A cronologia do desemprego

Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita e o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica. O total de desempregados, em dezembro, era de 1,051 milhão de pessoas

A falta de dignidade do desemprego
A falta de dignidade do desemprego

Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita e o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica. O total de desempregados, em dezembro, era de 1,051 milhão de pessoas.

Em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha é eleito presidente da Câmara e inicia seu projeto de sabotador da República, mas o ódio de Cunha começou em 2011, no primeiro ano de governo Dilma, quando perdeu quase todos os cargos que controlava no governo Lula.

De acordo com documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Catilinárias, Cunha mantinha uma tabela com os cargos que ele e o então PMDB gerenciavam.

“ (...) na tabela referente ao governo de Dilma Rousseff (Gov Dilma), a maioria das referências a órgãos estatais é precedida por “s/”, o que pode significar que, no governo da petista, o grupo político de Cunha ficou sem as nomeações que mantinha na gestão Lula: “s/ Embratur”, “s/ Conab”, “s/ Dataprev”, “s/Correios/Anatel”, “s/nacionais Correios”, “s/Petrobras”, “s/Furnas”, “s/ Infraero”, “s/Funasa”, “s/ Sec. Saúde Básica”, “s/ Sec TI”.

Na coluna que se refere a Dilma, as duas vice-presidências do Banco do Brasil listadas no governo Lula são vinculadas à palavra “nada”.

As únicas rubricas não precedidas por “s/” nas anotações referentes à ex-presidente são o Dnocs e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).” (CAMPOS, 2017).

A sabotagem

No início de 2014, como escreveram Cláudio Sequeira e Isabelle Torres, Cunha já cumpria “uma rotina parlamentar dedicada unicamente a esgarçar a aliança com o PT, engessar o governo de Dilma Rousseff e, quem sabe, inviabilizar sua reeleição.” (SEQUEIRA & TORRES, 2014).

Em 2015, Cunha, já como presidente da Câmara, inviabiliza não só o segundo governo Dilma, mas a economia brasileira com as tais pautas-bomba. O jornal Estadão estimou, em setembro de 2015, um rombo de 284 bilhões no orçamento. De acordo com a matéria: “Não há cálculo de impacto para todos os projetos, mas para aqueles em que há, a estimativa de “gastos extras” é gigantesca: R$ 283,8 bilhões entre aumento de despesa e perda de receitas.” (VILLAVERDE, 2015).

O resultado imediato das pautas-bomba foi o aumento do desemprego. Ainda em 2015, o desemprego aumentou 38%, atingindo um total de 8,6 milhões de brasileiros.

Lava Jato

A lava-jato também contribuiu para a derrocada da economia. Segundo matéria de agosto de 2015 do G1:  “Os impactos diretos e indiretos da Operação Lava Jato na economia podem tirar R$ 142,6 bilhões da economia brasileira em 2015, o equivalente a uma retração de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto).” (ALVARENGA, 2015).

O economista e advogado Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp, afirmou, em 2017 durante entrevista ao Brasil de Fato, que as operações lava-jato e Carne Fraca aumentaram de 5 a 7 milhões o número de desempregados no Brasil, além de terem contribuído para o processo de desindustrialização nacional.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a lava-jato contribuiu para o crescimento do desemprego e da informalidade. Segundo o diretor de estudos e políticas sociais da instituição, André Calixtre, desde meados de 2014 que os postos de trabalho sem carteira assinada têm aumentado.

Desalento

Hoje, o Brasil bate recordes lastimáveis, como o aumento do número de empregadas domésticas, de catadores de materiais recicláveis, de desalentados e de subutilizados.

Desde 2014 o número de empregadas domésticas vem crescendo. Segundo o IBGE, 2018 bateu o recorde de 6,25 milhões, o maior deste 2012. Porém, desse total, apenas 1,82 milhão possuem a carteira de trabalho assinada.

“Além do aumento da informalidade, os pagamentos recebidos também foram piorando para os empregados domésticos ao longo de 2018. No último trimestre do ano, esses profissionais ganharam, em média, R$ 879 por mês, 0,9% menos que nos mesmos meses em 2017 (R$ 887), já considerada a inflação do período. " (ELIAS, 2019).

Já o “número de catadores informais de material reciclável cresceu 48% no Brasil entre dezembro de 2014 e igual mês de 2018. Somente no ano passado, houve alta de 21% na quantidade de pessoas que recorrem ao lixo como fonte de renda, em mais uma evidência de que a tímida melhora recente da ocupação está se dando em vagas de baixa qualidade e remuneração.

Os catadores informais tinham renda mensal de R$ 690 em 2018, cerca de 30% da renda média nacional (R$ 2.243). A maioria (67%) é negra, 72% são homens e 74% têm apenas o ensino fundamental incompleto ou nenhuma instrução.” (CARRANÇA, 2019).

O número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, é de 4,9 milhões, um recorde segundo o IBGE. Os subutilizados, que trabalham menos de 40 horas semanais mas que gostariam de trabalhar mais, também alcançaram um nível recorde de 6,996 milhões de pessoas.

Referências:

ALVARENGA, Darlan. Impacto da Lava Jato no PIB pode passar de R$ 140 bilhões, diz estudo. Disponível em:< http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/08/impacto-da-lava-jato-no-pib-pode-passar-de-r-140-bilhoes-diz-estudo.html>. Acesso em: 15 set.


CARRANÇA, Thais. Crise multiplica catadores, mas reduz o lixo. Disponível em:<https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/05/10/crise-multiplica-catadores-mas-reduz-o-lixo.ghtml>. Acesso em: 15 set. 2019.


CAMPOS, João Pedroso de.  Cunha mantinha mapa de cargos do PMDB nos governos Lula e Dilma. Disponível em:< https://veja.abril.com.br/politica/cunha-mantinha-mapa-de-cargos-do-pmdb-nos-governos-lula-e-dilma/>. Acesso em: 15 set. 2019.


ELIAS, Juliana. Número de domésticas bate recorde, mas é o menor com carteira desde 2012. Disponível em:< https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/08/empregada-domestica-recorde-sem-carteira-assinada.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.


SEQUEIRA, Claudio Dantas, & Izabelle  TORRES. House of Cunha. Disponível em:< https://istoe.com.br/352400_HOUSE+OF+CUNHA/>. Acesso em: 15 set. 2019.


VILLAVERDE, João. Impacto da pauta-bomba é estimado em 284 bi. Disponível em:<https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,impacto-da-pauta-bomba-e-estimado-em-r-284-bi,1761539>. Acesso em: 15 set.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247