A bolsonarista Lygia Maria
Alinhamento bolsonarista, ataques ao STF e contradições no debate público
Relutei, por um tempo, a elaborar um texto crítico dedicado a Lygia Maria. Se pode isso ou não, fica a dúvida. Ela mereceria? Não sei. Ela é mestre em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, o que, com todo respeito à Instituição, mostra sua relação com o estado mais fascista do país.
Sua coluna regular na Folha de S. Paulo precisa ser lida pelas atrocidades lá contidas, ainda que haja um grupelho de fiéis adeptos ao conteúdo que com ele concordam. Lembremos que o jornal faz suas tentativas de fachada para congregar várias correntes. O Editor da Folha seria mais realista se admitisse que o jornal tem, sim, algumas posições políticas – de direita, pró-mercado, antilulista –, mas que tenta dar um ar de pluralidade de opinião em suas páginas com diferentes articulistas. Jornalismo isento não existe, começando pelas palavras escolhidas para tratar de qualquer assunto.
Imprensa sob ataque, democracia em erosão: eis alguns epítetos que Lygia Maria usa. De qualquer forma, ironicamente afirmei em carta não publicada para o jornal que não sabia que a bolsonarista Lygia Maria tinha se tornado também advogada de Sérgio Moro, quando alegou que o STF teria virado piada pela forma como conduz os julgamentos que lá chegam. Com seus hilários argumentos contra os procedimentos da Suprema Corte, que sempre defendeu a liberdade de expressão, mas é severa com quem atenta seriamente contra seus membros, quem é que está virando piada?
Por sorte, houve um contraponto na Folha e agradeci a Georges Abboud por dar uma resposta à altura em artigo ao qual deu o providencial título “O colunismo anti-Supremo”, ainda no final de outubro de 2025. A piada fica por conta de Lygia Maria, respondida por Georges, ainda que sob reticências...
Ela continuou e não é objetivo aqui detalhar tudo o que expressou. Ou gritou. Um mês depois, houve os gritos de Lygia Maria. O grito pode, sim, ser uma manifestação legítima na ausência de outras. A jornalista até poderia ter razão, não fosse sua coluna uma constante gritaria para defender o extremismo da direita e o bolsonarismo. A questão Israel-Palestina – que era o eco gritante do momento, em função de representante sionista ser impedido de dar palestra na USP – é muito mais do que um sim ou não, ou grito/silêncio. E, no caso da palestra na USP, quem pagou?
Por fim, Lygia Maria, ao defender Malu Gaspar no caso envolvendo o ministro Dias Toffoli, o banco Master e o acesso à informação, criou o mito de que o PT inventou a hostilidade ao jornalismo! Essa mulher se repete, pois a criação é antiga. Li e reli a frase de abertura em artigo no finalzinho de 2025, esperando um “erramos” daquele jornal para refutar a estapafúrdia afirmação, mas não. Tens o direito de ser de direita, mas ... menos, Lygia, menos.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador em Campinas-SP
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
