A ditadura, o povo e a elite

Se transborda sangue e dor não cabe comemorar. A ideia insana da homenagem ao 31 de março, além  de ser uma lança apontada para a democracia é também a mais suja demonstração de ódio e precariedade de amor e respeito a vida humana

Se transborda sangue e dor não cabe comemorar. A ideia insana da homenagem ao 31 de março, além  de ser uma lança apontada para a democracia é  também a mais suja demonstração de ódio e precariedade de amor e respeito a vida humana.

O período de dor iniciado no final do primeiro trimestre de 1964, pode-se e deve-se afirmar, nada teve em clamor da sociedade, muito menos de ascensão  econômica e tão  pouco de um regime que dispunha da participação  e aceitação popular.

Foi golpe! Foi ditadura! Foi terror! Para cada afirmação  vale uma exclamação de indignação.

Toda a verdade da ditadura foi escrita com sangue de mulheres, homens e até  crianças, um período que não  deve ser esquecido e tão  pouco deturpado. Uma fase de empoderamento e proteção  de uma elite corrupta, da liberdade para manifestação e pratica dos atos mais sombrios, horrorosos de tortura e do prazer em exerce-lo.

Do ponto de vista das politicas publicas  e desenvolvimento humano o Brasil do regime militar foi competente em sua omissão e descompromisso.  Quando o assunto é  educação deixou muitos pelo caminho do analfabetismo e da não conclusão do antigo ginásio.

A educação  pública era duramente monitorada, o que impossibilitava a formação  crítica e formava pessoas para engordar as filas do desemprego.

O Brasil militar, golpista, do chumbo, colocava o pobre em lugar de prestador de serviços à classe dominante, esse mesmo Brasil alimentava esta classe para a manutenção de um sistema opressor.

A educação, nessa época, era mercadoria de luxo e cara,  tão  cara que para os donos de escolas particulares  era fonte de renda garantida.

A precariedade no ensino publico, é  claro, tinha sua lógica de dominância e controle.

A saúde , nesse período, também  “dançou” conforme a música. Politicas de prevenção a doenças e saneamento  não faziam parte do “esforço” militar. Aos mais empobrecidos lhe restavam filas longas nos corredores do INAMPS.

Quem mais ganhou nesse período?

Ora, se coincidentemente não foi a iniciativa privada. Com o caos na saúde pública,  as clinicas particulares respondiam a quem pudesse pagar.

A segurança pública, esta se empenhou de fato no papel de contenção,  repressão e perseguições,  procurando até  mesmo num poder paralelo que ali, em pleno exercício de um regime militar,  ganhava força.  Grupos justiceiros que curiosamente ganham força em tempos de “moralidade, bons costumes e preservação da ordem”.

Era o Esquadrão  da Morte que aterrorizava e participava da caça humana e interrogatórios. Faziam o trabalho mais sujo do Estado de exceção.

Toda essa maquina de tortura, dor necessitava de uma engrenagem forte para movimenta-la, aí  entra uma peça fundamental:

A corrupção.

Sim, em tempos de totalitarismo,  repressão e censura é  mais fácil a prática  da corrupção por quem está  no comando. Sem transparência,  prestação  de contas promover obras é  um bilhete de loteria premiado.

Crueldade, mortes, perseguições, autoritarismo na economia e com o povo, sangria nos direitos humanos e traumas que perturbam o presente das vitimas que sobreviveram a este horror, envergonham a história do Brasil. Porém, não devemos esquecer esse período que merece repúdio e não honrarias.

Comemorar, é muita falta de decência e humanidade.

Deturpar a história e tentar convencer o povo de que não  houve golpe e sim desejo popular contra uma ameaça comunista é  uma falácia,  mentira que transpira armadilha.

O povo não quis, não participou  dessa monstruosidade,  o povo foi vitima.

Ditadura nunca mais!

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