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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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A copa do bananão e da misoginia

Há contraste entre a crítica ao Brasil em 2014 e o silêncio diante da xenofobia imposta na Copa sediada pelos EUA

Vista geral de telão durante intervalo para hidratação no Estádio de Nova York/Nova Jersey, East Rutherford, Nova Jersey, EUA 13 de junho de 2026 (Foto: REUTERS/Jeenah Moon)
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A Copa do Mundo de futebol realizada nos EUA, México e Canadá, é a maior em participações de países, ao todo são quarenta e oito seleções que disputam em doze grupos de quatro, quem avançará na competição até a final em dezenove de julho.

Fora dos gramados, o que vem chamando atenção é a disputa entre Sportv e Cazé TV, não pela parte técnica dos narradores e comentaristas, que se nivela por baixo, nem pela justa briga por audiência, mas pelo circo dos horrores protagonizado pela mistura de jornalistas, ex-jogadores e ex-técnicos na hora dos comentários.

A experiente Fernanda Gentil, após o empate entre a seleção do Ancelotti e Marrocos, perguntou ao senador Romário, que está comentando a Copa pela Cazé TV ao invés de estar honrando seu mandato, se aquele empate tinha ‘gosto de derrota’ - uma afirmação que todos faziam – e recebeu de volta um comentário misógino: “só quem não entende de futebol pensa como você”!

Romário, como todos lembram, tornou-se golpista quando votou a favor do golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff. Depois apoiou Jair Bolsonaro em 2018, negando sua raiz humilde do Jacarezinho à Vila da Penha.

Do outro lado, André Rizek tem perdido várias oportunidades de ficar calado quando tece comentários sócio-políticos. O mais contundente foi quando comparou a atuação da FIFA no Brasil em 2014 com a dos EUA. A Copa do Mundo no Brasil foi há doze anos e nunca esse jornalista se manifestou contra as imposições da FIFA na sua organização.

Rizek, em um momento xenófilo, demonstrou sua admiração pelo fato de os EUA não se curvarem à FIFA. No clímax do viralatismo supremo chegou a afirmar que o Brasil foi um ‘bananão’ por ter cedido, como país sede, às regras da entidade máxima do futebol. Se o Brasil não tivesse sido parceiro na organização, teriam dito que o governo é comunista e bolivariano.

Ainda não vi nenhum destes jornalistas denunciarem a humilhação e constrangimento impostos à delegação do Irã, ao árbitro da Somália e ao excesso de revista nas torcidas latinas e africanas. O governo Trump está se refastelando no exercício do que faz de melhor: a xenofobia!

São sabujos que, sentados em um estúdio na Times Square, observando uma multidão de torcedores do New York Knicks, que havia se sagrado campeão da NBA, ficam excitados e o porta-voz do capachismo olha para a câmera e diz: “gente, é uma manifestação ordeira”.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.