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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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“A gente somos corrupto”

Ninguém notaria que José Maria Marin estava saindo de uma audiência no fórum, ontem, em Nova York se um grupo de brasileiros portando a bandeira verde-amarela e uma faixa em inglês pedindo ajuda "para prenderemos um brasileiro corrupto" não chamasse atenção para o fato. Não dá para acreditar. Esses caras fizeram questão de anunciar ao mundo, na língua mais falada do mundo, que lá estava um corrupto brasileiro, como se já não bastasse a fama de corruptos que os brasileiros já têm

Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, visto do lado de fora do tribunal federal do Brooklyn, em Nova York 03/08/2016 REUTERS/Nate Raymond (Foto: Alex Solnik)

Ninguém notaria que José Maria Marin estava saindo de uma audiência no fórum, ontem, em Nova York se um grupo de brasileiros portando a bandeira verde-amarela e uma faixa em inglês pedindo ajuda "para prenderemos um brasileiro corrupto" não chamasse atenção para o fato.

Não dá para acreditar. Esses caras fizeram questão de anunciar ao mundo, na língua mais falada do mundo, que lá estava um corrupto brasileiro, como se já não bastasse a fama de corruptos que os brasileiros já têm.

É uma confissão global.

Houve o tempo do "a gente somos inútil"; agora é a vez do "a gente somos corrupto".

A faixa expõe um apelo trágico e patético: "help us". Ou seja, nós somos capazes de criar corruptos, mas não de prendê-los, façam isso por nós.

Ajudem-nos.

Somos incompetentes.

Não sabemos lidar com nossas ovelhas negras.

Ou eles não se dão conta de que fazem um convite para os americanos entrarem no Brasil e nos "livrarem" dessas ervas daninhas ou é o que desejam.

E não têm vergonha de fazer esse papelão na frente da bandeira nacional.

Eles fazem mais mal ao Brasil que o corrupto Marin.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.