A farsa do déficit da Previdência

Diante da ameaça que este governo representa para os direitos históricos dos brasileiros, é claro que não será suficiente a mobilização das mulheres, embora elas sejam as mais prejudicadas. A esperança para o país é que a chama da revolta se propague para todos os recantos e todos os segmentos populares

São Paulo 31/05/2016 Manifestação em frente ao INSS no Viaduto Santa Ifigênia, contra a Reforma da Previdencia. Foto Paulo Pinto/Agencia PT
São Paulo 31/05/2016 Manifestação em frente ao INSS no Viaduto Santa Ifigênia, contra a Reforma da Previdencia. Foto Paulo Pinto/Agencia PT (Foto: Jose Carlos de Assis)

A tentativa do grupo de crápulas que ocupa a Presidência da República de esquartejar o sistema de seguridade social do Brasil, em especial a Previdência, situa-se entre uma das iniciativas mais torpes jamais empreendida na história republicana. Tudo é falso na propaganda destinada a destruir o sistema previdenciário brasileiro. Os números são falsos. Os conceitos são falsos. Os argumentos são falsos. Estamos diante de uma falácia em larga escala acobertada vergonhosamente pela grande mídia que silencia em face do esbulho.

Decidi escrever este artigo sem citar um número. Os números mostrando o caráter falacioso das alegações do Governo para justificar o que chama de reforma foram largamente desmascarados pela professora da UFRJ Denise Gentil, que tem vários e suficientes artigos na internet. Portanto não vou falar em números pois isso tomaria espaço de minha indignação verbal em face de um dos maiores assaltos contra os pobres jamais perpetrados no país. É que a tal reforma tem um único propósito: empurrar os pobres para a previdência privada.

A lógica dessa quadrilha que se apossou do Governo é tornar a Previdência pública tão ruim que levaria uma grande parte da população a ter que recorrer à previdência privada. Não importa as consequências disso para os pobres pois, supõe-se, haveria um período de transição para preservar direitos adquiridos. Esse intervalo seria suficiente para atrair investidores privados para o sistema previdenciário. Se esses sistemas privados vierem a quebrar no futuro, como aconteceu no Chile, o Governo paga a conta e sanciona o lucro.

Como bloquear tamanho assalto contra o interesse público? Conversei há alguns dias com uma líder da Confederação das Mulheres do Brasil, Conceição Cassano, e verifiquei que as mulheres  vão por o bloco na rua para confrontar a linha regressiva, privatizante e desnacionalizante do Governo Temer, nessa e em outras questões. Elas são uma esperança de repúdio à reforma. E a revista delas vai além. Diz a chamada: “O Brasil precisa voltar a ter crescimento econômico. Sem desenvolvimento nacional não há emancipação da mulher.”

Talvez as mulheres, mais do que os homens, se mobilizarão para levar a luta política às últimas consequências. Elas tomam conta da casa, e é na casa que a crise se manifesta de forma mais dramática. Aí é que o desemprego se traduz em falta de comida, aí é que o choro dos filhos soam mais altos, aí é que a falta da segurança da aposentadoria se torna mais aguda. Sem mobilização social, a quadrilha do Planalto, tal como denunciada na lista da Odebrecht, continuará desafiando homens e mulheres com seu projeto de privatização neoliberal.

Diante da ameaça que este Governo representa para os direitos históricos dos brasileiros, é claro que não será suficiente a mobilização das mulheres, embora elas sejam as mais prejudicadas. A esperança para o país é que a chama da revolta se propague para todos os recantos e todos os segmentos populares, reproduzindo, não apenas uma vez mas várias vezes, como aconteceu na época, as mobilizações das diretas já. Isso terá que ter um caráter suprapartidário e supraideológico para dissipar desconfianças. Aliás, como foi nas diretas.  

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