A emancipação do povo/detalhe

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(Foto: Reuters/Dado Ruvic/Illustration)


Por Valéria Guerra Reiter 

 Respiramos? Sim, o mesmo oxigênio? Aparentemente sim. E seu ritmo de 12 a 16 respirações (por minuto) precisa ser mascarado, já que há um vírus no ar, o SARS-COV2.

A vida desgastará e se encerrará um dia, sabemos. Nosso rumo é transitório; a matéria tornar-se-á inerte e será pura energia. A cadeia alimentar não conhece a fama. Ela deslancha. A transferência de energia faz festança. E, não, com o uso indevido de um orçamento secreto.

Mahatma Gandhi disse: “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.

Cair aqui neste planeta capitalista, há séculos, nos arrasta ao antro do capitalismo, que nos fagocita, e após o ato, através da clasmocitose capital: elimina os gases tóxicos de seus fagocitados, sob a forma de resíduos. Uma parcela da humanidade já foi e continua sendo transformada em Homem/resíduo, extremamente dependente do capitalismo. O Mercado subutiliza o material humano, quando ele é biologicamente jovem, exibindo-o na prateleira do sucesso fácil, e depois quando ele perde a aparência de juventude, e passa a não servir mais, especialmente no “segmento” da moda e da arte: ocorre o descarte.

Aquele que você vê caído na sarjeta das ruas, não caiu. Ele foi atirado, empurrado àquela vida. Talvez, seja um jornalista, biólogo, pintor, matemático, engenheiro por formação, quem sabe um médico, que não quis compactuar com a morte como forma de alavanca social e política; vide o caso da Prevent Senior. Existem outros, conheço. Guardo uma declaração de uma mulher sobre “quem deve ou não morrer por Covid”, pés são marcados com X., porém, ainda estou levantando (mais detalhes) com fonte segura: e mais tarde virá a público, com a segurança típica do bom jornalista.

Marcados estamos para morrer, não há imortalidade, até onde eu sei, mas sei que existe a antecipação, a facilitação e a precocidade do morrer. E isso se dá através de fatores externos e não internos. Internamente, temos uma validade, os nossos órgãos não podem ser eternos, mas certamente a desigualdade dão cabo de milhares de indivíduos desnecessariamente no mundo de intensa opressão.

Estou escrevendo uma resenha sobre o filme “No portal da eternidade” (2018), que fragmenta a vida e obra do pintor Vincent Van Gogh. E foca em seu olhar sobre a vida, sobre a natureza, e sobre a existência. Na visão compilada e histórica – mirada - pelo cineasta Julian Schnabel, que também é pintor. Ele nos entrega uma perspectiva cinematográfica, ao meu ver: pictórica.

Os dissabores que cercaram o artista Vincent, que era filho de pastor evangélico, demonstram o quanto nossas vidas estão cercadas pela religiosidade e pela inveja, advinda do submundo da eterna concorrência pelo poder, e pelo vil metal. A cena que chamei de “invasão”: quando um grupo de alunos liderados por sua professora invadem a intimidade e tranquilidade do pintor, em meio a confecção de um quadro. Em uma ambiência exuberante da natureza, tão valorizada por Gogh, demonstra o quanto o ser humano é competitivo, e invasivo.

Neste momento em que redijo este artigo, muitos brasileiros estão derramando lágrimas por seus filhos famintos, já outros cantam entoados, tomando banho de lata, pois não possuem chuveiro, e alguns pintam (em telas de papelão improvisadas): verdadeiras obras de arte, que serão lançadas na fornalha do esquecimento, afinal há um orçamento secreto de milhões: que retroalimenta a miséria de outros milhões de Van Gogh (s) encubados ou entubados pela oportunidade roubada.

Há mais que orelhas cortadas - pela inépcia sedenta do poder e de dinheiro, em um país que pune com a prisão, aqueles que expressam sua revolta diante da ingerência da corrupção – há muitos cérebros despedaçados e cooptados por uma corrente do mal, que submete gente ao claustro da baixa autoestima. O Homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda existe e infelizmente, ainda se perpetua, neste país/continente; ele habita o cerne, o âmago da colonialidade, com seu amor e ódio. Somente uma reforma de base profunda, que beire à revolução poderá transformá-lo em Homem crítico. Mesmo que tal “revolução” seja feita de conciliação, paz e perdão.  

#LULAPRESIDENTE

“A perversidade não tem religião” Valéria Guerra Reiter – site o PENSADOR

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