uma velha confraria de amigos que se reúnem aos sábados na Tabacaria Ranieri, em São Paulo, para falar da vida, sem nenhum compromisso.

O que os une é o charuto, que nunca consegui fumar, mas tem também quem fuma cigarro, como eu, ou não fuma nada; só está lá para encontrar os amigos e fazer a resenha da semana.

Fazia tempo que não encontrava o ex-ministro Eros Grau, que vive metade do tempo em sua bela casa de Tiradentes, nas Minas Gerais, e outra em seu apartamento de Paris.

De vez em quando, passa por São Paulo, onde o encontrei neste sábado.

Com dificuldades para se locomover, depois de várias cirurgias no joelho, alojou-se em sua pequena cadeira, especialmente guardada para ele, como se fosse um reizinho.

Barba branca bem comprida, assim como a cabeleira, poderia ganhar a vida como Papai Noel, mas aqui é apenas o doutor Eros, divertido contador de histórias, ao lado do seu conterrâneo gaúcho Nelson Jobim, de quem foi colega no STF.

Os dois nasceram na mesma rua em Santa Maria e chegaram ao STF na mesma época.

Têm em comum, além da origem e do destino, o fato de não se levarem muito a sério.

Divertem-nos com suas brincadeiras de adolescentes, um sacaneando o outro o tempo todo. Faz parte do show particular deles.

“Qual é a boa notícia, Eros?”, pergunto a ele de bate pronto, quando o reencontro depois de semanas sem nos vermos.

O amigo tinha acabado de fazer um transplante de retina e ainda está em recuperação.

Afasta um pouco a bengala, olha bem pra mim e responde na lata:

“A boa notícia é que eu esto fodido!”.

Diante da reação da platéia, que ri meio sem graça, faço a segunda pegunta:

“E qual é a má notícia, Eros?”

“Eu acho que vou sobreviver…”

Aí ele se lembra da crônica que escreveu no Diário de Santa Maria, recuando aos tempos de juventude comunista, bem diferente da boa vida que leva hoje, apesar dos achaques da saúde, perto de completar 80 anos.

Depois ele me manda o texto em que se lê:

“Da janela e do fundo do terreno da nossa casa (em Tiradentes) desfruto do horizonte da Serra de São José. O eu mais jovem que há em mim volta e meia me diz ao eu que sou hoje algo assim como `velho burguês, tu vais ver, terás que dividir tudo isso quando vier a Revolução´. Então lhe respondo, com uma ponta de ironia, que quando ela vier já estarei no céu!”

Vida que segue.

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