A disputa será Lula contra Dona Maria
O avanço descontrolado da Inteligência Artificial e das fake news transforma a próxima eleição em uma batalha entre democracia e manipulação digital
As funções da Inteligência Artificial aumentam cada vez mais, a ponto de o tema da sua regulamentação ter se tornado essencial, para tentar, pelo menos, limitar os usos indevidos da IA.
A impressionante revelação da existência de um perfil na internet com o nome de Dona Maria, com mais de 100 milhões de acessos, é um desses excessos descontrolados da Inteligência Artificial.
Esse perfil propagou, para esse imenso universo, conteúdos contra Lula, o governo e o PT. Não se sabe exatamente o que foi difundido: se críticas a posições reais da esquerda ou afirmações inventadas, que nunca existiram, como os bolsonaristas costumam fazer.
A primeira questão é: não será possível saber quem criou o perfil da Dona Maria? Sempre é possível descobrir.
A segunda é que ninguém duvida de que foram bolsonaristas os responsáveis por isso. Quando se procura decifrar um crime, coloca-se sempre a mesma questão: a quem essa ação beneficia?
Lula disse que já não haverá “Lula paz e amor”, mas que esta campanha será uma guerra.
Provavelmente, ele está pensando em situações como essa: a utilização da Inteligência Artificial para forjar perfis com claros objetivos políticos.
A campanha eleitoral será, certamente, um cenário propício para esse tipo de manipulação. Com uma candidatura presidencial que não tem o que propor, provavelmente o uso de expedientes como esse deverá se multiplicar.
Os mecanismos para monitorar essas ações e buscar os desmentidos representarão um trabalho insano. Até porque os desmentidos costumam reforçar as afirmações que se quer negar.
A regulamentação da Inteligência Artificial é uma necessidade premente. Lula diz que será intolerável o uso desse tipo de recurso na campanha eleitoral. Mas os que se opõem a essa regulamentação, maioria no Congresso, são exatamente os que se valem desses mecanismos imorais, diante da falta de propostas para o país.
O grande adversário de Lula, assim, serão as fake news, as mentiras disseminadas para milhões de pessoas e forjadas pela Inteligência Artificial. Em condições normais de disputa, o candidato da direita não tem o que propor. A herança de seu pai é desastrosa. Seu único lema é o “Fora Lula”, sem dizer o que colocariam no lugar.
É a democracia que está em jogo. Não dá nem para imaginar o que seria um governo do filho de Bolsonaro. Sabe-se que eles odeiam o Estado, a cultura, as universidades e a própria democracia. O governo de seu pai não deixou nada que ele possa reivindicar, embora diga que dará continuidade ao que foi feito.
Será a democracia contra o autoritarismo, a verdade contra a mentira, Lula contra as tantas donas Marias que assumirão outros nomes e espalharão outras mentiras. Mas a derrota da direita será uma vitória da democracia e da verdade no Brasil.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

