A Globo é incompatível com a Democracia

Nos próximos anos a esquerda tem que esquecer qualquer disputa no campo da política, sem antes fazer um duro debate na política de comunicação em massa no Brasil

Nos próximos anos a esquerda tem que esquecer qualquer disputa no campo da política, sem antes fazer um duro debate na política de comunicação em massa no Brasil
Nos próximos anos a esquerda tem que esquecer qualquer disputa no campo da política, sem antes fazer um duro debate na política de comunicação em massa no Brasil (Foto: Jean Volpato)

Não é de hoje que os intelectuais brasileiros afirmam essa frase: "A Globo é incompatível com a democracia". Nos próximos anos a esquerda tem que esquecer qualquer disputa no campo da política, sem antes fazer um duro debate na política de comunicação em massa no Brasil.

Logicamente a Globo virou referência de Golpes pela sua militância antidemocrática e por ser a maior empresa de comunicação do país, porém as outras emissoras, associadas ao instituto Millenium não são muito diferentes dela. Em sua grande maioria ganharam a concessão pública no período do regime militar e foram financiadas pelos norte-americanos, com o claro objetivo de defender o "Deus Mercado", seja a qual custo for, inclusive sobre a ruptura democrática.

Em sua grande maioria, as forças progressistas do país e principalmente as suas lideranças desprezaram aquilo que Foucault chamava de formação cultural em massa. Foi justamente durante a Guerra Fria, que os nortes americanos entenderam que além das forças bélicas, era preciso formar as mentes das pessoas. Foi a partir deste momento que os Estado Unidos se tornaram referência mundial no cinema. Os "monstros" eram os integrantes da União Soviética, os comunistas, "forças do mal". Já os "mocinhos" eram os nortes americanos, que lutavam contra a "força do mal" e a "ameaça comunista".

O poder comunicacional do imperialismo se alastrou para todo o mundo, principalmente na América do Sul. Hoje nossos meios de comunicação, nada mais são do que reprodutores do pensamento liberal dos Estados Unidos.

Os últimos governos populares no Brasil, em especial de Lula e Dilma, acreditaram que o simples investimento no consumo das famílias de baixa renda, seria o suficiente para livrar eles da dependência imperialista do mercado, formando uma grande classe trabalhadora de luta. Pois foi justamente o contrário que aconteceu, ao abandonar a ideia de disputar a consciência social, a nova classe média ficou cada vez mais atrelada ao capital e passou a se julgar pequenos burgueses, instigando o pensamento de meritocracia e ascensão econômica pela força individual.

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner fez um duro enfrentamento aos meios imperialista do poder empresarial de comunicação monopolizada em seu país. O enfrentamento foi tão duro que lhe custou a perda da sua sucessão presidencial. No entanto, o seu primeiro ato após sair da Presidência foi criar uma agência de comunicação. Hoje a esquerda tem grandes chances de voltar ao Governo Argentino, isso porque foi instigado um debate profundo, verdadeiro, sobre o papel da comunicação no país. Os argentinos leem os jornais e sabem que as opiniões de determinados jornalistas não são visões imparciais, tem conteúdo e interesse político.

Espero que após esse choque de realidade, os setores progressistas brasileiro e suas lideranças não caiam na velha lógica da simples disputa pelo poder, mas de fato combatam o monopólio de comunicação no país e apresentem uma agenda nacional e projeto de comunicação plural para o Brasil, que nos livre da escravidão comunicacional imperialista. Caso contrário, mesmo estando no Governo, pouco ou quase nada da nossa agenda progressista poderá ser aprovada. Parafraseio as palavras de Paulo Henrique Amorim, a rede globo e as seis famílias que dominam a comunicação no Brasil são incompatíveis com a democracia.

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