A copa do bananão e da misoginia
Romário e André Rizek expõem misoginia, viralatismo e seletividade na cobertura da Copa do Mundo
A Copa do Mundo de futebol realizada nos EUA, México e Canadá é a maior em participações de países. Ao todo, são quarenta e oito seleções que disputam, em doze grupos de quatro, quem avançará na competição até a final, em dezenove de julho.
Fora dos gramados, o que vem chamando atenção é a disputa entre Sportv e Cazé TV, não pela parte técnica dos narradores e comentaristas, que se nivela por baixo, nem pela justa briga por audiência, mas pelo circo dos horrores protagonizado pela mistura de jornalistas, ex-jogadores e ex-técnicos na hora dos comentários.
A experiente Fernanda Gentil, após o empate entre a seleção do Ancelotti e Marrocos, perguntou ao senador Romário, que está comentando a Copa pela Cazé TV em vez de estar honrando seu mandato, se aquele empate tinha “gosto de derrota” — uma afirmação que todos faziam — e recebeu de volta um comentário misógino: “Só quem não entende de futebol pensa como você!”.
Romário, como todos lembram, tornou-se golpista quando votou a favor do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Depois, apoiou Jair Bolsonaro em 2018, negando sua raiz humilde, do Jacarezinho à Vila da Penha.
Do outro lado, André Rizek tem perdido várias oportunidades de ficar calado quando tece comentários sociopolíticos. O mais contundente foi quando comparou a atuação da FIFA no Brasil, em 2014, com a dos EUA. A Copa do Mundo no Brasil foi há doze anos, e nunca esse jornalista se manifestou contra as imposições da FIFA na sua organização.
Rizek, em um momento xenófilo, demonstrou sua admiração pelo fato de os EUA não se curvarem à FIFA. No clímax do viralatismo supremo, chegou a afirmar que o Brasil foi um “bananão” por ter cedido, como país-sede, às regras da entidade máxima do futebol. Se o Brasil não tivesse sido parceiro na organização, teriam dito que o governo era comunista e bolivariano.
Ainda não vi nenhum desses jornalistas denunciar a humilhação e o constrangimento impostos à delegação do Irã, ao árbitro da Somália e o excesso de revista nas torcidas latinas e africanas. O governo Trump está se refastelando no exercício do que faz de melhor: a xenofobia!
São sabujos que, sentados em um estúdio na Times Square, observando uma multidão de torcedores do New York Knicks, equipe que havia se sagrado campeã da NBA, ficam excitados, e o porta-voz do capachismo olha para a câmera e diz: “Gente, é uma manifestação ordeira”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

