A Dilma presidente de coração valente não deve ceder ao lobby do mundo das finanças

Se ela atende somente os ditames das bolsas de valores e cede à pressão do lobby da economia financeira, será a política proposta por Aécio que vai sair vitoriosa

Se ela atende somente os ditames das bolsas de valores e cede à pressão do lobby da economia financeira, será a política proposta por Aécio que vai sair vitoriosa
Se ela atende somente os ditames das bolsas de valores e cede à pressão do lobby da economia financeira, será a política proposta por Aécio que vai sair vitoriosa (Foto: Marilza De Melo Foucher)

Esta semana é crucial para a Presidente Dilma. Ela deve escolher as pessoas competentes e idôneas para governar o Brasil neste segundo mandato.

Com um poder legislativo de tendência mais conservadora, e, com uma base aliada mais fragilizada, a tarefa que lhe incumbe é por deveras complicada. Pode-se dizer que nesta campanha a postura da candidata Dilma Rousseff foi de uma mulher de coração valente, bem mais à esquerda do que a Dilma Presidenta. Esse comportamento combativo face aos seus adversários levou a mobilizar uma militância que andava decepcionada com seu governo. Os testemunhos foram inúmeros, bastava aceder às redes sociais e ler a imprensa alternativa. Muitos reclamavam da falta de reatividade da Presidenta Dilma face aos ataques da oposição, da falta de comunicação sobre os resultados positivos dos projetos e ações governamentais. Além disso, se notava uma desilusão política quanto ao não cumprimento das reformas estruturais, dentre elas a reforma do sistema político. Outras questões abordadas que causaram frustrações: a reforma agrária, a pluralidade dos meios comunicações, a política ambiental e indígena. Umas deixaram a desejar outras alcançaram poucos resultados. Daí as organizações sociais, os intelectuais, artistas e militantes de esquerda que se mobilizaram para obter a vitoria de Dilma, elas e eles esperam desta vez não serem confrontados com mais uma desilusão política.

Por esta razão a Presidente Dilma na certa está vivendo seu maior dilema político para a definição de sua equipe. A base aliada do qual a esquerda é minoritária disputa a composição de seu governo principalmente na área econômica. O lobby dos setores financeiros parece intenso.

Vale ressaltar que a governabilidade democrática está cada vez mais distorcida pelo poder econômico e financeiro. Mais do que nunca, o poder econômico tenta se apropriar do poder político, enquanto os cidadãos parecem estar quase inteiramente despojados de suas defesas democráticas e de sua capacidade de imprimir à economia seus interesses e demandas que são incomparáveis com os adeptos do modelo neoliberal.

A crença sem limitações de grande parte da elite brasileira e dos setores econômicos nas virtudes do neoliberalismo, na verdade, leva à incapacidade da classe política de reagir diante das crises econômicas, financeiras e ambientais que são planetárias.

A Presidente Dilma enfrentou com determinação o debate com seus adversários que pregavam uma política mais neoliberal e uma menor presença do Estado na coordenação e regulação da política econômica.

Por esta razão, a expectativa é grande quanto à definição da nova equipe governamental da Presidenta Dilma. Espera-se que a formação do novo governo não atenda somente os ditames do mercado. Aliás, os nomes prediletos para assumir o comando da economia brasileira já se especulam há mais de uma semana. Já se pode perceber o forte poder de pressão dos rentistas e dos aliados da grande mídia brasileira. Eles assumem o embate político na decisão da equipe econômica -- até parece uma forma de recompensa por ter perdido as eleições.

A Presidente Dilma enquanto economista deveria revitalizar o pluralismo no pensamento econômico e restabelecer o direito reafirmar a liberdade para definir outros princípios fora do modelo dominante (neoliberal).

Não é utópico imaginar que uma economia pode ajudar os seres humanos a escolher o seu destino, em vez de sofrer sob sua submissão. Todavia, não temos sido capazes de transmitir essas mensagens para os nossos cidadãos. Na verdade, a mídia convenceu a opinião de que a grande maioria dos economistas adere ao credo neoliberal e lhe dão uma legitimidade intelectual como o um único modelo global viável.

Vimos assim que um pensamento econômico único pode exercer sua dominação, não porque é a realidade dominante, mas porque ocupa o vazio deixado pela comunidade de economistas defensores de outras correntes.

O Brasil durante uma década apesar da pressão mundial do modelo neoliberal demonstrou que a economia podia ser considerada como um meio e não como um fim e que a única finalidade legítima do desenvolvimento econômico é a satisfação das necessidades humanas.

A economia quando é voltada para atender somente o mercado e o capital especulativo provoca crises estruturais que desorganiza por completo o desenvolvimento dos países. Sabe-se pela experiência das crises econômicas que um mercado livre sem regulação política é o caos. Nem todos os empresários preferem a guerra econômica, muitos preferem uma competição saudável. O custo econômico, social e ambiental do laissez-faire obriga os estados a re-inventar o futuro de outra forma. Somente uma ampla reflexão sobre um novo modelo de economia, dentro de uma visão mais pluralista, pode permitir-nos para superar o impasse atual, dando-nos a pensar ferramentas para compreender plenamente a complexas realidades do século XXI e encontrar soluções adequadas.

Urge que o Brasil neste segundo governo de Dilma continue na construção de alternativas ao modelo neoliberal que possam continuar melhorando a qualidade de vida dos homens e das mulheres, sobretudo a dos mais pobres. Deve-se atender não apenas aqueles que buscam o consumo do mercado, mas, também todas as aspirações que vão além de qualquer valor monetário: educação, saúde, lazer, qualidade ambiental, dignidade, paz, segurança, liberdade, o bem-estar das gerações futuras, etc. Estas aspirações humanas contam também ao número de critérios essenciais e inseparáveis para avaliar a eficácia global de um desenvolvimento econômico inclusivo. Tendo em vista que um sistema econômico eficaz não é somente aquele que garante que não haja desperdício de recursos na produção de bens, mas também que satisfaz melhor a todas as exigências da humanidade, começando com a exigência de justiça.

A Presidente Dilma deve seguir o que diz o sociólogo francês Edgar Morin que hoje "tornou-se vital pensar de forma diferente".

Se ela atende somente os ditames das bolsas de valores e cede à pressão do lobby da economia financeira, será a política proposta por Aécio que vai sair vitoriosa, apesar de o povo ter escolhido Dilma. As forças progressistas que votaram em Dilma contra o retrocesso exigem uma nova política.

A Presidente Dilma como economista e com experiência acumulada de governar em período de crise, já tinha demonstrado que o verdadeiro progresso da ciência econômica se media por sua capacidade de expandir oportunidades para os homens e as mulheres a poder viver com mais dignidade. Ela tem consciência que a ciência econômica não surgiu para ser desumana obcecada com as únicas virtudes mercadológicas de lucros imediatos, daí durante a campanha ela propôs outras vias para um desenvolvimento mais humano, justo e sustentável.

A política é feita de interesses contraditórios; daí cabe a cada político de entender as contradições para agir em conseqüência. Hoje o grande desafio de Dilma é de restaurar um verdadeiro Estado democrático e cidadão além de continuar a luta contra a corrupção que corroem todas as esferas do poder.

Para isto a Presidenta Dilma deve realizar com a máxima de urgência o plebiscito para a Reforma Política reformulando a constituição.

Outro desafio é inovar o modo de desenvolvimento, dentro de uma visão não fragmentada da realidade, que tenha sustentabilidade ambiental, social, política, cultural, e econômica. Isto exige mudança de atitude, mudança no modo de fazer política. Exige também um sistema de educação compatível com este desafio.

A Presidenta Dilma tem hoje apoio popular para pôr em pratica esta nova POLÍTICA.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247