A colunista do Estadão e suas fontes-fantasma

A suposição de Eliane Cantanhêde que eleitores de Lula venham a agir contra a democracia é estapafúrdia ao extremo

www.brasil247.com - Eliane Cantanhêde
Eliane Cantanhêde (Foto: Reprodução)


Segundo fontes confiáveis de dentro das Forças Armadas, militares de alta patente temem que, uma vez eleito Lula, milhões de brasileiros de direita, violentos, preconceituosos e reacionários sairão às ruas em ação coordenada para promover um quebra-quebra generalizado, testando os alicerces da democracia.

Não, o parágrafo acima não é 100% verdadeiro. Este jornalista não tem fontes entre os militares e nem imagina o que corre à boca pequena entre eles. Já a suposição de que hordas direitistas criarão furdúncio se Lula ganhar baseia-se no comportamento histórico e em ameaças reiteradas daquela gente, e não vem de fonte nenhuma – é minha mesmo.

O exercício de mencionar fontes sem nominá-las costuma servir para conferir credibilidade a uma não-notícia, normalmente com a intenção de criar algum tumulto político.  Também serve para jornalista tentar se valorizar. É jogo sujo. O artigo de Eliane Cantanhêde no Estadão de 4 de fevereiro é modelo dessa prática.

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Fonte em off é recurso válido, mas desde que o conteúdo informativo seja relevante de fato. E que a fonte exista.

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Segundo as “fontes” da colunista, o problema, “para setores militares e bolsonaristas”, não estaria na reação reacionária a uma vitória de Lula, mas na reação da esquerda em caso de êxito eleitoral de Bolsonaro. “Segundo eles, Lula tem liderança, está ressentido depois de preso e conta com MST, sindicalistas e radicais, com capacidade para produzir tumultos de rua, quebra-quebra e ameaças à democracia em caso de derrota”, escreveu Cantanhêde.

No parágrafo seguinte, ela tenta se livrar de qualquer comprometimento com a (des)informação que oferece aos seus leitores: “Atenção: não considero esse risco, mas escrevo porque se trata de informação relevante, para ficar no radar o que setores bolsonaristas pensam e, eventualmente, podem usar para validar algum tipo de ‘reação à altura’”. 

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A colunista do velhaco jornalão lança o factoide com a ressalva de que ela própria não compartilha do que pensam suas fontes. Algo como “não sou eu quem está dizendo”.  Ora, um jornalista, quando cita uma fonte, não precisa dizer se concorda ela. Mas Cantanhêde fez questão de fazê-lo, talvez pelo teor fictício da narrativa.

A suposição de que eleitores de Lula venham a agir contra a democracia é estapafúrdia ao extremo. Ficcional mesmo.  A esquerda brasileira, desde que terminou a ditadura militar, jamais proferiu qualquer ameaça à ordem democrática. Exigiu sim, e sempre, direito a voz.

A intenção da colunista, quase transparente, mediante o recurso de citar fontes-fantasma, é estimular a crença na tese inverossímil de que Lula seria uma espécie de Bolsonaro de esquerda, e eleger um seria tão ruim quanto eleger outro. Teoria ridícula, sem amparo na história e no comportamento pessoal do petista. Todas as lutas de Lula foram pela democracia, jamais contra ela. Bolsonaro, desde o berço, é um antidemocrata.

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Eliane Cantanhêde, na ânsia de incrementar alguma candidatura “terceira-via”, “nem-nem” ou bobagem que o valha, está conseguindo provocar ataques de riso nos colegas da imprensa.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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