A erosão do bolsonarismo nas polícias militares
Rejeição a Flávio Bolsonaro por PMs revela desgaste do bolsonarismo até em corporações antes alinhadas ao ex-presidente
A rejeição a Flávio Bolsonaro em meios policiais nos permite recorrer à nossa longa experiência como professor nessas corporações. O episódio das vaias e dos apupos de PMs — uma corporação que foi mimada por Jair Bolsonaro — no quartel-general da instituição, contra Flávio Bolsonaro, na presença de oficiais superiores, é uma prova concreta de que o bolsonarismo pode, de fato, ser erodido e perder substância.
Podemos apontar as seguintes razões:
- A notoriedade de Flávio Bolsonaro como “Flávio Rachadinha”, em choque com a ideologia anticorrupção presente na corporação;
- As ameaças constantes ao valor das aposentadorias, à atualização salarial e ao tempo de serviço necessário para a aposentadoria;
- O desfinanciamento da educação, vista por inúmeros PMs como um meio de ascensão econômica;
- E, por fim, o racismo patente do bolsofascismo diante de uma corporação cujos quadros são formados majoritariamente por negros e pardos.
Assim, o trabalho político de desmonte do bolsofascismo pode ocorrer e resultar em:
- A perplexidade do contingente eleitoral bolsonarista, que migra para um niilismo do tipo “todo político é corrupto e igual” e opta por anular o voto;
- A abertura de brechas para a migração desse eleitorado para outras candidaturas de direita.
Ou seja:
(i) os partidos progressistas devem abandonar o mantra de que Segurança Pública é uma pauta exclusiva da direita;
(ii) devem formular uma política clara para as forças policiais e para as Forças Armadas em geral.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

