A estratégia da direita e a greve dos caminhoneiros

Todos sabem que o foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais. Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder. O verdadeiro exercício do poder é invisível

Pal�cio do Congresso Nacional
Pal�cio do Congresso Nacional (Foto: José Rainha Júnior)
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A revolução é um objetivo e não uma palavra de ordem, ou um simples análise de aquilo que queremos com as lutas. Maquiavel já dizia; "quando analisarmos a realidade, temos que analisar ela como ela é, e não como nós queremos que ela seja". Os erros de análise de classe têm levado a nossa esquerda a muitas derrotas, tanto no ponto de vista eleitoral como os da Revolução.

A nossa estratégia é o Socialismo, mas a nossa pauta pode ser o salário, direitos trabalhistas, terra, paz etc. Os quadros precisam ter a análise científica da conjuntura em que se desenvolvem as lutas e as classes na sociedade. Um partido de quadros revolucionários, com a ciência da luta de classe e com pilares na teoria Marxista Leninista, é necessário para não se cometer erros de análise das táticas e a estratégia da luta de classes.

A greve dos caminhoneiros pegou toda nossa esquerda de surpresa, assim como foi em 2013. Ninguém podia imaginar que as mobilizações por passe livre dos estudantes ganhassem aquela dimensão que terminou com a derrubada do Governo de Dilma do PT. Se os erros do passado não servirem como aprendizagem para o presente é um sinal que a história não é uma boa conselheira para os analistas de plantão de nossa esquerda.

A greve dos caminhoneiros autônomos ricos com a mistura dos pobres que só tem um caminhão logo no início teve manipulação dos reacionários bolsolnaristas de plantão com a palavra de ordem: "intervenção militar". Só os ingênuos que acham que tudo isso não é a concretização do Golpe.

Está na hora de nossa esquerda prestar atenção no tempo e olhar com atenção aos ensinamentos que vem da natureza. As classes se movimentam a todo momento e a da direita se movimenta com rapidez, é a lei da dialética que nossa esquerda ignora, todos sabem que a prisão de Lula, e logo do Zé Dirceu foi um erro de estratégia da Casa Grande que deixou o engravatadozinho de Curitiba antecipar o texto da pesa que ia ao ar na próxima seção, pois dentro do processo democrático eleitoral Lula é um candidato imbatível, se nada acontecesse até outubro. Mesmo preso Lula seria eleito, acontece que a nossa esquerda só ficou nos tribunais esperando a bondade de um juiz para soltar Lula e isso não aconteceu e nem vai acontecer.

A classe dominante colocou em campo suas táticas para alcançar a vitória em uma estratégia dentro da democracia para eleger seu candidato, capaz de dar continuidade ao seu projeto neoliberal sobre o consenso de o Washington. Mas precisamos se ater e intervir na conjuntura com propostas claras que vão além das eleições. Ou fazemos isso ou vamos amargar outras tantas derrotas.

Todos sabem que o foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais. Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder. O verdadeiro exercício do poder é invisível.

O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais. Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de "imprensa", ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e o que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses.

Eles são atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro e empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião. Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos.

Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva quando já não servem mais para sua estratégia (exemplo PT). Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro. Os complexos financeiros e empresariais globais podem apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro como Bolsonaro com qualquer discurso.

Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país. Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia como faz a nossa esquerda.

É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial do qual a mídia faz parte, para poder reagir também de maneira estratégica. A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois. Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder há milhares de anos.

O poder de uma classe está em sua organização de ter análise da realidade em que vive, construir uma estratégia que um dia possibilite tomar o poder da outra classe, para edificar o seu próprio poder. A nossa história, já dizia Marx, "É a história da luta de classe", para a classe trabalhadora operária e camponesa, só existe um caminho para tomar o poder da classe que o oprime, construir a sua força própria, política e motriz, que lhe permite impulsionar a revolução e construir uma outra sociedade de homens livres.

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