A escolinha do Professor Raimundo

"Fiquei surpreso, ontem. Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo”. Pensei: será que a TV Senado resolveu sair do traço e investir em programas de humor? Mas fiquei preocupado: e se a Globo abrir um processo por plágio? A TV Senado tinha autorização? Se Chico Anysio estivesse vivo tenho certeza que contrataria muitos daqueles personagens.   O “professor” Raimundo Lyra abandonava a mesa a toda hora, provavelmente para cochilar um pouco porque suas pálpebras ameaçavam se fechar", diz o colunista Alex Solnik

"Fiquei surpreso, ontem. Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo”. Pensei: será que a TV Senado resolveu sair do traço e investir em programas de humor? Mas fiquei preocupado: e se a Globo abrir um processo por plágio? A TV Senado tinha autorização? Se Chico Anysio estivesse vivo tenho certeza que contrataria muitos daqueles personagens.   O “professor” Raimundo Lyra abandonava a mesa a toda hora, provavelmente para cochilar um pouco porque suas pálpebras ameaçavam se fechar", diz o colunista Alex Solnik
"Fiquei surpreso, ontem. Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo”. Pensei: será que a TV Senado resolveu sair do traço e investir em programas de humor? Mas fiquei preocupado: e se a Globo abrir um processo por plágio? A TV Senado tinha autorização? Se Chico Anysio estivesse vivo tenho certeza que contrataria muitos daqueles personagens.   O “professor” Raimundo Lyra abandonava a mesa a toda hora, provavelmente para cochilar um pouco porque suas pálpebras ameaçavam se fechar", diz o colunista Alex Solnik (Foto: Alex Solnik)
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Fiquei surpreso, ontem. Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo”. Pensei: será que a TV Senado resolveu sair do traço e investir em programas de humor? Mas fiquei preocupado: e se a Globo abrir um processo por plágio? A TV Senado tinha autorização?

   Se Chico Anysio estivesse vivo tenho certeza que contrataria muitos daqueles personagens.   O “professor” Raimundo Lyra abandonava a mesa a toda hora, provavelmente para cochilar um pouco porque suas pálpebras ameaçavam se fechar.

    O “aluno” Romário também seria contratado na hora. Lembrou muito aquele personagem que sempre pergunta quando é a hora da merenda, ao afirmar textualmente:

   “Presidente, só uma pergunta. Eu sou o décimo primeiro dessa lista. O senhor pode me dizer, mais ou menos que hora que eu vou poder falar? Quanto mais tarde, melhor, porque eu sobressaio”.

   Também seriam cogitados para o humorístico “alunos” tais como Cássio Cunha Lima, ex-governador da Paraíba cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba por ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006; Ronaldo Caiado, acusado pelo ex-senador Demóstenes Torres de receber doações de campanha a deputado federal do contraventor Carlinhos Cachoeira ou Zezé Perrela, acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito e lesão ao erário por ter recebido, quando ainda deputado estadual, entre 2007 e 2010, R$ 1,3 milhão em ressarcimento de gastos com atividades parlamentares, por atividades particulares ou por serviços não comprovados que davam insistentes lições de moral e de ética na turma e exaltavam a “aula” da “aluna” Janaína.

   Ela se superou. E tem a vantagem de dispensar redator. Basta abrir a boca para a plateia se esbaldar de rir.

   Quando pediram para ela explicar as pedaladas, por exemplo, a “aluna” Janaína respondeu:

   “Tem um capítulo todo na denúncia sobre isso. A denúncia narra crimes que vem até de 2010. Mas nós focamos muito em 2014, 2015. Porque 2014 era ano eleitoral. E a presidente precisou criar uma ficção de que tinha dinheiro pra dar continuidade aos programas. Ela já sabia que não tinha dinheiro. Por isso é que ela mandou os bancos públicos que estão proibidos de pagar as coisas do tesouro, mandou os bancos públicos pagarem – isso é pedalada, é a proibição, vai pagando, vai pagando. São milhões de pedaladas! Milhões de pedaladas e não é para o povo pobre! É para empresário grande e rico que investiu nosso dinheiro para pegar com juros pequenos e ganhar em cima com juros grandes! Ela baixou o decreto porque não queria cortar despesas. Ela precisava de dinheiro pra poder gastar e conseguir se reeleger. Então ela baixou decreto na casa dos bilhões porque precisava segurar por um período a maquiagem que foi feita na eleição. Nós tínhamos um superávit de bilhões, de repente caiu no buraco. Ninguém entendeu! Que mais que V. Excia perguntou? Não sei se respondi tudo. Respondi? Tá faltando alguma coisa”?

   Ela também mostrou que pode ser aproveitada nas novelas, tanto faz rir como chorar com extrema facilidade:

   “Tá todo mundo desiludido... ricos e pobres... mas eu tenho mais pena dos carentes”.

   Seu campo de atuação, segundo ela, não vai se restringir ao impeachment:

   “Depois daqui eu vou cuidar do problema da merenda em São Paulo... as crianças estão passando fome”.  

   Uma das “alunas” que raciocinava avisou à dona Janaína que ela tinha viajado na maionese, pois a denúncia do impeachment só diz respeito a duas denúncias referentes a 2015, como manda a constituição, e não a fatos anteriores. Mas ela não se deu por vencida, talvez porque somente essas não dariam para encher as 75 páginas que ela escreveu e pelas quais ganhou 45 mil reais do PSDB:

   “Eu não abri mão de petrolão e não abro. Se a presidente não é alvo de um inquérito, deveria ser. Primeiro, pelo dinheiro que mandou sigilosamente para ditaduras parceiras que na época eu achei que era por ideologia, mas não era. É porque essas ditaduras não são transparentes, excelência. Tá escrito tudo aqui, pelo amor de Deus! Agora, se eu não tenho competência pra explicar o que eu escrevi, o povo não tem culpa! Não sei se esclareci”.

   “O Dr. Miguel deveria estar aqui”, alegou a “aluna” que raciocinava, sentindo a falta do parceiro do impeachment de Janaína, que tinha, intempestivamente, abandonado a “aula” momentos antes.

   Dona Janaína mais uma vez tinha a resposta na ponta da língua:

   “O dr. Miguel é um homem de 72 anos de idade... a família mora no Sul, ele teve que se deslocar...nós somos um grupo, uma equipe... o dr Helio tem problemas no coração... se V.Excias quiserem ir lá ele pode receber V.Excias na casa dele. Eu sou a mais nova, com mais saúde. A Maria Lúcia tá cansada, eu já falei: Maria Lúcia, vai pra casa! Então é assim. Eu não presto? O Dr. Miguel teve que ir.  Não sei se eu esclareci”.

   Dona Janaína aproveitava todas as deixas para animar o show. Outro bom motivo para Chico Anysio contratá-la: economizaria na claque:

   “V. Excia não vai acreditar, mas no caminho até aqui eu recebi um e-mail de uma senhora pedindo, por favor, para eu pentear o cabelo! Ela acha meu cabelo feio. O que que eu posso fazer”?  

   Mais adiante, cada vez mais hilária, ela advertiu que esse era apenas o começo de uma cruzada que não se restringe ao Brasil:

   “Eu falei no Largo de São Francisco: vamos libertar as mentes e as almas. Disseram que eu estava bêbada! Eu nunca estive tão lúcida na minha vida. Eles têm aquela ideologia da dominação. Se você é companheiro, você fica. Se você não é companheiro, você sai. E se você não sai nós vamos te infernizar. Dezesseis anos vai fazer, se V.Excias não tirarem. De perseguição. Essas pessoas querem permanecer no poder a todo custo. No Brasil e na América Latina.   Temos que libertar primeiro o Brasil para depois cuidar dos outros irmãos na América Latina. Vocês estão pensando que eu vou parar por aqui? Não vou, não”.

   E o salário: ó.

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