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José Reinaldo Carvalho

Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc

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A fúria do imperialismo: ataque pérfido ao Irã e diplomacia como farsa

Donald Trump evocou em discurso neste sábado sua suposta força inexpugnável, mas há indicadores na conjuntura de que os EUA não são invencíveis

Ataque dos EUA ao Irã atinge escola (Foto: Reprodução/X)

Por José Reinaldo Carvalho - O mundo despertou neste sábado, 28 de fevereiro, sob a fúria de dois Estados bandidos. Um deles, os Estados Unidos da América, em plena decadência política, econômica e moral, mas ainda detentor da condição de maior superpotência militar. O outro, Israel -  criação artificial da benevolência ingênua dos vencedores da Segunda Guerra Mundial -,  que hoje se comporta tal qual seus algozes nazistas, fazendo-se merecedor da alcunha de nazi-sionistas e genocidas. Ambos, párias internacionais e inimigos da humanidade, revelaram, com atos agressivos contra uma nação soberana, seus desígnios malignos.

Enquanto a aurora despontava suavemente sobre Teerã, Isfahan e Tabriz, a morte chegava pelos céus, conduzida pela aliança macabra do imperialismo estadunidense e de seu fiel satélite no Oriente Médio, o regime sionista de viés fascistizante em Israel. Um crime hediondo que afronta a consciência e os direitos dos povos do mundo.

Trata-se de uma brutal e calculada agressão imperialista contra a soberania e o povo da República Islâmica do Irã. A operação militar, pomposamente intitulada "Epic Fury" (fúria épica) pela máquina de propaganda do Pentágono, representa a face mais sórdida, repugnante e violenta de uma política externa que sangra as nações que ousam desafiar os ditames de Washington e Tel Aviv. É, ainda, uma flagrante e inaceitável violação do Direito Internacional e da Carta da ONU, com a qual os chefes dos dois países agressores lançam ao lixo o princípio da soberania nacional para impor seus desígnios pela força das bombas.

Os ataques fundamentam-se em falsos pretextos de que o Irã representaria uma ameaça direta à segurança norte-americana e de seus aliados. Sustenta-se também na narrativa de que o país persa constitui uma ameaça existencial a Israel,  para justificar ações militares agressivas na região.

A finalidade imediata dessas ofensivas é a desestabilização política para derrubar o governo iraniano e promover o assassinato de sua liderança. Essa intenção torna-se explícita no discurso de Trump e Netanyahu quando autoridades afirmam o propósito de "decapitar o regime" de Teerã.

Estratégia de Hegemonia Global

Sob uma perspectiva de longo prazo, o objetivo estratégico reside na consolidação da hegemonia estadunidense no Oriente Médio, nos marcos da estratégia de imposição de uma tirania global, utilizando o controle geopolítico da região como um dos pilares para a manutenção de seu poder absoluto em escala mundial.

O ataque ao Irã insere-se na execução de um plano mais amplo de reconfiguração do Oriente Médio, orientado pela imposição de uma hegemonia absoluta dos Estados Unidos e de Israel sobre a região. Ao desestabilizar um dos principais polos de resistência à sua influência, Washington e Tel Aviv buscam redesenhar o equilíbrio de forças, enfraquecer alianças adversárias e consolidar uma arquitetura regional subordinada aos seus interesses estratégicos, energéticos e militares. Trata-se, nessa perspectiva, não de um episódio isolado, mas de um movimento calculado para redefinir fronteiras de poder e estabelecer um novo arranjo geopolítico sob domínio incontestado.

A perfídia do ataque não se resume à violência, mas também revela hipocrisia. O governo dos Estados Unidos, por meio de sua principal figura, Donald Trump, escolheu o caminho da traição. Horas antes de as primeiras bombas devastarem bairros e instalações iranianas, o mesmo interlocutor que agora ordena o fogo declarava publicamente sua preferência pela via diplomática. O Irã, de boa-fé, mantinha-se engajado em negociações, acreditando seriamente na possibilidade de um entendimento pacífico. Essa postura demonstra a maturidade e o compromisso iranianos com a paz, em contraste absoluto com a conduta de seus agressores.

A “diplomacia” de Trump revela-se agora em sua essência: uma farsa, um teatro montado para enganar não apenas a contraparte nas mesas de negociação, mas, sobretudo, para iludir e anestesiar a opinião pública mundial e estadunidense. Enquanto palavras de paz eram sussurradas para consumo da imprensa, as garras do império já estavam preparadas para o golpe. Esse estratagema, a diplomacia da coerção e da pressão máxima, digno dos capítulos mais sombrios da dominação estrangeira, busca desarmar moral e politicamente a vítima para, em seguida, golpeá-la com maior crueldade.

Diante dessa escalada criminosa, a reação imediata e corajosa do Irã, com o lançamento de mísseis contra as bases da agressão, configura um exercício legítimo de autodefesa, direito inalienável de qualquer nação soberana. O fechamento de aeroportos e a mobilização militar em toda a região retratam o pânico que se abate sobre os aliados do imperialismo, agora temerosos do que consideram o justo fogo da resistência.

No cenário internacional, algumas vozes se levantam. A postura do Brasil, ao expressar “condenação e grave preocupação”, alinha-se solidariamente à vítima. A defesa do Direito Internacional equivale, nesse contexto, a um chamado pela paz. Por sua vez, a Rússia, com a clareza de quem conhece o expansionismo da OTAN, classificou os bombardeios como “agressão armada não provocada”. “A soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”, afirmou a chancelaria chinesa, que também exigiu a “suspensão imediata das operações militares, para evitar uma escalada das tensões, a retomada do diálogo e das negociações e a manutenção da paz e da estabilidade no Oriente Médio”. Países da região não respaldaram a ação estadunidense-sionista, preocupados com o risco de ampliação da guerra. Em sentido oposto, a União Europeia, a Alemanha, o Reino Unido e a França priorizaram a condenação ao Irã, apresentando-se como forças subordinadas ao sistema imperialista ocidental.

As consequências econômicas e geopolíticas da ação agressiva dos Estados Unidos e de Israel podem ser graves.

Para as forças progressistas mundiais, o essencial é defender a paz, a soberania nacional e uma nova governança livre dos laços de dominação imperialista. Acima de tudo, move essas forças a solidariedade a um povo irmão sob ataque, uma nação que luta para construir seu próprio destino, livre das amarras da dominação imperialista e sionista e da chantagem nuclear.

Este é um momento crítico. A humanidade se equilibra no fio da navalha. Que fique claro: a resistência do povo iraniano é também a resistência de todas as forças progressistas e amantes da paz no mundo. Cada bomba que explode em Teerã explode igualmente nos corações de todos os que lutam contra a opressão imperialista. O silêncio diante dessa barbárie é cumplicidade.

Os graves acontecimentos desencadeados neste 28 de fevereiro suscitam uma reflexão que deve conduzir, necessariamente, à ação. A luta antifascista está intrinsecamente ligada e subordinada à luta anti-imperialista. Não existe hoje “questão democrática”, “questão nacional” ou “questão desenvolvimentista” dissociada do enfrentamento ao imperialismo. Cabe aàs forças progressistas,  como tarefa simultaneamente estratégica e tática, assumir a prioridade da luta anti-imperialista. Isso implica prioridade absoluta, no plano internacional, à solidariedade internacionalista, incluindo ao Irã. Discussões vagas levam muitas forças políticas à armadilha de, em nome da “democracia” e dos “direitos humanos e individuais”, condenar e combater o “regime” do Irã, posição de cumplicidade com o inimigo da humanidade. 

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, encerrou seu discurso na madrugada deste sábado ao anunciar a guerra contra o Irã, evocando a suposta força militar inexpugnável de seu país. No entanto, a história demonstra que nada é absoluto ou invulnerável no cenário internacional. Tudo é marcado pela instabilidade e pela mudança. Os Estados Unidos vivem lancinantes e profundas contradições internas profundas e sofrem um desgaste crescente diante de nações e povos que valorizam a liberdade e a autodeterminação.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.