A delação premiada de FHC

O Brasil esperará que a delação premiada de FHC saia de seu livro de memórias e entre de fato, oficialmente, nos anais da Operação Lava Jato, para que pessoas inocentes não paguem por crimes que não cometeram e que poderiam ter sidos evitados

SÃO PAULO, SP - 20.05.2013: FHC/PALESTRA/EXECUTIVOS/SP - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá palestra para executivos da Thomson Reuters no hotel Unique, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira. (F
SÃO PAULO, SP - 20.05.2013: FHC/PALESTRA/EXECUTIVOS/SP - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá palestra para executivos da Thomson Reuters no hotel Unique, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira. (F (Foto: Ricardo Fonseca)
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Não, não foi o encontro dos Pergaminhos do Mar Morto em 1947 que nos trouxe à mais antiga Bíblia conhecida e nem os manuscritos de Nag Hammadi, em 1948, que revelou ao mundo a existência de evangélicos apócrifos, a notícia mais importante da existência humana no Planeta Terra.  Nem a revelação do Terceiro Segredo de Fátima faria tanto barulho no Brasil como a que o “Santo” Fernando Henrique Cardoso, vulgo FHC, beatificado pela mídia brasileira, fez em seu recente livro “ Diários da Presidência – Volume 1”, e que foi pouco alardeado pela igreja da imprensa brasileira.

“Por 2 mil anos, acreditamos que as únicas fontes sobre a vida de Jesus eram os 4 evangelhos canônicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas nos últimos 50 anos, vimos que eles são apenas um pequeno exemplo entre vários textos que foram escritos nos primeiros séculos após a crucificação”, diz Elaine Pagels, professora de religião na Universidade de Princeton, contida na edição 226, de maio de 2006, da revista Superinteressante.

Assim também acreditamos que as únicas informações importantes sobre o escândalo da Petrobras, vulgarmente chamado de “Petrolão”, foram as delatadas em ordem por: Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Augusto Mendonça e Julio Camargo Neto, Pedro Barusco e Milton Pascowitch. Como mostra o infográfico do site G1. Reveja aqui.

Ledo engano, o “Petrolão” começou realmente há exatos dezoito anos, antes do início da famosa Operação Lava Jato, quando o juiz Sérgio Moro tinha acabado de se tornar juiz federal, aos 24 anos de idade. Ou seja, segundo o relato, narrado pelo jornal  O Globo, a informação foi repassada a FHC por Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no dia 16 de outubro de 1996. “Eu queria ouvi-lo sobre a Petrobras. Ele me disse que a Petrobras é um escândalo”, afirma o ex-presidente no livro, feito com base em gravações feitas pelo tucano à época.

No texto, FHC sugere que Orlando Galvão Filho, que foi presidente da BR Distribuidora e diretor-financeiro da Petrobras, era quem “manobrava” o esquema. “Acho que é preciso intervir na Petrobras. O problema é que eu não quero mexer antes da aprovação da lei de regulamentação do petróleo pelo Congresso, e também tenho que ter pessoas competentes para botar lá”, afirmou, segundo matéria veiculada no site da revista EXAME em 20/10/2015 às 18:40. Reveja aqui.

O Coroinha Pedro Barusco, em seu depoimento à Polícia Federal, disse com todas as letras que começou a receber propina em 1997 ou 1998, quando ocupava o cargo de gerente de tecnologia de instalações na diretoria de Exploração e Produção na Petrobras. Porém, o pagamento teria sido sistemático entre 2000 e 2003. Durante este período, a propina era paga mensalmente e os valores variavam de US$ 25 mil a US$ 50 mil por mês. No total, ele calcula ter recebido cerca de 22 milhões de dólares em pagamentos de propina da empresa holandesa SBM, diz a mesma matéria da  EXAME.

Duas perguntas importantes devem ser respondidas por seus atores:

1 - Depois de avisado por Steinbruch, por que FHC não tomou as devidas providências que qualquer gestor sério e honesto tomaria ao saber dos indícios de corrupção em seu governo?

2 - Por que Steinbruch, de posse dessas informações privilegiadas, não denunciou o esquema para a Polícia Federal, Congresso Nacional ou imprensa brasileira, já que FHC nada fez?

Por que a imprensa brasileira ridiculamente minimizou essa declaração tão importante de FHC, contida no livro a ser lançado no próximo dia 29/10/2015 e, por muito menos, publicou em capas de jornais e revistas que Lula e Dilma sabiam?

Tão importante quanto as últimas informações que foram divulgadas pelos manuscritos de 1,7 mil anos, escrito em Copta (idioma usado na redação de manuscritos no Egito antigo), encontrados em suas cavernas e divulgados como pertencentes ao Evangelho de Judas, que dizem que ele não traiu Jesus. As informações descritas na primeira edição dos livros de memórias de FHC, que retratam o início da corrupção na Petrobras, descortinam de fato um mistério há muito tempo desvendado por Barusco em seu depoimento na Lava Jato, e que foi desprezado pelo senhor Sérgio Moro e pela mídia brasileira.

Diante desses fatos, o juiz Sérgio Moro tem por obrigação convocar Fernando Henrique Cardoso, Benjamin Steinbruch e toda a diretoria da Petrobras naquela época  para, juntamente com Pedro Barusco, concluir o verdadeiro início da operação Lava Jato.

Tão grave quanto a informação de que Judas não traiu Jesus é a de que FHC traiu. E não só a ele, mas aos milhões de brasileiros que o elegeram presidente da República. Para a mídia golpista, agora não será tão santo assim. Se ele tivesse intervindo à Época, Veja, nada disso teria acontecido. IstoÉ, não haveria escândalo de corrupção, nesse pedaço do Globo chamado Brasil.

Viva o Santo FHC das confissões tardias, que não quis nomear o probo Eduardo Cunha como diretor comercial da Petrobras em seu governo. Ou seja, não sendo o dono da caneta, Cunha, que já embolsou vários milhões descobertos na Suíça esse mês, em nome de seu Deus, imagine se o fosse?

O Brasil esperará que a delação premiada de FHC saia de seu livro de memórias e entre de fato, oficialmente, nos anais da Operação Lava Jato, para que pessoas inocentes não paguem por crimes que não cometeram e que poderiam ter sidos evitados.

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