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Arnóbio Rocha

Advogado civilista, membro do Sindicato dos Advogados de SP, ex-vice-presidente da CDH da OAB-SP, autor do Blog arnobiorocha.com.br e do livro "Crise 2.0: A taxa de lucro reloaded".

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A disputa das redes sociais: o autoflagelo não nos levará ao paraíso!

"A ultradireita não é melhor ou mais sofisticada, ela é dona dos algoritmos, feitos para criar uma certeza de que somos dominados e não temos defesa"

(Foto: Divulgação)
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A extrema direita domina as redes sociais por quais razões?

“No caso da internet, não penso que ela possa fazer a crítica da vida, porque o trabalho crítico significa filtrar, distinguir as coisas, ao passo que a internet é como o personagem do [escritor argentino Jorge Luís] Borges, Funes, memorioso: ela lembra de tudo, não esquece nada. Seria preciso exercer essa crítica — filtrar, distinguir — sobre a própria internet. (Umberto Eco, entrevista à Eduardo Wolf)

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Vários textos têm surgidos exaltando como a ultradireita tem manejado maravilhosamente bem as redes sociais, admirando o seu domínio sobre os vetores algorítmicos, como se ela tivesse decifrado o enigma da esfinge, e fosse devorar a esquerda ao descobrir a lógica de funcionamento das redes, de seus padrões de algoritmos e agora se prepara para um salto maior, com a chamada Inteligência Artificial (IA).

Sinto dizer, com a longa vivência experiência no mundo tecnológico, de que esses pressupostos são falsos, ou carecem de maior profundidade, no fundo é um negacionismo do que tem por trás desse enredo, a questão do PODER e do funcionamento do Kapital.

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A ultradireita não é melhor ou mais sofisticada do que a esquerda ou de setores progressista, não foi por isso que ela conquistou as redes sociais, ou decifrou os algoritmos, ao contrário, ela é DONA dos algoritmos, construídos por ela, administrados por ela, feitos justamente para criar uma certeza de somos dominados e não temos mais discurso ou defesa.

Há um erro claro, no meu entendimento, nas avaliações e em análises que partem desse pressuposto de terra arrasada, sem saída. Afirmo: Não é incompetência da Esquerda ou dos democratas que não disputamos as redes sociais, aliás, esse sentimento de culpa não devemos carregar, isso é pura religiosidade e nos desarma. Ficar nos auto acusando de incapazes, de não termos poder sobre as redes sociais, só nos levará a mais frustrações.

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Todas as grandes redes sociais foram construídas por elementos ideologicamente ligados, financiados pela extrema direita. É preciso entender que foi um longo trabalho de maturação, conceitual, processos e realizações tecnológicas e científicas, financiados pelo capital.

No centro desse projeto está a superação da comunicação unidirecional, aquela tradicional, de alguém que fala, escreve ou outro escuta, ou lê. Aquele ensina e outro aprende.

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Uma das vítimas é a mídia corporativa que vive uma crise violenta de perda de influência, na mesma esteira a Educação, em particular a Academia, pode-se estender essa crise de COMUNICAÇÃO/NARRATIVA para os Sindicatos, partidos e para democracia burguesa, a representação formal.

Todos em crise pelas razões acima expostas, a aparente construção de canais bidirecionais, ou multidirecionais, neural, de redes concretas e abstratas, recombinou uma forma de conhecimento, semelhante à descoberta da escrita/leitura, com a diferença de todos (democraticamente?) estão produzindo, se sentindo DONOS de uma nova forma de interação, ninguém (na consciência irreal deles) mais os domina, essa é a maior sacada.

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O poder dos algoritmos está em segmentar em cluster e uniformizar discursos, proposições, como se aceitasse essa participação coletiva de bilhões de informações fragmentadas, com pequenos (pre)conceitos, pequenas formulações como versículos, salmos, cujo amálgama se dar pela conexão das redes sociais, com conotação religiosa, daquilo que é elementar na formação humana.

Bem, no fundo é dizer, paremos de nos torturar, mudar a percepção, pois há uma longa e muito complexa estrada, que talvez leve anos, se o mundo não virar um grande gueto, pois ele está grávido de barbárie, de miséria humana, de contra revolução civilizatória, criações de novos paradigmas violentos, punitivos, como se o pecado morasse ao lado, pior, dentro de cada um de nós.

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A função das redes sociais, algoritmos e IA seria justificar a nova aurora, a desumanidade.

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