A CNBB volta a fazer opção preferencial pelos pobres

Não é possível fazer uma análise sobre a Igreja Católica partindo do princípio da relação ideológica entre Direita e Esquerda do ponto de vista político-eleitoral. Tentar criar rótulos simplistas para este ou aquele grupo, falseia a verdade e escamoteia o que de fato é uma notícia de renovação/continuidade na CNBB

Parte da mídia tem falado sobre uma suposta "vitória dos conservadores" católicos, em razão da eleição para a Secretaria Geral da CNBB de Dom Joel Portella, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Segundo essas notícias, o bispo é ligado ao que chamam de "direita da Igreja". Esse tipo de suposição está mais para torcedores do que para uma análise minimamente isenta do que, o que de fato aconteceu na 57ª Assembleia Geral da CNBB.

Eles exageram em dois pontos. Primeiro, perderam de lavada, segundo: Dom Joel é um bispo tradicional. Não é "de direita", bem como não é, um "comunista de carteirinha" como dizem os seguidores de Plinio Salgado. Pode-se dizer que a linha de pessoas como Dom Joel e Dom Walmor representam a maioria católica.

Dom Joel é um bispo tradicional, e por tradicional, podemos entender que não faz distinção entre opções eleitorais, muito embora, tenha claro o que significa o fascismo e disso, ele não faz parte. Querido pela comunidade, afetuoso com seu rebanho e um grande teólogo. Aliás, essas características (afeto, caridade e profundidade teologal) cabem bem, aos bispos que foram eleitos nesta "chapa". Essa é uma Assembléia que se notabilizou pela escolha de bispos com bastante profundidade teológica e de uma pratica caridosa à lá Papa Francisco.

Então, pra começar, não é possível fazer uma análise sobre a Igreja Católica partindo do princípio da relação ideológica entre Direita e Esquerda do ponto de vista político-eleitoral. Tentar criar rótulos simplistas para este ou aquele grupo, falseia a verdade e escamoteia o que de fato é uma notícia de renovação/continuidade na CNBB.

Neste sentido, o que temos é a sequência do trabalho exercido do atual presidente da CNBB, Dom Sergio, o que tem se aproximado de forma muito positiva do pensamento e da ação de Papa Francisco. Esta é, sem dúvidas a grande notícia a ser comemorada!

A direita católica é mais ruidosa, mais politiqueira e mais ostensiva e age de forma maquiavélica na difusão de sua visão ideológica e sob a vestimenta da preservação da fé, usa a divisão como método pra reinar. (basta ver a última eleição presidencial).
Nesse sentido, essa direita católica é mais atrevida, pois ataca de forma muito agressiva e direta aqueles que considera como sendo seus inimigos!

Haja vista ao que faz Olavo de Carvalho e os seguidores do fascismo. (pra quem tiver curiosidade pra saber o que significa destilar do ódio dessa gente, sugiro essa leitura...) E os "inimigos" são, em tese, seus irmãos de fé! São os chamados "bispos comunistas" ou padres! E a lista é grande! O ódio é o discurso que os caracteriza.

Pra propagar sua campanha integralista-nazi-fascita, apostam na desinformação sobre o significado de ser "comunista", e esse pessoal não teme o ridículo. Põem no mesmo balaio todos aqueles que por qualquer motivo defendam questões muito simples como alegria, afetividade, honestidade e tolerância e questões complexas como combate a homofobia, direitos dos índios, quilombolas, sem teto, sem-terra.

Se essa defesa tiver a ousadia de interpretar as palavras de Jesus Cristo no Evangelho, como sendo direcionadas a estes grupos e minorias, como por exemplo o Evangelho de Mateus 25,35-36:
"35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.", então, pode se preparar! Tu é comunista!

Por outro lado, o que se chama de setor progressista é de longe, maior em número de adeptos! O que chamamos de "ala progressista" está inserida em um número maior de comunidades, paróquias e mesmo dioceses! Mas não faz barulho. A atividade pastoral da base da Igreja Católica, bem como das Igrejas Tradicionais, como os Presbiterianos, Metodistas, Batistas, Anglicanos entre outras, não é a eleitoral! Os agentes de Pastoral não agem por motivação eleitoreira. Por mais que isso decepcione alguns dos nossos.

As CEB´s continuam ativas... não como nos anos 80, mas permanecem firmes na caminhada e curiosamente, embora suas lideranças sejam sim ligadas à esquerda, a base é apenas simpatizante, mas não milita ativamente na sociedade ao não ser que seja convocada a isso, o que raramente acontece! Grupos como ECC, (Encontro de Casais com Cristo) PJMP, (Pastoral da Juventude do Meio Popular), CEB´s (Comunidades Eclesiais de Base), entre tantos outros, continuam agindo no meio da sociedade em células muito ativas e críticas aos modelos de governo que excluem e oprimem.

A direção do PT precisa fazer uma análise sobre nosso último período de governo. Houveram erros nessa relação do mesmo modo que errou com grande parcela da militância de esquerda! Quando olhamos os relatórios anuais da CPT, da Pastoral Carcerária, das Pastorais de Moradia, das APN´s (Agentes de Pastoral Negros e Negras), Pastoral da Criança, Pastoral do Menor e tantas outras pastorais sociais, vemos que existiu um distanciamento sepulcral do governo e desta base eleitoral.

Nas eleições de Lula e Dilma, este setor da Igreja apoiou maciçamente o PT! Ja em 2018, enquanto as lideranças pastorais progressistas se esforçavam pra denunciar o fascismo que representava Bolsonaro, as Fake News, via WhatsApp, mostravam na base católica e evangélica que os protestos organizados pelas mulheres no #EleNão, tinham pessoas fazendo sexo com imagens católicas. Foi catastrófico!

Curiosamente, o governo Bolsonaro esta reavivando a necessidade de retomar a formação e a reação profética dos cristãos que tem como concepção a ligação entre a fé e a vida, baseado nos três pilares: VER, JULGAR E AGIR.

Neste sentido, vale comemorar o que está significando esta 57a. Assembléia Nacional da CNBB. Olhar para o conjunto da obra. E nesse campo, houve um banho de água benta, uma goleada dos Progressistas, que é o que de fato importa para a base tradicional da Igreja, que é motivada pelos setores mais organizados... e é aqui que refloresce, pra desespero dos olavistas, a Teologia da Libertação!

O presidente escolhido da CNBB será dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, que é visto como moderado, e tem denunciado com muita clareza os desmandos das mineradoras e da destruição promovida no meio ambiente, seja em Brumadinho, seja em Mariana, seja os diversos crimes ambientais acontecidos na Serra da Piedade. Tem sido chamado por alguns conservadores de defensor da "histeria ecológica do Sinodo Pan Amazônico".

Assim como seus vices, dom Jaime Spengler (Porto Alegre), que reavivou as comunidades e pastorais sociais porto alegrenses e dom Mário Antonio Silva (Roraima) – que vem fazendo um lindo trabalho na defesa enfática e uma pratica "Fransciscana" no que se refere aos refugiados venezuelanos. Essas ações de caridade a ação cristã os aproxima muito de Papa Francisco o que por si, já o coloca no campo dos comunistas, segundo a direita católica e neste mesmo campo de bispos moderados, esta Dom Joel Portella Amado, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, que exercerá a função de secretário geral, ou seja... Em breve lhe será conferida a carteirinha de "bispo vermelho" também!

Mas, mais ou tão importante quanto a escolha do colegiado que vai dirigir a CNBB, aconteceu enquanto a mídia se preocupava em saber quem eram os bispos favoráveis ou contrário a Bolsonaro, está sendo a escolha dos 18 presidentes regionais da CNBB e dos três presidentes das poderosas comissões episcopais pastorais.

Para alguns setores da direita católica que são minoritários, mas ruidosos, pessoas como Dom Odelir José Magri, Bispo de Chapecó (SC), que foi eleito para a Ação Missionária e Cooperação Eclesial, dom Giovane Pereira de Melo para o Laicato, bispo de Tocantinópolis, (TO) já foi bispo referencial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), eleito agora como sendo o responsável pelo Laicato (povo católico). E Dom João Francisco Salm que é bispo de Tubarão (SC) e será o responsável para Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; são o que eles chamam de "bispos comunistas".

Para estes setores conservadores, será difícil a missão de compreender que Jesus é aquele que se fez cumprir as escrituras. "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele me enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação da vista aos cegos; para restituir a liberdade aos oprimidos". Evangelho de São Lucas 4,18

A prática disso é defender os pobres, os marginalizados, os sem-terra e sem teto, os direitos humanos e o intransigente combate ao racismo contra negros e qualquer outra raça, a garantia para que refugiados não sejam tratados como apátridas em terras estrangeiras, a defesa da demarcação das terras dos indígenas, dos quilombolas e suas heranças e descendências, a garantia do acesso e direito de se aposentar aos idosos, o combate a homofobia que mata e maltrata e o feminícidio alimentado por um machismo cruel e desalmado. A prática cristã passa pela certeza de ser ofertado comida a quem tem fome, água a quem tem sede, vestimenta aos que estão nus, direitos aos visitantes dos encarcerados, e dignidade aos que estão doentes, é missão de todo cristão, E DEVER aos que professam esta fé.

Como dizia São Luís Orione, "não importa qual seu nome, nem de onde veio, mas sim qual a dor que sentes".

Esses são os compromissos assumidos pelos bispos eleitos para o próximo período como colegiado da CNBB. Para o Brasil, essas escolhas foram uma benção!

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