A desistência de Freixo é um respiro para a esquerda no Rio

A atitude de Marcelo Freixo embaralha o xadrez político tanto no PSOL quanto no PT carioca

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A última sexta-feira (15/05) pode ter deixado muitos eleitores e simpatizantes do PSOL carioca tristes e um pouco mais desiludidos com o futuro político da cidade. Marcelo Freixo, que talvez seja atualmente a figura mais representativa do que restou do campo progressista no Rio de Janeiro, anunciou sua desistência da candidatura ao cargo de prefeito dos cariocas. O deputado federal, que já concorreu e perdeu duas vezes a corrida ao Palácio da Cidade – em 2012, para Eduardo Paes e em 2016, para Marcelo Crivella –, disse em entrevista ao jornal O Globo que sua desistência representa um gesto de reorganização da construção da esquerda.

O fato é que a decisão de Freixo não surpreendeu os agentes políticos que compõem a esquerda, incluindo aí os representantes do Partido dos Trabalhadores, que possivelmente indicaria o candidato a vice-prefeito na chapa com o PSOL. Seja por cansaço e resistência, seja por uma atitude de grandeza em prol da real construção de uma frente progressista com chances de vitória, a atitude de Marcelo Freixo embaralha o xadrez político tanto no PSOL quanto no PT carioca. Embora os nomes cogitados até aqui sejam o do deputado David Miranda e do vereador Renato Cinco, ambos os nomes padecem de pouca popularidade ou de pouco apelo nas camadas mais populares do eleitorado.

Um possível nome para fazer frente à necessidade de falar com as bases, chegar entre os evangélicos e sair da bolha da Praça São Salvador é o do jovem niteroiense pastor Henrique Vieira. Aos 33 anos, poeta e professor, o pastor batista se apresenta como negro e milita por um evangelho menos fundamentalista e mais próximo das pessoas mais pobres. Seu nome parece ter o potencial de redirecionar o debate político na cidade, pautado atualmente pelo ódio. Em entrevista ao site HuffPost Brasil, em dezembro do ano passado, Vieira disse que “o amor tem uma vocação pública. O amor tem uma vocação comunitária porque ele me vincula ao outro que sequer eu sei o nome. Mas basta saber que existe para que com ele eu me importe”.

Por outro lado, a saída de Freixo da disputa também reorganiza a indicação petista para a vaga de vice. O nome dado até então como certo era o da deputada federal Benedita da Silva. A seu favor, uma vida pública longa e ilibada, sem qualquer menção de seu nome na Operação Lava Jato e a expressa vontade do ex-presidente Lula pela sua indicação. Para os amigos, porém, Benedita diz não ser esta a sua vontade. Além disso, com uma possível indicação do pastor Henrique Vieira, Benedita talvez represente uma redundância na chapa, no que se refere às questões da negritude e do protestantismo.

Sem Benedita, porém, é fato que o Partido dos Trabalhadores tem poucas opções de indicação. Com dificuldades de renovação política e após a malfadada candidatura de Márcia Tiburi para governadora do estado, o PT pensa cuidadosamente em nomes que possam se construir e se gabaritar para eleições futuras. Considerando a importância da representatividade feminina nos espaços de poder neste momento, dois nomes despontam como possibilidades: o da vereadora Luciana Novaes e o da professora e influencer Elika Takimoto.

Luciana Novaes é vereadora de primeiro mandato. Com um importante trabalho na Câmara voltado para o reconhecimento de direitos das pessoas com deficiência, foi vítima da violência urbana da cidade, numa trágica história que comoveu o Brasil. Foi atingida por uma bala perdida dentro de uma universidade particular carioca em 2003, que a deixou tetraplégica. Já a professora e escritora Elika Takimoto, de 47 anos, é uma aposta do PT carioca e também do presidente Lula. Influenciadora digital, Elika tem facilidade em falar para diferentes tribos e domina o modo de falar para seus seguidores na internet.

Um importante passo foi dado por Marcelo Freixo esta semana. Mostrando grandeza e espírito público, Freixo permite agora que a esquerda carioca possa respirar novos ares. Claro, são muitas as suposições aqui, embora os campos de possibilidade para uma alternativa viável ao campo progressista no Rio não sejam tão vastos assim. Uma chapa jovem e atenta ao universo digital, como seria com o Pastor Henrique e a professora Elika, por exemplo, seria um importante passo em direção ao novo, um novo possível e atento aos nossos tempos.

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