A CPI do Romário é uma fraude?

O senador faz da CPI (onde é o presidente) uma eficiente plataforma para achincalhar e agredir. É um acusador seletivo

Audiência pública para discutir com os secretários municipais e estaduais das Secretarias Municipais e Estaduais Extraordinárias da Copa de 2014, sobre o andamento das obras que envolvem a Copa do Mundo e a situação atualizada dos gastos. Dep. Romario (PS
Audiência pública para discutir com os secretários municipais e estaduais das Secretarias Municipais e Estaduais Extraordinárias da Copa de 2014, sobre o andamento das obras que envolvem a Copa do Mundo e a situação atualizada dos gastos. Dep. Romario (PS (Foto: Chiqui Avalos)

Fui ao Brasil e ao Uruguai buscando mais informações para a finalização de meu novo livro, “Leoz e a Máfia do Futebol”. Estou de partida para a Argentina onde continuarei minha busca incessante por novos dados acerca do lamaçal da FIFA, da Conmebol e das entidades que comandam (e envergonham) o velho esporte bretão aqui ao sul do planeta.

Mesmo não tendo perdido a capacidade de indignar-me, já não me surpreendo com o lamaçal onde se chafurdaram bandidos como Ricardo Teixeira, José Maria Marin, o falecido Júlio Grondona, Eugenio Figueredo e meu compatriota Nicolás Leoz. A cada novo dia um espanto, a cada reunião outra informação escabrosa, a cada pesquisa uma descoberta mais terrível que a anterior. Estou escrevendo um livro, mas tenho me sentido um médico legista trabalhando na autópsia de um cadáver putrefato. Espero, sinceramente, que quando meu livro chegue às livrarias os seus personagens já estejam na cadeia.

Sei que vou encontrar um clima passional na velha e querida Argentina. Algo dramático como um tango, ou agitado como uma milonga. Júlio Grondona não foi sepultado junto com os seus crimes. O forte futebol dos argentinos se ressente dos abusos, das negociatas, da corrupção sem par levada por décadas pelo gangsterismo da AFA. Don Corleone seria um mero ´trainee´ se tivesse convivido com Grondona e sua quadrilha.

No Uruguai, como sempre, o clima é mais ameno, mais – digamos – algo europeu e “civilizado”. Mas ninguém tem outra qualificação para Eugenio Figueiredo (o homem que vai entregar a Conmebol e Juan Angel Napout em sua delação negociada com a juíza Lynch e o FBI) senão a mais exata: ladrão. Em troca de uma possível prisão domiciliar nos Estados Unidos (lá ele possui sete imóveis de luxo, entre mansões e apartamentos!), além da devolução de milhões de dólares e euros, o gatuno estaria se dispondo a entregar de bandeja antigos colegas de delinquência. Que tal?

A grande surpresa que tive ficou por conta do Brasil e do andamento das investigações sobre a CBF e a FIFA. Lá se disputou a Copa de 2014, jogada nos estádios luxuosos e superfaturados especialmente construídos para a efeméride maior do futebol mundial. Com uma Polícia Federal moderna e atuante (que não dispensa um impressionante aparato midiático e promocional, com investigadores vestidos de Ninjas e delegados engravatados que adoram aparecer na TV em entrevistas onde se congratulam por seus feitos, acusam, julgam e execram os infelizes que lhes caem nas mãos) o Brasil é o país com menos avanços na luta pela apuração e punição dos mal feitos dentro e fora dos gramados.

Uma CPI, as barulhentas Comissões Parlamentares de Inquérito do parlamento, está promovendo um festival de “factóides” (é como os brasileiros chamam os feitos coroados pelo escândalo mas sem muita substância ou eficácia). De concreto, nada. O que se nota é um acerto de contas entre inimigos que foram aliados, um circo romano onde não há cristãos, só feras. O ex-futebolista Romário, velho amigo e aliado da máfia do futebol, agora é um metamorfoseado senador moralista, atrevido, que agride com razão ou sem nenhuma, os velhos dirigentes da CBF, a começar pelo caído Ricardo Teixeira e seu sucessor José Maria Marin, preso na Suíça e às vésperas de rumar extraditado para os Estados Unidos. E Romário agride até velhos colegas como Dunga e Gilmar, que o desafiou na TV a abrir seu sigilo bancário e não se valer de sua imunidade parlamentar. Romário respondeu com mais agressões, mas não topou o desafio.

Romário é senador eleito pelo Rio de Janeiro, com invejável votação e uma arrogância pouco vista até mesmo em políticos tradicionais. O mandato é a sua nova chuteira. E com ele o “baixinho” resolve pendências, cobra mágoas, humilha e ataca, não escondendo sua ambição de ser o futuro prefeito da Cidade Maravilhosa.

Mesmo já tendo relatado em artigo anterior, não me custa recordar: Romário tem muita sorte. Para o senado enfrentou um excelente ex-prefeito do Rio, César Maia, gestor público de prestígio entre os brasileiros. Mas os cariocas preferiram o jogador de vida pessoal nebulosa, comportamento arrogante, que divide seu tempo entre o Senado em Brasilia durante os dias úteis e o Rio, nos fins de semana, onde desfila com mulheres e amigos pouco recomendáveis. Uma delas é Thalita Zampirolli, uma estonteante loura, de curvas sinuosas e sorriso aberto, que desfila em programas de televisão e em outros tipos de eventos, também. Thalita já foi Júlio, seu nome de batismo, e é uma transexual, o que demonstra que Romário ou é um homem sem preconceitos ou um hipócrita, pois não perdoa qualquer deslize de seus desafetos e os transforma em agressões impiedosas.

Depois de atacar aliados do passado, como Ricardo Teixeira (que foi seu protetor e amigo e com quem já teria celebrado um acordo secreto) e José Maria Marin, com quem vivia aos abraços, Romário faz da CPI (onde é o presidente) uma eficiente plataforma para achincalhar e agredir. É um acusador seletivo. Poupa quem lhe convém e ataca os que poderão gerar espaços generosos na mídia. Poupa a Rede Globo de Televisão, poderosa corporação de mídia e velha sócia da CBF na má gestão do futebol brasileiro, mas pede a quebra do sigilo bancário de Marin, um morto-vivo, apodrecendo numa prisão da Suiça, sem poder defender-se.

A tal CPI, onde os colegas já o contradizem e tentam impedir sua ação deliberada de autopromoção, tem servido também de palanque para sua candidatura à prefeitura carioca. Algo, no mínimo, aético. E foi grande o espanto dos colegas senadores ao lerem matérias estampadas nos jornais de todo o país em que Romário diz que “em Brasília só há ladrão”.  Dias antes, o ex-craque articulava nos bastidores, com estes mesmos senadores, para conseguir montar e ganhar os holofotes para a sua CPI. Usou os colegas, depois os descartou como lixo. A ausência de um caráter mais sólido fez de Romário, em pouco tempo, um político como os outros. Talvez, pior.

E, hoje nos círculos da cartolagem do Brasil, pesa a grave suspeita de que tenha havido uma discreta aproximação do senador moralista com Ricardo Teixeira, bilionário e recluso, mas ainda muito ativo e influente nos bastidores do futebol, para bombardear a CBF e possibilitar uma futura administração compartilhada entre os dois. Aproveita-se a crise da FIFA e se toma de assalto (sem trocadilho...) a CBF, essa vaca leiteira cheia de tetas gordas e generosas onde a dupla passaria a mamar como no passado.

Não é segredo para ninguém que o “peixe” tem apetite de tubarão nos negócios particulares, na política e no futebol. Teria ambicionado tornar-se o cartola do futebol feminino (modalidade que cresce em todo mundo) e assumir a direção do selecionado brasileiro. Romário queria ser o califa de um harém altamente lucrativo. Há quem calcule algo como US$ 50 milhões entre verbas disponíveis e patrocínios comerciais. A CBF lhe negou o mimo. O sucessor de Marin, Del Nero, está fazendo de tudo para provar que não tem ligações com o passado. Teria até contratado agências internacionais de auditoria para mudar as velhas e desmoralizadas práticas. Se dará certo ou se as pessoas vão acreditar em suas intenções, não sei. Porém, se ele tivesse entregue o futebol de saias ao desregrado Romário, com certeza ele não estaria fazendo algo ético ou recomendável. Apenas a CBF não teria o implacável adversário se passando por vestal e moralizador. Mas, para sua desgraça, encontrou no contrariado senador um inimigo que não apresenta uma prova sequer contra os desafetos, mas se escuda na imunidade de seu mandato parlamentar para achincalhar e ofender quem bem quiser.

Nem sempre Romário foi tão ético, tão decente, tão impoluto assim como ele se esforça pra projetar. Ele foi (e continua sendo) íntimo amigo do mais sórdido de todos os cartolas do futebol brasileiro, um indivíduo chamado Eurico Miranda, espécie de proprietário do Vasco da Gama, tradicional e querido clube carioca. Eurico, que também foi deputado pela direita, é uma figura cuja presença física, o olhar ameaçador, a postura de mafioso siciliano, o hálito pesado, dispensam qualquer estudo mais apurado sobre sua vida. Ele é transparente: parece ser o que é. Trata-se de um tipo cuja distância favorece os que não convivem com ele. Romário é todo elogios e proteção para esse belzebu da bola.

A atuação midiática de Romário, voltada para os refletores e holofotes, está longe da seriedade, sem base em trabalho sério, visando exclusivamente projetar sua carreira política e alçar vôo rumo à prefeitura da segunda maior cidade do Brasil. Só isso. O ex-jogador é um político velho, tradicional, que atua com um profissionalismo imenso, mas não apresenta resultados, não mostra documentos, se move de forma adjetiva e espalhafatosa. De concreto, nada.

Cheguei à conclusão de que Romário de Souza é, na verdade, o maior empecilho para uma investigação pra valer, profícua e minuciosa, acerca da máfia do futebol. Chego a suspeitar que ele sequer tenha a nobre intenção de apurar os malfeitos, a corrupção, a situação trágica não só do futebol como de outras modalidades importantes de esportes.

Ele vem pulando como gato sobre brasa em assuntos incômodos para ele e seus aliados. Enquanto J. Háwilla, o sócio da Traffic, homem de confiança de Ricardo Teixeira (a quem ele teria entregue ao FBI num acordo de colaboração em troca de pena menor), está em sua mansão de Miami, sem poder sair de casa e com tornozeleira eletrônica monitorando seus movimentos, a Rede Globo, por exemplo, não foi incomodada por Romário. Pode-se falar em futebol no Brasil, para o bem ou para o mal, sem a participação da poderosa emissora de TV do clã Marinho? Não, é óbvio.

O que parece coragem, em Romário é pouco menos que leviandade. Foi assim, sempre, em sua vida pessoal, em sua trajetória profissional. Fui um eterno desafeto de todos os técnicos das equipes onde atuou, sempre com salários excepcionais. Não se comportava como seus colegas, fugia das concentrações ou recusava-se a elas, sempre envolvido com movimentada vida social, mulheres e festas nem sempre recomendáveis. Perdeu um apartamento nababesco no Barra Golden Green, recanto de milionários, por dívidas igualmente milionárias com o condomínio. Rico, muito rico, mas não pagava a conta que passou de US$ 1 milhão à época. Foi multado em outros R$ 5,6 milhões por gerar prejuízos aos vizinhos por obras não autorizadas e mal concluídas no mesmo apartamento. Uma Ferrari, com a qual desfilava com mulheres e amigos pelas ruas do Rio, também lhe foi tomada em pagamento de dívidas não honradas. Em suma, um caloteiro.

Quando seu apartamento foi levado à leilão, o novo proprietário, um dos homens mais ricos do Brasil, o empresário Edson Bueno, dono da gigante AMIL (da área de saúde), defrontou-se com um quadro dantesco: o apartamento era o cenário de Berlim em 45 depois dos bombardeios aliados ou, se preferirem, uma Hiroxima devastada à beira do lindo mar do Rio de Janeiro. Romário, acompanhado de outros três amigos, empunhando picaretas, despediu-se do imóvel que já não era seu. Esse é o homem.

É incrível e inconcebível que alguém com esse perfil passe a encarnar o moralista, o xerife, o denunciante das mazelas alheias. Ou pior, o encarregado de apurar os pecados do futebol brasileiro, “apenas” o melhor futebol do mundo!

Termino recordando o que já denunciei sobre algo que poderia ter desmoralizado Romário, mas ele, num drible sensacional de oportunismo e rapidez, transformou em peça publicitária a seu favor. Vou transcrever a história verdadeira de sua conta na Suíça (que ele e o banco BSI negam). Há o dedo do mais jovem e audacioso banqueiro do Brasil, André Esteves, que salvou Romário. Não se sabe se por conta própria ou sob coação. No dia em que concluo esse artigo o Ministério Público do Brasil, através do fiscal Janot, confirma a existência de contas secretas do presidente da Câmara dos Deputados, um tipo desprezível chamado Eduardo Cunha lá na mesma Suíça. Empreiteiros e ex-diretores da Petrobrás, envolvidos no mega-escândalo chamado “Lava Jato” tiveram dezenas de contas bloqueadas na Suíça. Só Romário é que não pode ter conta por aquelas paragens? Ora...

Leiam e tirem suas conclusões. Publiquei em 11 de setembro e Romário sequer se deu ao trabalho de contradizer:


“Como o Conde Drácula pode investigar o banco de sangue? "Coisas do Brasil", me responde o amigo delegado. Não é segredo para ninguém, no meio empresarial, político, financeiro e de imprensa do Cone Sul, que dezenas (talvez centenas) de jogadores de futebol esquentaram dinheiro sujo, lavaram seus ganhos em contratos obscuros, através de duas famílias de banqueiros: os Peirano, do Uruguai, e os Rohm, da Argentina. Banqueiros influentes em seus países e em todo mundo, colocaram instituições como o Banco Velox, o Banco Pan de Azucar, Banco de Santa Fé, Banco de Montevideo, Banco Comercial del Uruguay, Banco Aleman Paraguayo, dentre outros, de uma enorme teia financeira, lavando dinheiro de políticos corruptos (como Carlos Menem e outros), de dirigentes esportivos (como Nicolas Leoz, Ricardo Teixeira e outros), e de jogadores de futebol, também. Desnecessário dizer que todos esses bancos sofreram intervenções oficiais por conta das práticas criminosas que adotaram para atender essa quadrilha de clientes.

Será que o impoluto senador Romário, que quer limpar o futebol brasileiro mas não quer quebrar o sigilo fiscal e bancário da poderosa Rede Globo de Televisão, se recorda especialmente do Banco Aleman Paraguayo? E dos senhores Castillo, Sorrentino e Peterlik? E da presteza com que eles e os executivos do Banco Comercial, em Montevideo, tramitaram fortunas em contas abertas por gente que hoje urra pela moralidade? Duvido. E do Trade Comercial Bank, da família Peirano, em Cayman Island? Era lá que se "consolidava" (essa a palavra mágica!) todas as operações de lavagem de políticos, artistas, narcotraficantes, empresários e... jogadores de futebol! Jogadores brasileiros são quatro. Adivinha quem é um deles? Garanto que não é o inesquecível ídolo de minha juventude, o Garrincha, que morreu pobre.

Romário, e eu sempre admirei o seu futebol, é um hipócrita. Mas, certamente, é homem de absoluta sorte. Um extrato de conta a ele atribuída num banco controverso da Suiça italiana, o BSI, caiu nas mãos da revista Veja, outrora muito respeitada e hoje envolvida na luta política no Brasil. Romário seria dono de uns tantos milhões. Nada que não possa ser verdade para quem faturou fortunas em clubes do Brasil, Europa e Oriente Médio. Porém o senador voou imediatamente para a Suiça e voltou ao Brasil com uma foto irreverente, com os braços abertos diante de um lago, negando a tal conta e amparado por uma nota oficial do BSI.

A esquerda brasileira, no afã de golpear a revista da família Civita (aliás, parceira da ditadura militar argentina num episódio horrível, a tomada de uma fábrica de papel de imprensa da família do falecido empresário judeu-argentino David Graiver, o "banqueiro dos Montoneros"), fortalece a posição de Romário promovendo um festival nas redes sociais com a tal nota do BSI. E os inimigos da CBF e da máfia do futebol, o apoiam como se ele fosse um angelical mensageiro do Senhor na luta contra as ratazanas do esporte bretão. Que impressionante!

A Veja não soube se defender, não questionou a postura do banco nem pediu uma investigação rigorosa. Pode não ter checado antes, mas falhou no depois, também. E no delicado momento em que a grande revista vive, tropeçou em uma simples falha de apuração desconhecendo as imensas possibilidades de que tenha havido um acerto entre as partes, o banco que administra dinheiro sujo e o depositante que jura até a morte que o seu dinheiro não é seu.

No momento de burrice coletiva vivida por quase todos os setores da vida brasileira, alguns detalhes foram solenemente omitidos. Talvez, sequer notados. Na nota oficial do BSI (http://www.romario.org/news/all/nota-de-banco-suico-confirma-que-extrato-da-veja-e-falso/) há uma sutileza: se diz que "aquele" extrato é falso e que "aquela" conta não tem o senador como titular. O banco não foi peremptório, apesar de ensaiar um teatro e enviar à justiça a informação de que o extrato publicado por Veja seria falso. E ainda há um fato curioso, no mínimo curioso: pela primeira vez na história uma instituição financeira suíça deixou o mutismo que faz parte da mítica dos banqueiros locais para defender um suposto não-cliente e negar um documento sem que a justiça tenha lhe requerido isso. Estranho, não?

Começa aí um enredo interessante: bancos suíços não enviam extratos de contas (muito menos as milionárias!) pelos correios ou sequer os imprimem. E o passado do BSI comporta muita desconfiança.

O BSI nasceu em 1873 e tem sua sede no Palazzo dei Marchesi Riva, em Lugano, na flexível Suiça italiana, menos rigorosa nos procedimentos morais e bancários que a exigente Suiça alemã (Zurich) e a amedrontada Suiça francesa (Genebra). Quem quer malandragem vai pra Lugano. Foi lá, por exemplo, que 9 em cada 10 hierarcas do regime de Strossner depositaram o fruto de 34 anos de ditadura absolutista e corrupta. E jamais, mesmo presos alguns e execrados todos, esses correntistas foram traídos pelo discreto e secular BSI.

Desde julho de 2014, o BSI é de propriedade do magnata brasileiro André Esteves. O dono do banco BTG Pactual pagou pelo BSI impressionantes US$ 1 bilhão e 400 milhões. A conta do senador moralista seria, portanto, anterior à aquisição de Esteves no cantão menos exigente da confederação helvética. Estranha e feliz coincidência para o peixe...

Esteves é o receptador (essa é a palavra correta) de campos de petróleo (e petróleo da melhor qualidade) na riquíssima e convulsionada Nigéria. Foram-lhe repassados em negociação nebulosa pela Petrobrás, antes da explosão que hoje expõe suas vísceras e a corrupção endêmica que comprometeu a saúde da gigantesca empresa. Os policiais, promotores e o juiz da Operação Lava Jato se esqueceram ou ainda não chegaram ao banqueiro-petroleiro. E não seria com um senador escandaloso, atrevido e com escassos inibidores comportamentais, como é Romário de Souza, que o exitoso André Esteves iria se confrontar. É melhor ser gentil do que comprar uma briga com um político midiático. Fui claro?

Prá que discutir com um senador que quebra um imóvel que era seu e foi tomado pela justiça e vendido para um grande empresário? E se confrontar com o impávido namorado da bela (pra quem gosta, esclareço) transexual Talita Zampirolli, uma loura estonteante fotografada de mãos dadas em lânguida troca de afagos com o guardião da moral do futebol brasileiro? Pelear-se com um homem que tem coleção de Mercedes-Benz e 250 pares de sapatos, segundo Eduardo Galeano na página 189 do seu celebrado livro "Futebol ao Sol e a Sombra"? Confrontar com o homem que teria querido ser o "cartola" do futebol feminino e suas dezenas de milhões de dólares e, diante da recusa da CBF, tornou-se inimigo implacável da mesma CBF que ele cortejava? Não, mil vezes não”.

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