A Ecovias e o pedágio tucano

"Resumo da ópera dos últimos anos: um impeachment sem crime de responsabilidade, a condenação e prisão de um ex-presidente sem provas materiais, o pedido de cassação do maior partido do país, o PT, e Bolsonaro colocando parte da população em risco de contrair o coronavírus nas aglomerações no entorno do palácio do Planalto", escreve o jornalista Florestan Fernandes Jr

www.brasil247.com - Rodovia Imigrantes, José Serra, Geraldo Alckmin e Mário Covas
Rodovia Imigrantes, José Serra, Geraldo Alckmin e Mário Covas (Foto: Agência Brasil | Gov. SP | Agência Senado)


Por Florestan Fernandes Jr, para o Jornalistas pela Democracia

Em delação premiada ao Ministério Público de SP, a Ecovias, empresa que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, confessou que 12 contratos de concessão rodoviária assinados pelo governo de São Paulo a partir de 1998 foram fraudados através da ação de um cartel. O grupo afirma que pagou propina a agentes públicos e fez repasses milionários para caixas de campanha durante as gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

A Ecovias se comprometeu a devolver R$ 650 milhões aos cofres do governo paulista. Mas não apontou quem são os corruptos que receberam a propina e nem para quais caixas de campanha foram desviados os recursos. Infelizmente, o desinteresse pelo caso "Ecosão" não vai ajudar a desvendar estas questões. Fosse o PT, o tratamento da Justiça e da mídia seria outro.

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Vejam só: no mesmo ano do início do "Ecosão", na campanha à reeleição de Eduardo Azeredo em Minas Gerais, o publicitário Marcos Valério montou um esquema para desviar recursos públicos e doações privadas ilegais. O esquema ficou conhecido como o mensalão tucano. Um método reproduzido depois por Valério no mensalão petista.

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Para refrescar a memória: em 1997, a Folha de S Paulo publica matéria denunciando a compra de votos no Congresso Nacional para a aprovação da emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso. O jornal descobriu que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL, tinham negociado seus votos por R$ 200 mil. Um pedido de CPI chegou a ser encaminhado, mas parlamentares, entre eles o presidente da Câmara Michel Temer, barraram o pedido.

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Da Lava Jato para cá muitas delações sem provas colocaram petistas atrás das grades, enquanto seus adversários políticos chegavam ao poder e se lambuzavam à vontade. A JBS nos presenteou com imagens que vão ficar para a história do Brasil. Como, por exemplo, os R$ 2 milhões em dinheiro levados a Aécio Neves em mochilas. Ou a do assessor especial de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, carregando uma mala com R$ 500 mil. Mas a melhor imagem foi a dos R$ 51 milhões esparramados na sala de um apartamento de Geddel Vieira Lima.

Chegamos a 2018 com a compra de disparos em massa pró-Bolsonaro feitos pelo Whatsapp de vários lugares do mundo na eleição presidencial. E, no ano passado, surge o suposto esquema de "rachadinhas" envolvendo o senador Flavio Bolsonaro. 

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Resumo da ópera dos últimos anos: um impeachment sem crime de responsabilidade, a condenação e prisão de um ex-presidente sem provas materiais, o pedido de cassação do maior partido do país, o PT, e Bolsonaro colocando parte da população em risco de contrair o coronavírus nas aglomerações no entorno do palácio do Planalto.

Os descaminhos da nossa democracia nos levaram ao fundo do poço. E, nesta terça-feira, 7 de abril, recebi uma mensagem do Lima Duarte que, aos 90 anos de idade, se pergunta: onde foi que nós erramos? Emocionado e com os olhos vermelhos, o velho ator que ancorou vários programas do PSDB foi buscar nas suas melhores referências a resposta para sua indagação: erramos ao não escutarmos o dramaturgo e o sociólogo: Augusto Boal e Florestan Fernandes. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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