A crise do capitalismo e o legado de Marx e Engels

A única cura possível para a doença que se impõe sobre o trabalhador é a luta de classes, é o confronto direto de consciências, é a disputa por uma nova ordem, é a destruição das estruturas burguesas que dão sustentação ao modelo capitalista de dominação

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O capitalismo parasita o trabalhador e não deixa aparecer a autoria da riqueza.

Para dissabor do Estado Neoliberal, um upgrade do Estado Burguês, é impossível assistir aos desastres das políticas econômicas e sociais, assim como aos reveses dos movimentos geopolíticos sem retomar o legado de Marx e Engels, para quem pretende uma solução à miséria e à exclusão de bilhões e bilhões de pessoas no mundo.

A ousadia do pensamento desses teóricos teve a capacidade de transformar a percepção sobre a sociedade em muitos aspectos, até transformar-se em uma proposta revolucionária do capitalismo para o socialismo.

Embora não fossem proletários, escolheram esta classe, tornaram-se militantes e dirigentes internacionalistas do movimento operário que nascia, em meados do século XIX. É possível que isso justifique todos os empenhos na desconstrução de Marx e do marxismo como constelação de ideias que organizam intelectualmente o proletariado. Afinal de contas, a derrocada última do capitalismo seria ver os trabalhadores organizados.

Um desafio para quem pretende a transformação revolucionária do mundo é a conversão da teoria em prática, como força material chegando às massas. Essa é a importância daqueles que conseguem traduzir a realidade e propor formas de mudança, o que torna Marx e Engels raros, pela consistência teórica e pela ousadia de apresentar uma proposta de revolução. Entre teoria e prática, é preciso compreender a razão que move o mundo.

A burguesia original criticava o Estado e a justiça, uma vez que na monarquia o rei era soberano e exercia seu poder com base no arbítrio, orientado pela própria vontade e pela legitimidade atribuída por Deus, ou pela Igreja Católica. Quando a burguesia disputa o Estado, defende a burocracia, à Weber, a razão e a justiça. Suas regras e aspirações são da ordem do individualismo, que garante a propriedade privada, a liberdade de contrato, a autonomia da vontade e a igualdade, somente perante a lei.

Para o povo muda apenas a aparência da justiça, mas a justiça permanece injusta e desigual.

Quando a burguesia assume o Estado, após a Revolução Francesa, deixa de lado suas interpretações sobre a razão e o Estado e admite o Estado como a razão. A desculpa era de que a razão individual seria transplantada para o Estado. Surge uma das importantes características da burguesia de conversão das condições a narrativas que lhes favoreça.

Dito isso, para Marx, a primeira parte da revolução proletária é a tomada de consciência de que vivemos numa sociedade dividida em classes. O problema do mundo é o capitalismo que divide a sociedade dessa forma. Uma segunda parte é a percepção de que devemos lutar contra a estrutura que garante a dominação burguesa, o Estado é parte dessa estrutura. O que explica porque as coisas não mudam significativamente mesmo quando um representante dos trabalhadores assume o governo. O Estado é parte dos recursos do poder burguês que subjuga e explora a mão-de-obra trabalhadora.

Então, o problema não é o partido, o legislativo, o judiciário, o executivo, ou mesmo o Estado. O problema não é a eleição ou a democracia. O problema não é a economia, não é a bolsa ou  o valor do dólar. Esses problemas não alcançam o problema fundamental. 

O problema é que a sociedade está dividida em classes sociais.

Há muita revolta sobre essa afirmação de que a sociedade é composta por classes e que os indivíduos devem se identificar com clareza dentro dessa perspectiva. Pelo mesmo motivo, existe uma profunda fúria contra a constatação de que a sociedade está cindida em classes com interesses próprios. 

Para os beneficiados por uma divisão social alienante, capitalista, a única resposta possível é a de que cada um é um, de que há uma originalidade em cada ser, onde vai se tentando apagar o social, motivo porque chegamos a uma sociedade que centraliza o consumo, na qual o trabalhador não se compreende como trabalhador.

Para Marx e Engels, o indivíduo é social, formado pela classe.

A realidade do mundo é a realidade das classes.

Esse é o princípio de toda a compreensão, inclusive, quando compreendemos isso, compreendemos todos os movimentos da política. Percebemos que a política guarda uma coerência ao relacionarmos sua dinâmica com os interesses que movem as classes. A política expressa os interesses de sectários que movem o capitalismo.

Cientes dessa realidade, os trabalhadores devem compreender o que os subjuga, se as armas, se o capital ou se o estado de alienação da relação com o trabalho, e hoje, no Brasil, se a relação com os dogmas religiosos. 

“A religião é o ópio do povo”, segundo Marx e “a miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real”. “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma”. 

Totalmente atual, é possível identificar o lugar da religião e o próprio incentivo do capitalismo às religiões. É preciso existir medicamentos paliativos, que preservem a vida e a alma em condições de serem produtivas, de terem a durabilidade desejada pelo explorador.

A única cura possível para a doença que se impõe sobre o trabalhador é a luta de classes, é o confronto direto de consciências, é a disputa por uma nova ordem, é a destruição das estruturas burguesas que dão sustentação ao modelo capitalista de dominação. 

Por isso, podemos falar, escrever e refletir sobre o desenvolvimento, sobre o funcionamento das instituições, sobre geração de riquezas, sobre acumulação e distribuição de renda, sobre mercado financeiro, sobre bolsas auxílio e todos os recursos do capital para acalmar a massa proletária, mas sem discutir uma nova organização social, com novos valores de sociedade, sem permitir a retomada da importância da realização de cada indivíduo na sua participação dentro do coletivo, estaremos apenas construindo paliativos que possibilitam a tolerância à violência de ser apenas a força que impulsiona a riqueza para uma minoria, em detrimento de uma totalidade.

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