A felicidade, a coxa e o bilau do presidente

Em meio a tanto sofrimento por que passamos, Lula, despretensiosamente, nos mostrou que ainda é possível ser feliz, mesmo aos 75 anos e em meio a uma gente desgraçada que saiu do esgoto, além de uma pandemia que já matou mais de 600.000 brasileiros e brasileiras

Janja e Lula
Janja e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
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Que a felicidade alheia incomoda, eu já sabia por experiência própria; das vezes em que me senti feliz e realizada, percebi o olhar invejoso mal disfarçado de muita gente ao redor, algumas bem próximas. Mas nada se compara ao estrago que uma coxa malhada de um senhor septuagenário, e o seu bilau confortavelmente acomodado na  sunga de praia fizeram esses dias nas redes sociais, no coração e na bílis de alguns brasileiros. Revelou-nos o quanto a sociedade brasileira, seja de direita ou de esquerda, está amarga, triste, rancorosa e com um viés moralista de agradar a qualquer “cidadão de bem”. Sei que não é por falta de motivos, estamos sendo bombardeados, há anos, por essa pulsão de morte, mas sejamos razoáveis!

A imagem do ex-presidente Lula com a sua amada, Janja, na paradisíaca praia de Icapuí, no Ceará, tendo como testemunhas a lua e as lentes do incrível Ricardo Stuckert é a semiótica  da felicidade num país de baixo astral. O homem que esbanja alegria, força e virilidade é o mesmo que há menos de dois anos se encontrava encarcerado injustamente, com uma torcida institucionalizada para que ele morresse e fosse esquecido. Entretanto, mesmo com todo o incentivo da horda lavajatista e bolsonarista para que o líder dos trabalhadores sucumbisse na injustiça, o ex e quiçá, futuro presidente, mesmo preso, sentiu-se livre para o amor, conseguindo a proeza de encontrar um novo amor, sem dar um passo fora da cela. E nós que estamos livres, penando...  

Isso é uma afronta! É imoral! Falocentrismo! Esbravejam os seus detratores e alguns dos seus correligionários ao encarar a imagem do casal feliz. Afinal, na cabeça dessas pessoas, um homem com mais de setenta anos, não pode ser como o filho da D. Lindu, teimoso, risonho e viril e como ele mesmo diz: “Com tesão de 30”; muito menos ser fotografado com figurino impróprio aos olhares moralistas, mas totalmente apropriado ao ambiente em que fora fotografado, a praia. A meta é e sempre será, desumanizá-lo.

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Cabe ao Lula, segundo a vontade de uns e o inconsciente de outros, se esconder, sair de cena e não se amostrar ao lado da namorada, ainda mais com roupa de banho! Que vulgar!  Já não basta ter saído lá do nordeste faminto brasileiro e ter se tornado a liderança mundial que é?  Ainda tem que passar na cara um físico invejável e vontade de viver? Está errado! Era para ser um velhinho, preferencialmente em cadeira de rodas, com comorbidades até os últimos fios de cabelo e com um sexo saudoso de um passado ativo. Este sim seria o portrait perfeito para os que o odeiam e para alguns que dizem amá-lo, afinal esses últimos teriam como ser solidários e fazer sua caridade vermelha e cristã a mais um ancião com um passado de glórias.

Apesar das polêmicas, surgiram diversos memes da imagem, os brasileiros são imbatíveis nisso; muita graça em meio à carranca que insiste em coabitar o país. Alguns comparavam o porte físico do Covard17, ex-atleta e hoje genocida, ao do ex-presidente Lula; outros mostravam seus adversários políticos fitando a polêmica imagem com um olhar de despeito; outros tratavam, com ironia, sobre a difícil escolha entre o ex e o atual presidente.  A descrição feita aqui não chega aos pés da criatividade e do humor das imagens.

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Em meio a tanto sofrimento por que passamos, Lula, despretensiosamente, nos mostrou que ainda é possível ser feliz, mesmo aos 75 anos e em meio a uma gente desgraçada que saiu do esgoto, além de uma pandemia que já matou mais de 600.000 brasileiros e brasileiras.  A sua pulsão de vida é tão forte e tão inspiradora que, hoje, acordei com vontade de ir à academia e voltar a ter as coxas do Lula.

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