A fratura de Anderson Silva

A luta de MMA não é esporte porque não protege o atleta que a pratica. MMA é só violência

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Todos nós lamentamos, profundamente, a situação de Anderson Silva na luta da madrugada deste domingo (29/12) e somos solidários no seu sofrimento e na sua dor. Desejamos pronta recuperação.

Destacamos, porém, que situações como essas em outras modalidades podem ocorrer embora raras e, em primeiro lugar, porque tidas como fatalidades, já que não fazem parte dos objetivos dessas modalidades ou são proibidas pelas regras e não foram deliberadamente provocadas. Ou, em segundo lugar, podem ser intencionais e seus autores são punidos.

Em lutas de MMA, no entanto, golpes como esses pontapés são legais, fazem parte das normas da luta. Aliás, fazem parte do objetivo da luta que é atingir o adversário, golpeá-lo, acumular pontos ou finalizá-lo. Quanto mais forte, mais rápido, mais ferino e mais contundente for o golpe, mais cedo o lutador comemora sua vitória!

Um pontapé como o desferido por Anderson nesta madrugada contra seu opositor foi legal, dentro da regra do MMA, para acertar seu oponente, causar-lhe dano físico, com força, rapidez, contundência. E foi desferido de forma deliberada e intencional pelo seu autor. Esse golpe ou fere quem o desferiu ou fere quem o recebeu ou ambos. E, como todos os outros golpes do MMA (sucessivos socos e cotoveladas na cabeça, rosto, como os desferidos na luta dessa madrugada) são brutais, buscam agredir, deliberadamente, 'dolosamente', o adversário.

No 'combate' desta madrugada, são vários os casos de chutes como o que Anderson Silva desferiu para atingir seu adversário que acabaram em fraturas de tíbia e fíbula.

No 1º round os sucessivos socos e cotoveladas já mostravam a violência da luta de MMA. No 2º, o chute que culminou com a fratura de tíbia e fíbula de Anderson Silva que acabou fazendo da perna do atleta, da coxa ao tornozelo, um verdadeiro 'S', mostra a contundência dos golpes da luta. Cena chocante! Inesquecível!  Mostra a necessidade da proibição de exibição dessas lutas pela TV como propomos na Câmara dos Deputados (Projeto de Lei nº 5.534/2009).

Talvez esse fato faça nossa sociedade compreender melhor porque Nova York (EUA) e a França, citadas como modelos em tantos casos, proíbem não só a transmissão pela TV, mas a própria luta (a prática) de MMA.

A luta de MMA não é esporte porque não protege o atleta que a pratica; não é luta marcial porque prega o ataque e a agressão ao contrário das artes marciais que pregam a autodefesa, autocontrole e não agressão. MMA é só violência.

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