A desgraça de muitos é a sorte de alguns

Parece que a (má) consciência da interinidade e ilegalidade estimula o arbítrio e a violência com que vem sendo feito o trabalho de desmonte de todas as conquistas do povo brasileiro nesses últimos 15 anos

No compasso de espera do julgamento pela Senado Federal do afastamento (ilegal) da presidente Dilma Rousseff, vai se processando o trabalho de desmonte das políticas públicas redistributivas no Brasil. A voracidade e a cupidez da turma que comprou pastas ministeriais pelo seu voto contra a presidente não têm paralelos na história da administração pública em nosso país. Parece que a (má) consciência da interinidade e ilegalidade estimula o arbítrio e a violência com que vem sendo feito o trabalho de desmonte de todas as conquistas do povo brasileiro nesses últimos 15 anos.

Como a direita fisiológica e privatizante não conseguiu chegar ao poder pelo voto, o atalho ilegal, inconstitucional, suspeitoso tornou-se o caminho mais fácil para a execução de uma agenda não publicizada anteriormente, que pode ser definida como o "desmanche" do sentido de toda atuação do Estado brasileiro em prol dos mais humildes e necessitados. O chefe interino, que recebe às ordens do bandido afastado da Presidência da Câmara, vai se caracterizando como um governo de sobressaltos, do vai-e-vem, da dança de rato, ora para frente, ora para trás, ao sabor das pressões dos diversos grupos que apoiaram a manobra temerista.

A fisionomia dos golpistas vai surgindo no horizonte para não deixar ninguém se enganar com a concepção da obra: o interino da Saúde, depois de decretar a falência do SUS, fala em criar planos de saúde pagos para o povo, com todas as limitações que cercam esse tipo de produto, para alegria das empresas particulares de saúde. O avicultor da educação reforça o financiamento público às instituições privadas de ensino, através do Fies, enquanto deixa ao deus dará as instituições publicas de ensino (congelando concursos, mudando as regras da aposentadoria e congelando salários).

O menudo das cidades trabalha para a paralisação dos metrôs e para cortar o financiamento das habitações populares. O transformista da defesa abre o seu ministério para a contratação de parentes. E o pelego da força sindical conseguiu emplacar o filho no Instituto da Reforma agrária. Pelo visto, os "impeachmistas" se locupletaram com o golpe parlamentar. Deram-se bem. Até quando?

Em Pernambuco, as coisas se passam como no país de Alice: tudo está bom, tudo está bem. A Polícia Civil dá provas de sua incontestada capacidade pericial de não periciar, a mando de seu superiores. O Ministério Público dá sinal de vida, denunciando um potencial candidato às eleições municipais, adversário natural do prefeito da atuação oligarquia política. E o governador é apresentado, pelo obeso e afônico secretário de saúde, como o estadista do ano, ao ter indicado um modelo de protocolo no diagnóstico e tratamento da microcefalia!

É o caso de se perguntar se Deus enviou o mosquito da doença apenas para o governador se destacar como o mais perfeito paladino da saúde pública no Brasil. Na verdade, tudo isso é um escárnio diante das inúmeras dificuldades da população nas UPAS, nos postos de saúde, nos hospitais estaduais, nas UTIs,

Só governantes e gestores que transformam a miséria humana em matéria de propaganda enganosa (e cara), podem ser transformados em "heróis" às custas do sofrimento alheio. E a Arena Pernambuco, qual é o protocolo de eficiência, funcionalidade e economia para esse monumento ao desperdício de dinheiro público? E o caixa dois que irrigou montanhas de dinheiro público para as campanhas eleitorais do PSB em Pernambuco? Qual é o protocolo? O modelo de moralidade pública que pode justificar o domínio dessa oligarquia política que tanto nos infelicita em nossa região?

Quem nos salvará, não do mosquito ou da microcefalia, mas da incúria governamental, da incapacidade administrativa, da demagogia vazia e cara dos filmetes exibidos nos meios de comunicação, a peso de ouro? - Precisamos urgentemente de um protocolo de cidadania, de republicanismo, de respeito ao erário público. A nossa miséria e o nosso sofrimento não podem continuar alimentando a doença moral, política, administrativa em que se tornou o Estado brasileiro.

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