A fantasia de dias melhores acabou

Depois da deposição da Presidente Dilma e do PT do governo brasileiro, a tão disseminada propaganda de "dias melhores" não se cumpriu, ao contrário, a realidade erigida mostra bem outra coisa. Os sonhos de uma aurora feliz é a cada dia mais nublada

temer
temer (Foto: Cássio Vilela Prado)

Todos os brasileiros foram traídos, descaradamente enganados.

Disseram que se fôssemos às ruas para lutar contra a corrupção, conseguiríamos estancá-la. Para isto, bastaria retirar a Presidente Dilma e o PT do poder.

O Aécio, a Rede Globo, a FIESP, o Cunha, a Janaína Paschoal, o Gilmar Mendes, o seu vereador, o seu chefinho, o seu coleguinha de bar e de culto, todos estes, mais um monte de "gente boa" disse isto.

Como não acreditar?

Principalmente quando se é puro e sofrido como a maioria do povo brasileiro?

Embora tantos outros brasileiros diziam o contrário, não queríamos acreditar, pois a vida, apesar de ter melhorado nos últimos catorze anos, ainda não estava boa.

É natural do ser humano querer mais a cada dia, a fantasia e a esperança de um amanhã melhor é próprio do instinto de sobrevivência. O discurso que incita um mundo melhor para todos é encantador, sobretudo se ele é diuturnamente proferido por diversas figuras públicas poderosas, através de imagens e sussurros ao pé do ouvido.

Como não aderir à massificação discursiva e imaginária que nos bombardearam nos últimos dois anos.

Em nome desse discurso e da "fantasia de dias melhores", acreditamos mesmo que o problema do Brasil era a corrupção do PT, da Dilma e do Lula. Ainda há os que creem veementemente nisto.

Limpar as vistas e os ouvidos não é nada fácil, pois pode-se perder o "imaginário fantástico da realidade" que nunca chega. A "realidade de dias melhores", o fim da corrupção e a punição a todos os corruptos.

Depois da deposição da Presidente Dilma e do PT do governo brasileiro, a tão disseminada propaganda de "dias melhores" não se cumpriu, ao contrário, a realidade erigida mostra bem outra coisa.

Os sonhos de uma aurora feliz é a cada dia mais nublada.

A corrupção se mantém vigorosa, aqueles que nos prometeram um "amanhã melhor" estão atolados nos mais diversos escândalos de corrupção.

A Saúde, a Educação, a Previdência Social, a Cultura, supostos bens do povo brasileiro, estão sendo lançados na lata do lixo.

A fome retorna faminta, conforme dados oficiais, assim como a inflação. O desemprego é assustador, a Economia não levanta voo, ainda na pista sem teto para decolar. O PIB e a produção cai vertiginosamente. As micro e pequenas empresas fecham as suas portas...

E o pré-sal? Um brinde aos gringos que financiaram o "discurso de um amanhã melhor" - "a ponte para o futuro"-, assim como os Correios, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal já estão em processo de sucateamento para brindes.

E o Moro? Está em péssimos lençóis, pois o seu alvo principal, o ex-Presidente Lula, o suposto "chefe do esquema", escapa das provas concretas que possam confirmar ilações de heróis delatores.

Hoje, sabe-se, conforme visto na última semana, que Moro e Dallagnol (até o nome do cara é um porre para escrever) querem poderes escusos ilimitados para manterem a circense República de Curitiba, para continuarem a perseguir e burlar a Lei.

Não há provas factuais contra a Presidente Dilma, torpemente deposta sem justa causa.

Ontem, 04/11/2016, pálidas pessoas foram às ruas, nostalgicamente, para pedirem apoio a Moro e a Temer. Parece que a "fantasia de dias melhores" resiste. A realidade suscitada pós o Golpe na Democracia e no Estado de Direito continua a ser negada.

Duro golpe imposto. A realidade ainda é intolerável, não digerível.

Daí é preciso, como os manifestantes de ontem, delirar, negar a realidade e construir um outra - ou manter aquela construída pelos sujeitos e instituições citados acima.

Ontem, percebeu-se trágicas reminiscências do engodo de "dias melhores" anunciados no passado próximo, bem próximo. A ficha insiste em não cair. Os manifestantes brasileiros que saíram às ruas, como os MBLs, já causam certa perplexidade e pena.

Perdidos, nonsense, delirantes, fiéis defensores de Moro e Temer. A realidade pós Golpe é insuportável, por isso ainda acreditam no fiasco dos "caçadores de corruptos".

O Brasil está em estado crepuscular. Parece que a "fantasia de dias melhores" está enterrada.

Resta o delírio para alguns...

Para outros, se é que ainda existem, não bastam o verde e o amarelo com gritinhos nas ruas e em praças públicas.

A insurgência da desobediência civil parece ser indomável.

A "fantasia de dias melhores" já acabou. Só não vê quem não pode, não quer ou delira em praça pública.

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