A esquerda pode perder o bonde da história

É muita falta de análise ou no mínimo de inteligência de nossos dirigentes acreditar que um Judiciário em sua totalidade comprometidos com a elite reacionária vai registrar e  legitimar a candidatura de Lula para que o mesmo concorra as eleições de 2018. O PT comete um erro em não apoiar Ciro e não ajudar a construir a unidade das esquerdas

A esquerda pode perder o bonde da história
A esquerda pode perder o bonde da história (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Se confirmando as estatísticas dos institutos de pesquisa que identifica as opiniões dos eleitores sobre o processo eleitoral no Brasil, podemos afirmar que a esquerda tem a grande oportunidade de dar continuidade a um governo de esquerda, de centro ou no mínimo progressista.

De acordo com os dados dos institutos de pesquisa, tanto do Datafolha, como do Ibope, se as eleições fossem hoje, somando os pontos do campo da esquerda e centro-esquerda, poderíamos afirmar que as eleições seriam decididas no primeiro turno.

No PT, temos Lula com 33% de votos. No PDT, temos Ciro com 8%. Na Rede, temos Marina com 10%. Os demais, como PSOL, PCdoB, PSB somam juntos 10%. Com as margens de erros teríamos cerca de 63%.

Neste cenário, com a adesão de um ou outros partidos pequenos a fatura estaria consumada.

A direita, somando-se PSL de Bolsonaro com 18%, PSDB com 5% e os demais da aliança com os partidos do Centrão que é SD, DEM, PP e PR, não passa de 25%.

A direta sem dúvida nenhuma seria derrotada no primeiro turno das eleições e levaria uma lavada de votos que ficaria para sempre na história. Acontece que a realidade não é como queremos, e sim como ela é, e as leis que regem a nossa realidade são as leis da dialética onde tudo se transforma e vai tomando um rumo de acordo as conveniências de cada dirigente dos partidos – e a realidade concreta da conjuntura vai ficando no esquecimento de um egoísmo com uma vaidade maior que a nação.

E neste campo, a esquerda é cheia do “eu acho”. O achismo toma conta da realidade concreta e entra na vaidade dos que dirigem os partidos. Vão achando tudo, menos o caminho para derrotar a burguesia nos votos populares.

Os analistas de gabinetes dos “ares condicionados” em seus autos escritórios e apartamentos luxuosos, não conseguem ver os movimentos do tempo e nem têm ideia do que são os salões das fábricas e muito menos a poeira do chão.

Querem acreditar que as eleições de agora são as mesmas de 2010, quando o Presidente Lula escolheu para ser candidato um “poste” e o elegeu presidente do Brasil.

Diga-se de passagem, um poste acompanhado do que tínhamos da pior espécie na política brasileira. É bom não esquecer que a teimosia da época e os compromissos assumidos foram rompidos. Ciro não foi candidato. Como a história não falha, os compromissos abandonados pelas margens das estradas se encontram na mesma encruzilhada agora em 2018, porém, com um pequeno detalhe: Ciro é candidato e cobra as mesmas reciprocidades de anos atrás, sem atentar-se que os tempos são outros e as memórias dos sem compromissos ficaram esquecidas no passado distante.

Os fatos não deixam a história falhar, as alianças além de colocar os principais quadros do partido na cadeia, também colocaram o ex-presidente Lula com determinação que este não estaria na disputa das eleições de 2018.

O PT não abre mão da candidatura de Lula, e Lula da cela de Curitiba dá as regras do jogo das alianças que o partido deve fazer.  Ana Arraes foi rifada de uma candidatura com todas as condições de chegar ao poder de Governadora do Pernambuco, e na contramão da história, Lula e o PT autorizaram as alianças com os golpistas Renan Calheiros, em Alagoas, e  Eunício Oliveira, no Ceará.

Fizeram um acordo para o PSB ficar neutro nas eleições e com isso apunhalaram Ciro pelas costas. Este erro custará muito caro ao PT e a Lula, pois Ciro sempre esteve presente nas alianças e nos governos do PT. É certo e sabido que Lula não será candidato. Em quem será que os eleitores de Lula vão votar? No poste de Lula ou em Ciro Gomes? A resposta já existe: entre o poste e Ciro, o povo vota em Ciro.

Nas eleições de 1952 quando o povo elegeu Getúlio Vargas como presidente da república, o comunista Luiz Carlos Prestes declarou apoio a Getúlio. Toda esquerda da época fez duras críticas a Prestes chamando de traidor do povo e do partido, já que Getúlio tinha mandado sua esposa para ser morta nas câmaras de gás do regime Nazista de Adolf Hitler na Alemanha durante a segunda guerra Mundial.

Prestes assim responde: “o sentimento de minha esposa não poderá estar acima dos interesses da nação e do povo brasileiro”. Esta lição poderia ser repetida e servir de exemplo para o nosso maior líder Luiz Inácio o Lula Da Silva nas pesquisas de opinião pública e também ser seguida como uma prática porque representamos os sentimentos de um povo.

Então, a prisão faz parte dos sofrimentos que estamos sujeitos a passar por defender uma causa justa dos injustiçados. Quantos não pagaram com sua própria vida para defender esta causa. Santos Dias é um exemplo a ser seguido assim como Marighela, Chico Mendes, Margarida Alves e tantos outros que perderam a vida nesta luta.

 As lideranças e dirigentes de nossa esquerda insistem em achar que vamos cada um por si para o primeiro turno das eleições e em segundo turno faz-se as coligações e ganhamos as eleições.

Já vimos este filme em eleições recentes na disputa das eleições municipais em são Paulo onde todos tinham absoluta certeza que o segundo turno seria com os candidatos de centro ou da direita com o candidato Fernando Haddad do PT, e a realidade contradizendo a tudo e a todos, o candidato de direita João Doria ganhou as eleições no primeiro turno.

É bom não esquecer dos velhos ditados “eleição é uma caixinha de surpresa, para quem acredita em surpresas”. As eleições de outubro nos chamam atenção pela atual conjuntura política e elas devem ser feita com análise de classe levando em consideração a Ciência e a Arte.

O complexo industrial financeiro e mediático não estão a fim de permitir que a esquerda ou centro esquerda governe o Brasil. Se isso estivesse nos planos deles não teriam dado o Golpe e derrubado o governo legítimo de Dilma Rousseff que não cometeu crime algum, e muito menos ter inventado um processo a qual incriminou o ex- presidente lula e ter o condenado a prisão, qual está a mais de cem dias encarcerado.

É muita falta de análise ou no mínimo de inteligência de nossos dirigentes acreditar que um Judiciário em sua totalidade comprometidos com a elite reacionária vai registrar e  legitimar a candidatura de Lula para que o mesmo concorra as eleições de 2018. O PT comete um erro em não apoiar Ciro e não ajudar a construir a unidade das esquerdas.

Só há uma saída para reverter o jogo eleitoral sendo a unidade de toda esquerda em torno de um projeto de nação que reverta todas as privatizações, devolvendo ao povo brasileiro seu patrimônio, definir uma  política de enfrentamentos com os bancos eliminando as taxas de juros abusivas e os seus lucros bilionários, ter uma política de investimento na saúde e educação, um programa de habitação no país, um programa de reforma agrária que permita assentamentos de milhares de famílias acampadas nas margens das estradas, fortalecimento do Incra, criação do Ministério do Desenvolvimento da Agricultura familiar (MDAF) com investimento compatível a nossa produção que é responsável por mais de 70%  da produção que chega na mesa do povo brasileiro.

O investimento na produção para a geração de empregos é uma vergonha. Nós temos hoje mais de 13 milhões de desempregados. Nós precisamos de um plano de investimento na recuperação e de proteção do meio ambiente com proteção da Amazônia, maior floresta do mundo que os fascistas querem entregar ao Imperialismo Americano. É isso que toda militância de esquerda e dos movimentos sociais, sindicais e populares esperam.

 

 

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247