A Cúpula do BRICS e sua importância para o mundo

Não é segredo que os países árabes que pretendem aderir ao grupo BRICS encontram nesse grupo uma proteção adequada para seus sistemas políticos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul (Foto: Ricardo Stuckert )


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Reunidos no momento atual em Joanesburgo, "BRICS", deriva das iniciais de cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Este pequeno clube foi formado em 2006 à margem de uma reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas por países localizados em três continentes, que possuem grandes diferenças históricas, geográficas e políticas, e representam mais de um terço da população mundial. A África do Sul ingressou em sua terceira cúpula em 2011.

Quando foi criado, este clube combinou a gigantesca economia da China com a expansão geográfica da Rússia, ambas potências militares nucleares e com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. A eles se juntou a Índia, cuja população foi recentemente relatada como ultrapassando a da China. Além disso, a Índia é a quinta maior economia do mundo. O Brasil ocupa a 12ª posição entre as maiores economias do mundo e é o maior país da América do Sul, abrangendo cerca de metade da população e área territorial do continente. Embora a África do Sul não tenha a maior economia da África, é a mais industrializada e diversificada. Além disso, desfruta de um grande legado político como país democrático que emergiu após uma crise interna e luta global contra o antigo regime do apartheid.

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Com a constituição deste conjunto de países, considerados a economia que mais cresce no mundo, se tornam um dos blocos econômicos mais importantes do mundo. Dado o desempenho dos seus indicadores durante a conjuntura econômica global da crise de 2008, os pesquisadores esperam que os países deste grupo dominassem a economia global até 2050.

O discurso político predominante nas cúpulas anteriores do grupo centrou-se no "fortalecimento da paz e segurança globais", na "quebra da hegemonia do Ocidente" e na criação de um "sistema multipolar". No entanto, essas propostas foram abaladas após a invasão da Rússia à Ucrânia.

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A Rússia e a China têm atuado ativamente na transformação deste clube estreito em um novo bloco geopolítico e econômico. A Rússia busca agora apoio de parceiros devido às sanções econômicas ocidentais, enquanto a China está expandindo seu poder militar e político e planejando a hegemonia sobre Taiwan.

A Rússia apoiou a candidatura de países afiliados a ela, como Bielorrússia, Irã e Venezuela. Já o Brasil, segundo seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apelou para que o grupo se concentre na unidade em vez de tentar confrontar os Estados Unidos e outros grandes blocos industriais. A Índia olha com preocupação para o projeto de expansão, considerando-o uma forma de aumentar a influência da China.

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Espera-se que os atuais BRICS decidam os critérios para a expansão do grupo e a entrada de novos membros, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Egito, que participarão da cúpula de 2024 na Rússia. Esses países têm suas razões políticas e econômicas para se juntar ao grupo e se beneficiar das polarizações políticas que estão ocorrendo no mundo, proporcionando benefícios econômicos no mercado de petróleo entre os principais exportadores árabes e os principais consumidores na China e na Índia.

Não é segredo que os países árabes os quais pretendem aderir ao grupo BRICS encontram nesse grupo, apesar das diferenças internas, uma proteção adequada para seus sistemas políticos economicamente ligados ao mundo ocidental. Além disso, eles terão mais espaço para investimentos multifacetados, aproveitando as contradições emergentes entre dois mundos.

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