A ética como pressuposto

Ética é uma qualidade que foi denunciada como ausente em seu perfil, pelo contrário foi julgado como parcial e destituído de qualquer senso de legalidade na condução de um processo jurídico

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(Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)


Os apóstolos, aqueles que andaram com Cristo durante sua peregrinação, como ser humano, entre nós, lideraram a primeira Igreja, que foi instalada em Jerusalém. 

Como haviam aprendido com Jesus de Nazaré, levaram a comunidade de fé a viver uma vida de absoluta solidariedade, onde, voluntariamente, todos concordaram que tudo deveria ser comum a todos. 

Algum tempo depois, os apóstolos enfrentaram uma crise na comunidade: por racismo, as viúvas de origem grega foram desprezadas na distribuição dos víveres. 

Os apóstolos resolveram-na de forma inusitada; primeiro, reconheceram o direito das irmãs, surpreendente numa época em que as mulheres sequer eram contadas; segundo, reconheceram a sua incompetência logística, e que era chegada a hora de distribuir o poder. 

Daí, contra todas as previsões, convocaram uma assembléia geral, expuseram o problema, acolheram as irmãs em seu direito, e, para solucionar o impasse, ao invés de usar o poder que lhes era reconhecido, evocaram a democracia como modo de solução de impasses de relacionamento e de poder dentro da comunidade. 

E, provavelmente, pela primeira vez na história, homens e mulheres, gregos e judeus, livremente, elegeram um corpo de oficiais para prover todas as condições para que houvesse justiça social. 

Uma questão, entretanto, os apóstolos deixaram claro, que os que poderiam ser eleitos tinham de ser pautados pelo compromisso ético, e por reconhecida sabedoria, qualidades que deveriam ser atestadas pela comunidade como “conditio sine qua non” para que a candidatura pudesse ser acolhida. O que faz todo sentido, uma vez que para além do problema de gestão teriam um problema ético para debelar. Como, de resto, o tem todo o gestor público, numa sociedade plural e, no caso brasileiro, como na primeira igreja, pluralismo agravado pelo racismo. 

Esse grupo, chamado de diaconia, passou a estabelecer uma espécie de seguridade social na comunidade, garantindo o acesso de todos a tudo, indiscriminadamente. 

Todo o corpo diaconal, livremente eleito, era composto de pessoas de origem grega, o que significa que, antes de tudo, os apóstolos trabalharam a questão do racismo, levando os de origem judaica a reconhecer a segregação, a ponto da assembleia eleger de tal maneira que não houvesse lugar para o que poderia tornar-se racismo estrutural. 

No Brasil estamos assistindo a insinuação do que tem sido chamado de 3ª via, uma tentativa de oferecer uma candidatura majoritária entre Bolsonaro, cuja administração é acusada de ser corrupta; pró concentradora de renda, graças a um neoliberalismo retrógrado, gerador de miséria  e racista; sem contar a acusação de genocida por política de imunização de rebanho, que levou o país a ter 12% dos mortos por Covid no mundo, apesar de ter 2% da população mundial;  e Lula, que teve o governo mais eficaz no enfrentamento do racismo, e no enfrentamento à epidemia, no caso, a do vírus H1N1, e na distribuição de renda, tudo isso com crescimento econômico e cultural, em todos os sentidos, a ponto de levar o país a posição de 6ª economia do mundo.  

O candidato à 3ª via, que a grande mídia parece insuflar, e que, antes de qualquer candidatura oficial, já apresenta o seu futuro ministro da economia, também proveniente da ditadura, como o atual ministro da economia, jamais seria candidato na primeira igreja, porque, como é sabido de todos, ética é uma qualidade que foi denunciada como ausente em seu perfil, pelo contrário foi julgado como parcial e destituído de qualquer senso de legalidade na condução de um processo jurídico. 

Fica claro que os proponentes da 3ª via não passam de velhacos espertalhões tentando vender o mesmo produto que sustentam no poder, de novo, jurando que a nova maquiagem é, de fato, uma mudança na face pérfida e escravista que sempre os caracterizou. Quanto a aparente escolha destes, faz todo o sentido, uma vez que os iguais acabam se encontrando, aliás, tal pretenso candidato já lhes prestou relevante serviços, garantindo-lhes a ascensão ao poder pela prática de prisão política, que inviabilizou a candidatura que tinha maior probabilidade de vencer as eleições, a candidatura de Lula, que os embusteiros racistas, escravistas e usurpadores do país, mais uma vez tentam evitar.

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