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Inez Lemos

Psicanalista e autora de "Berro de Maria", ed. Quixote.

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A coisificação do homem

Ao debatermos atos perversos, criminosos, maldades que povoam nosso cotidiano, devemos fazer um percurso psicanalítico e histórico em torno da questão

Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução / Redes sociais)
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Ao refletirmos sobre a inelegibilidade de Bolsonaro, devemos expandir o olhar. A condição humana é efeito de uma construção, portanto, mutável. Vários fatores contribuem para a formação da subjetividade do sujeito: condições materiais de vida, experiências afetivas. Como foi acolhido ao chegar ao mundo - o primeiro ato de amor com a mãe é fundante. Toda criança precisa ser protegida, amada e inserida na cultura, no processo civilizatório. Sem isso corre o risco de tornar-se um desajustado psiquicamente. Perversão, psicopatia, entre outras patologias. Ao crescer sem noção do que seja conviver em sociedade, sem a prática de alteridade, o relacionar-se com o outro respeitando limites, a ética que a boa educação exige, provavelmente instala-se a anomia.

O pensamento reacionário, antiprogressista que se contrapõe às políticas públicas de distribuição de renda, combate a fome, desigualdade social, tem sua gênese no capitalismo. Particularmente, na desapropriação do homem de seus meios de produção. É quando, ao perder o vínculo com a sua produção, o trabalhador tem, também, perda de satisfação. Quando não descobrimos prazer no que fazemos, tampouco sentido, nos transformamos em meros executores de tarefas. 

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A tirania do Capitalismo, neoliberalismo, é alienar o indivíduo de si mesmo, extraindo sua essência - substância humana.  Dessubstancializado, coisificado, reificado, resta-lhe aderir à barbárie. Quando perdemos o sentido ontológico da vida, nos agarramos em algo externo a nós - dinheiro, poder, objetos de consumo. A vaidade gera desejo de ostentação. O poder pelo poder, abstraido de uma causa que o justifique, é mortífero - além de não produzir satisfação, produz competição. 

Bolsonaro é a personificação exata desse fenômeno, como muitos outros que almejam o poder - fantasia narcísica, fálica. 

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O filme "Sangre negro" (Netflix) retrata a alma empobrecida do empresário do petróleo. Rico, contudo, desprovido de humanidade. Ódio, ira e maldade são sentimentos que se alojaram em sua alma - o pai abandona a família por outra mulher. O ciclo de violência se repete. A criança não amada, posteriormente, abandona o próprio filho, operando sempre numa espiral de ressentimento e vingança.

Ao debatermos atos perversos, criminosos, maldades que povoam nosso cotidiano, devemos fazer um percurso psicanalítico e histórico em torno da questão. Quem produz o corrupto, o assassino? A punição aponta para a necessidade de correção. Corrigir o mal feito, implicar o sujeito em seu ato irresponsável, ilegal. "Pacto edípico, pacto social" (Hélio Pellegrino). Bolsonaro inelegível é a justiça recusando os abusos de poder, aparando as franjas do fascismo. E apontando para o quanto a ausência do afeto positivo compromete a política - a realizada por homens coisificados, petrificados. 

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