A catedral de Notre-Dame, as plataformas tecnológicas e a armadilha da pandemia

O que os “arquitetos da pandemia” mostrarão para invocar a humilhação pública dos governos que não prevejam campanhas de vacinação?

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Rui Costa Pimenta, em uma live recente com Alysson Mascaro, disponível no canal Youtube “Diário do Centro do Mundo”, define o incêndio da catedral de Notre-Dame em Paris como uma das tantas demonstrações da crise estrutural do capitalismo, que não também consegue cuidar do próprio capital cultural, nos diferentes estados nacionais. Embora Rui Costa Pimenta possa ser considerado um dos melhores analistas políticos brasileiros (a sua análise da evolução do sistema capitalista, no Brasil e no exterior, é construída com uma rara lucidez), eu acho necessário optar por uma interpretação diferente dos acontecimentos, seja o incêndio da catedral de Notre-Dame ou, por exemplo, a situação lamentável para a qual se direciona o imenso patrimônio cultural italiano. Em vez de identificar uma fraqueza do capital, incapaz de cuidar dos mesmos pilares culturais nos quais uma boa parte da sua legitimação e da sua retórica social estão fundadas, tudo isso deveria nos mostrar a sua evolução para uma condição diferente e inédita. O capital evolui com grande rapidez na via da mundialização, coisa diferente da globalização. A globalização pode ser definida como uma estratégia econômica e política que permite a exploração violenta dos recursos humanos, naturais e materiais em qualquer parte do mundo, sem barreiras jurídicas, sindicais, comerciais ou morais por parte do capital de uma nação ou de nações aliadas. A mundialização é o sonho distópico de dominação global através de um único governo mundial, come deixado para vislumbrar na última reunião do World Economic Forum. A fase histórica do capitalismo, enraizado em diferentes estados nacionais, aliados o em luta entre eles em função das necessidades do momento, acabou definitivamente. Esta fase foi o sonho realizado dos estados nacionais, que revolucionaram a estrutura política da Europa em meados do século XIX. O capital hoje não necessita se identificar com estados nacionais, não necessita da retórica da “pátria”, do cuidado dos símbolos identitários dos povos, do patrimônio cultural que define a ideia mesma de povo e a sua identificação com uma específica área geográfica, com uma língua, com tradições culturais, enfim, com um estado no senso econômico, jurídico, político, geográfico e linguístico. Notre-Dame, símbolo identitário por excelência, queimou porque a sua função não é mais necessária. Assim como o patrimônio cultural italiano se destrói lentamente, na incúria de longa data dos governos, porque não é mais necessário. A escola, a qual cobria o papel de transmitir os fundamentos identitários culturais de uma nação, não serve mais. Já durante o governo Berlusconi, na Itália, a palavra de ordem para educação era “a escola dos três Is”: inglês, informática, empresa (em italiano se diz “impresa”). O que significa que o resto seria inútil. Assim se define uma estratégia global que se faz sem os símbolos nos quais a nossa geração foi criada, símbolos que nós acreditamos como fundamentais para construir um estado “civilizado”, idioma nacional incluído. O papel das plataformas tecnológicas Nada disso seria possível sem a participação das “redes sociais”, plataformas informatizadas capazes de processar bilhões de dados informáticos em frações de segundo. Essas plataformas, além de servir como lugares virtuais de pesquisa de informações ou de troca de informações pessoais entre usuários, se tornam polos multifuncionais orientados à gestão global do mundo. O proveito se produz mais graças às plataformas do que graças à exploração dos recursos naturais, a produção dos bens de consumo e a sua circulação e comercialização pelo mundo. De certa forma poderia ser dito que a circulação e comercialização dos bens de consumo depende, cada dia mais, da racionalização das cadeias de trabalho, produtivas e logísticas geradas pelas plataformas. As plataformas, como analisa com clareza Roberto Moraes no seu blog, expõem a superexploração do trabalho e desempenham várias outras funções, incluindo trabalhar de casa, que conhece hoje uma expansão vertiginosa. Durante esta suposta pandemia de covid-19, as redes sociais, e os seus corolários tecnológicos, estão desempenhando um papel multifuncional: organizam o trabalho em acordo com o “mundo pôs-pandemia” preconizado pelo World Economic Forum no seu distópico “great reset”, creem-se autonomamente como porta-estandartes na luta contro as “fake news”, espalham notícias de caráter sanitário relativamente à pandemia, colaboram com a Organização Mundial da Saúde, pronunciamse a favor da vacina anti-covid. Então, as redes sociais se candidatam como ferramentas tecnológicas capazes de concorrer à gestão das crises sanitárias, ou supostas tais. Parecem-me evidentes, no panorama de uma “ecologia do sistema”, as óbvias vantagens que as plataformas tecnológicas obtêm de uma pandemia e das medidas de “distanciamento social”, do “lockdown”, dos aplicativos de localização das pessoas, da possibilidade de implementar “certificados sanitários individuais” disponibilizados nos celulares de cada um de nós. A assim chamada “vacina” da empresa Moderna é na realidade uma plataforma tecnológica destinada a integrar-se com outras plataformas, como pode ser lido no site da Moderna: “Reconhecendo o amplo potencial da ciência do mRNA, decidimos criar uma plataforma de tecnologia de mRNA que funcione de forma muito semelhante a um sistema operacional em um computador. Foi projetada com funcionalidade ”plug and play”, para que possa ser reproduzida de forma intercambiável com diferentes programas. Neste caso, o “programa” ou "app" é o nosso remédio com mRNA, uma sequência única de mRNA que codifica para uma proteína. "  Lembramos que o mRNA é uma molécula que transporta as informações codificadas no DNA para a célula e permite sua transformação em moléculas necessárias para a vida da própria célula. O objetivo seria induzir as células do nosso corpo a produzir anticorpos contra o covíd, graças às informações contidas no mRNA artificial levado pela vacina. Tudo isso se integra perfeitamente na ideia da nova “medicina personalizada”, dependente fortemente da elaboração bioestatística dos dados biológicos individuais, dados genéticos incluídos. Os nossos perfis genéticos poderiam ser utilizados não somente por elaborar cuidados médicos personalizados, mais também para individuar atitudes comportamentais (verdadeiras ou supostas que sejam), incluindo, por exemplo, a predisposição à violência e tudo o que isso traz: um controle incondicionado do povo. Deveria ser claro que não importa se tudo isso seja conforme a uma “verdade científica”. As categorias de “verdadeiro” ou “falso” são ilusórias; o que importa, como dizia Foucault, o que representa o cerne da questão, é compreender como uma série de práticas que não existiam acabam sendo reais, graças à incorporação em um regime de verdade. Segundo Foucault, o acoplamento “série de práticas-regime de verdade” forma um dispositivo capaz de imprimir-se no real. De novo, quem pode hoje construir um “regime de verdade” e/ou contribuir a difundi-lo no mundo? Obviamente, as plataformas tecnológicas. Para fechar este assunto vem em nossa ajuda Holywood, a fábrica da nova realidade, concebida, elaborada e difundida uma vez mais pelas plataformas tecnológicas. Um filme de 2017 de “ficção sociológica”, The Circle, escrito e dirigido por James Ponsoldt e interpretado por Tom Hanks, prevê a possibilidade que as votações políticas, em diferentes países, pudessem acontecer utilizando uma rede social, chamada justamente The Circle. Uma óbvia referência ao Facebook. Então, aqui vem uma outra prerrogativa das plataformas: a gestão política da sociedade. Uma triste experiência que o Brasil viveu durante a última campanha para as eleições presidenciais, fraudadas utilizando as ferramentas de acoplamento “série de práticas-regime de verdade” disponibilizadas pelas redes sociais. A recém-derrota do Trump, provavelmente, tem uma única razão fundamental: ele era favorável a um redimensionamento das hipertróficas e poderosas plataformas, através da quebra dos oligopólios nesta área. A estrutura da nova ordem mundial, que se entrevê no horizonte, não é compatível com plataformas tecnológicas enfraquecidas, muito pelo contrário. A armadilha da pandemia Sinceramente, não acho que esta extrema complexidade do mundo moderno faça parte do horizonte cultural do atual presidente da República Federativa do Brasil. Um presidente que uma crítica superficial o vem classificando de fascista, em vez de “veterofascista”, como seria mais correto defini-lo. Ele interpreta o fascismo do século passado, o fascismo dos generais que usam óculos de sol, têm a cara feroz e o peito cheio de condecorações, o fascismo de quem faz apologia da violência e usa a retórica da “pátria”, o fascismo dos golpes de estados gerados pelas forças armadas e dos tanques nas ruas. Um fascismo brutal e ignorante. Hoje o fascismo é diferente, é caracterizado por um nível tecnológico muito alto e tem a cara limpa e linda dos donos das plataformas tecnológicas. Não tem necessidade de executar golpes violentos, apesar dos efeitos extremamente violentos das suas medidas, ele gere a sociedade através do controle dos dados informatizados e sonha o governo mundial. Eu acho que a postura do Bolsonaro em relação a esta suposta pandemia e em relação à vacina anticovid não tem a menor importância. Ele está fora do padrão de gestão política que hoje pretende governar o mundo, também através desta pandemia e daqueles que virão. Lembramos que a John Hopkins University, em novembro do 2019, publicou um “Pandemic simulation exercise” no qual preconizava uma pandemia causada por um coronavirus, com efeitos devastadores. Apenas por coincidência, em 11 de março 2020 a OMS declara ao mundo a chegada da pandemia causada pelo SARS-Cov-2. A mesma John Opkins University publicou um outro “exercício” em 2017 que prevê uma outra pandemia, chamada SPARS, sempre a cargo de um coronavírus, que acontecerá em 2025 e acabará em 2028. Deveríamos nos preparar para enfrentar esta nova pandemia, cuja chegada a John Opkins previu com 8 anos de antecipação? Enfrentar Bolsonaro, acreditando no que ele não acredita, é o que poderia ser definida uma “armadilha cognitiva”. Como frequentemente lembra Rui Costa Pimenta nas suas lives, em política é necessário manter a “cabeça fria”. Invocar medidas restritivas das liberdades individuais para enfrentar a suposta pandemia para lutar contra Bolsonaro significa cair na armadilha do novo fascismo. Na Itália o primeiro-ministro governou por decretos por um ano inteiro sem controle prévio do parlamento. As medidas de lockdown não tiveram nenhum efeito prático apreciável do ponto de vista sanitário e, em vez de salvar vidas, causaram mortes evitáveis. O conjunto de medidas de lockdown e do medo espalhado cada dia pela mídia corporativa causou a suspensão de 13 milhões de consultas especializadas, enquanto 300.000 hospitalizações e 500.000 cirurgias não foram realizadas e 4 milhões de exames oncológicos foram adiados. Este é o balanço da situação na Itália. O medo causou uma superlotação dos hospitais criando um caos extremo. Na Itália as medidas de “racionalização” do sistema sanitário nacional (leia-se destruição programada) causou uma perda de 396.000 camas de hospitais em comparação com o ano de 1970. Apenas como parêntese, em 1970 a população italiana tinha cerca de 7.000.000 habitantes menos do que hoje. Um verdadeiro paradoxo: 7.000.000 habitantes menos e 396.000 camas de hospitais a mais. Também a comparação entre o ano 2020 e o ano 1950 não é favorável: cerca de 14.000.000 de habitantes a menos e 250.000 camas de hospitais a mais. A vacina anti-covid merece um discurso particular. Mesmo que queiramos admitir a vacina seja a única arma contra o coronavírus (querendo assim, por simples hipótese, concordar com a narrativa atual), é impossível explicar, senão assumindo um monstruoso conflito de interesses, por que governos, que se declaram tão atentos à proteção da saúde pública, não confiaram o desenvolvimento da vacina à pesquisa pública, mas escolheram, sem hesitar, o caminho da indústria privada. Como se não houvesse alternativas. Se acreditar na pandemia e acreditar também que o que está em jogo são as vidas de dezenas de milhões de pessoas, a solução mais óbvia e racional seria confiar aos melhores pesquisadores que trabalham em universidades e centros de pesquisa públicos, em todo o mundo, a tarefa de desenvolver uma vacina. Naturalmente, a escolha da tecnologia deveria ser voltada para a já conhecida e testada das vacinas tradicionais. Em uma situação de emergência como essa, deveria ser impensável tentar desenvolver uma vacina experimental que nunca foi usada antes. Qual foi a escolha em vez disso? Decidiu-se confiar às indústrias privadas o desenvolvimento e a produção da vacina e, além disso, de uma vacina experimental, da qual nada se sabe, baseada na tecnologia mRNA. Quais são os resultados? 1) opacidade total da pesquisa, da estrutura dos testes e da base teórica desta nova vacina experimental; 2) Peter Doshi, vice-diretor científico do British Medical Journal, uma das maiores revistas médicas do mundo, encontrou inconsistências muito sérias no estudo da Pfizer e da Moderna e estimou a eficácia da vacina entre 19 e 29%. 3) Pfizer e Moderna se recusaram a divulgar os dados brutos dos testes antes de 2 anos e só o farão depois da solicitação dos interessados. Isso significa que eles podem optar por tornar públicos apenas os dados que desejam. Além disso, para enfatizar de como seja opaca esta história da vacina, eu gostaria de perguntar se tem alguém que tomaria hoje uma vacina, por exemplo antigripal, desenvolvida a partir de um vírus que circulava em 2019 na China. O SARS-Cov-2 pertence à família dos coronavírus, vírus bem conhecidos entre os quais existem muitas cepas definidas como “para gripais”, com a característica de mudar rapidamente. Com toda evidência, existe uma forte probabilidade que aquele vírus não circule mais. Se, come parece, existem variantes italiana, brasileira, inglesa, sul-africana e também alemã do vírus, para citar somente aqueles dos quais se fala, como seria possível proteger em 2021 a população mundial com uma vacina desenvolvida a partir de uma variante do vírus que circulava na China em 2019? E de mais, eu me pergunto se é uma coisa lógica vacinar todos em tudo o mundo, mesmo nos países quem não foram atingidos pelo suposto coronavirus, contra uma doentia que só coloca a população mais velha em risco. Em Itália, a mediana das idades dos doentes, falecidos por causa da suposta pandemia, é acima de 82 anos, uma idade que impacta com a esperança de vida no país. Sempre de acordo com os dados oficiais. De mais, muitos médicos italianos manifestam a sua oposição a vacina, uma oposição baseada no sucesso terapêutico obtido cuidando em casa miliares de doentes com terapias simples, econômicas e eficazes, evitando a superlotação dos hospitais e o caos que segue. Muitos desses médicos foram submetidos a medidas disciplinares e outros foram suspensos do exercício da profissão. O portaestandarte deste protesto civil é o doutor Mariano Amici, cujo blog é uma importante fonte de notícias científicas que atestem como uma alternativa terapêutica à vacina seja mais eficaz e mais econômica, como o site da Associação “Ippocrateorg”, quem disponibiliza um serviço de consulta gratuita e possível assistência médica covid por telefone. Lembrando de novo Foucault, quando um conjunto “série de práticas-regime de verdade” acaba sendo bem fundado na realidade, ele é legitimamente sujeito à distinção entre verdadeiro e falso. Se a verdade da pandemia é apoiada e espalhada pelas plataformas tecnológicas, que juntam informação, controle sobre qual informação deve ser difundida, controle político e controle econômico, parece bastante claro que ninguém, no mundo inteiro, pode ser imune a esta narrativa. Quem recusa a vacina acaba sendo considerado uma pessoa perigosa, muito perigosa. Deveria ser claro que a periculosidade de um tal sujeito não tem nada a ver com problemas sanitários; antes de mais nada o problema está confinado em se recusar a aceitar a narrativa atual. Coisa inaceitável. Para funcionar este sistema, como todos os sistemas fascistas, não pode tolerar dissidência. O violento ressurgimento de uma censura rigorosa em todos os meios de comunicação de massa é uma prova clara disso. Em Itália a mídia independente está sujeita a controle contínuo e censura contínua por parte das plataformas de comunicação e dos chamados “fact checkers”, o novo termo elegante para definir a censura de tipo fascista. Toda a pantomima sobre a vacina, construída por políticos brasileiros, tem o único objetivo de fazer com que o Brasil seja forçado a reconhecer a sua impossibilidade de abastecimento e seja obrigado a comprar os produtos experimentais Moderna o Pfizer, caindo, uma vez mais em uma armadilha. Infelizmente, a monstruosa maquinação, apoiada e disseminada por redes sociais, governos, supostos cientistas e a mídia corporativa, deixa os países mais vulneráveis (acho, entre outros, à Venezuela, ainda estrangulada pelas sanções americanas) impotentes perante a construção política, científica, econômica e midiática da necessidade da vacina. Come podem se proteger os países mais vulneráveis? Como se abster vacinar suas populações? Também países poderosos como a Rússia e a China começaram a vacinação. É o maior golpe da história, que deixa sem recursos até quem não acredita na pandemia. O que fazer? Colin Powell apoiou a guerra contra o Iraque, em uma ignóbil intervenção na ONU, sacudindo um tubo de ensaio que deveria conter evidências de uma arma química mortal desenvolvida por Saddam Hussein. Uma mentira, útil para demonizar o Saddam e desencadear a guerra. O que os “arquitetos da pandemia” mostrarão para invocar a humilhação pública dos governos que não prevejam campanhas de vacinação? Governos que serão acusados de ser perigosos para o mundo e, por isso, tornaria necessário abatê-los, até mesmo recorrendo à força das armas. Como lutar contra este Moloch? Quão são as medidas politicas a tomar?

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