A contradição entre interesse da Globo no PL das Fake News e objeção à regulação das mídias

"A Globo e demais players da comunicação do Brasil estão correndo para ficar com um naco de valorização das Big Techs dos EUA", escreve Roberto Moraes

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(Foto: © Foto/East News/Pacific Stock | Reprodução)


Por Roberto Moraes 

É até engraçado ver a Globo defendendo hoje a votação do projeto de lei que regula as plataformas digitais no Brasil e, ao mesmo tempo, continuar considerando a regulação de suas mídias (rádio e TV) como censura.

Nem é necessário dizer que a holding Globo já fez as contas e viu que com o PL das Fake News, poderá lhe dar ganhos acima de R$ 230 milhões, ao obrigar num dos seus itens, a que o Google e o Facebook paguem pela produção jornalística no país, como já acontece na Austrália e agora acontecerá na Europa. Por isso, o tema virou manchete de uma semana para cá. A preocupação não é com a manipulação política. É grana.

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Uma incoerência que salta aos olhos para inocentes, mas não para quem acompanha, minimamente que seja, esse debate sobre informações falsas (fakes) e manipulações políticas. As notícias falsas e seus impulsionamentos podem surgir nas plataformas digitais, mas também nessas outras mídias corporativas que são concessões do Estado. Na verdade, todos sabemos ser da interação das diversas mídias que o processo ganha corpo.

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É surreal que se queira regulação para atender seus interesses econômicos diretos e não para controlar a atuação oligopólica executada no país pelas famílias proprietárias das grandes mídias.

É lamentável que o PL das Fake News - pela pressa de tentar evitar a Batalha Cibernética nas eleições de 2022 - não se tenha avançado para a regulação das mídias que no mundo atual atua de forma interativa e complementar.

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Toda essa exposição do PL das Fake News, agora também pelas mídias corporativas, deixa evidente que o debate sobre regulação é não só necessário, mas urgente. Para todas as mídias e não apenas para as Plataformas Digitais. Fugir dele é seguir negando a civilização e namorando a barbárie.

A comunicação de massa em todas as direções e categorias de mídia atua de forma integrada neste mundo não apenas digitalizado, mas dataficado. E neste sentido, a propriedade das empresas-plataformas (estados-plataforma) de redes e mídias é apenas a ponta do iceberg.

Não é por outro motivo que se deve observar com cuidado os acordos já firmados entre a Globo e o Google. De um lado, a Globo quer o PL das Fake News para ficar com uma parcela dos lucros da Big Tech americana, mas de outro quer exercer também a captura de dados sobre os conteúdos que circulam nas redes sociais no Brasil.

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Não duvidem que o passo seguinte depois de pegar carona no PL das Fake News para receber pelos seus conteúdos (o que é legítimo), será o de também trabalhar para limitar o espaço da mídia independente no Brasil que usa em especial o Youtube que é da gigante Google. Para isso, não precisará do Congresso, basta a programação de algoritmos da Big Tech.

As players da mídia corporativa no Brasil se reestruturam para participar de forma ainda mais subordinada e dependente da comunicação digital global das Big Techs

Este caso do PL das Fake News serve também para ampliar a observação sobre a fase que nos encontramos do “capitalismo digital-dataficado” com o seu enorme poder de extração de dados dos usuários. Realidade que significa maiores ganhos financeiros e representa também maior concentração de poder político.

O que a holding Globo já está fazendo é saltar da fase de ganhos de publicidade e financeiros na economia nacional, para uma nova etapa de ganhos percentuais daquilo que é obtido pelas gigantes empresas digitais do ocidente.

A Globo S.A. e demais players da comunicação do Brasil estão correndo para ficar com um naco de valorização e capitalizações das Big Techs dos EUA que batem seguidos recordes, em valores de mercado, que chegam a alguns trilhões de dólares para cada uma delas. Sobre o assunto vale conferir texto que escrevi há um ano sobre acordo da Globo S.A com a Big Tech Google: (8 abr. 2021: Globo & Google: de tubarão nacional a sardinha global da gigante de tecnologia: http://www.robertomoraes.com.br/2021/04/globo-google-de-tubarao-nacional.html)

Esse caso serve ainda para observar melhor a reestruturação (vide artigo sobre balanço da Globo Comunicação e Participações S.A.: Tombo da Globo segue espetacular e fecha 2021 com prejuízo de R$ 174 milhões!) desta player da comunicação corporativa do Brasil.

Ela é parte da reestruturação capitalista no setor de mídia global com enorme concentração no centro do capitalismo ocidental (nos EUA) através das Big Techs que vem acompanhada de dependência e subordinação na comunicação na periferia do Sul Global.

As Plataformas Digitais são simultaneamente “meios de comunicação” e “meios de produção”. Elas exercem o papel de intermediação sobre a informação ou sobre a produção e os serviços. E daí extrai seus lucros.

Globo S. A. e Big Techs: tudo a ver! 

A comunicação e o extrativismo digital trabalham sem limites de fronteiras como o capitalismo financeiro do qual são partes. Assim, quanto mais acessos e conteúdo, mais extração, mais ganhos, mais financeirização, mais acumulação e mais poder de comunicação e manipulação política.

É disso que se trata os interesses dos proprietários da Globo S.A. e demais donos da mídia corporativa no Brasil. Se pendurarem nas Big Techs para ampliar seus controles sobre a informação no Brasil e aumentando seus faturamentos por um percentual dos ganhos destas gigantes de tecnologia do Ocidente.

Essa é a estratégia do Partido da Mídia, sem nenhuma preocupação com os interesses da nação e sua soberania, para o qual afirmam se tratar de conversa ideológica, enquanto se movem atrás da ideologia dinheiro. Assim, seguem atuando a favor unicamente dos seus interesses, como se fossem os interesses nacionais. Desta forma, articulam e buscam ainda mais poder político nacional, num processo que se alinha à estratégia de mais submissão e dependência dos interesses das grandes corporações, do sistema financeiro e da geopolítica ocidental centrada na OTAN, no Deep State dos EUA.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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