A Grande Imprensa é a mãe das "fake news"

A mídia deve seguir defendendo a lava jato mesmo quando notória a parcialidade que marcou e conduziu aqueles processos políticos travestidos de uma falsa legitimidade jurídica, o chamado “lawfare”, determinantes para que o país esteja na atual situação de crise política, econômica, social, moral e sanitária



Todos sabemos da intensa campanha protagonizada pelos órgãos da imprensa hegemônica em defesa da lava-jato e do pretenso combate à corrupção. Alçar Moro, Dallagnol e as forças tarefas ao lugar de heróis nacionais ante a moralização da política, hoje, custa caro para os grandes veículos, acossados pela extrema direita e pela esquerda. Por uma questão de coerência com o próprio projeto direitista e antipopular, a mídia deve seguir defendendo a lava jato mesmo quando é público e notório - até as pedras de marte sabem! - a parcialidade que marcou e conduziu aqueles processos políticos travestidos de uma falsa legitimidade jurídica, o chamado “lawfare”, determinantes para que o país esteja na atual situação de crise política, econômica, social, moral e sanitária.

Em editorial publicado recentemente, sobre o julgamento do Supremo Tribunal Federal que definiu a suspeição de Sérgio Moro em sua atuação no caso Banestado e a provável reversão da condenação de Lula, O Globo[1] aponta que o retorno do líder petista à cena política favorece Bolsonaro, que poderia se beneficiar utilizando a bandeira do antipetismo. Para sustentar seu argumento, o jornal lembra que “não se deve esquecer o sólido conjunto de provas contra o ex-presidente Lula”, mas não menciona quais provas são, tampouco que a condenação, sem provas, de Lula se deu por “atos indeterminados”. Também não cita o vultuoso conjunto de informações divulgadas pela Vaza Jato - as quais o próprio jamais noticiou com a devida “imparcialidade” auto atribuída ao seu jornalismo (sic) - revelando toda a sorte de promiscuidade que permeou a relação entre o então Juiz (sic), Sérgio Moro, e os integrantes do Ministério Público que integravam as forças tarefas.

OG está correto quando diz que “estará em julgamento não apenas o futuro de Lula e do xadrez eleitoral, mas a capacidade do Estado e da Sociedade de enfrentar com a necessária energia a corrupção em suas diversas formas e estágios”, inclusive aquela praticada por agentes do Estado que, sob o guarda-chuva institucional do judiciário e do Ministério Público, politizaram a justiça, estupraram o estado de direito e levaram o país à deterioração política, à bancarrota econômica e à degradação moral.

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Por sua vez, O Estado de S. Paulo[2], em consonância, aponta que “o país inteiro assistiu a muitas horas de julgamento, em diversas instâncias, sobre o caso do tríplex do Guarujá”, mas não menciona que toda essa visibilidade foi construída pela própria grande mídia que, após apoiar o golpe que destituiu a presidente Dilma, em 2016, precisava trabalhar pela condenação, prisão e perda dos direitos políticos de Lula, sob a constante ameaça deste ser candidato, nas eleições de 2018, vencer e, assim, frustrar o plano das elites de assumir o poder, ainda que no tapetão com o capitão. O combo da miséria.

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Ao evocar a legitimidade das instâncias superiores, que julgaram e seguiram a condenação de Lula proferida em primeira instância, OESP agride a função do STF enquanto corte suprema responsável por rever e corrigir deformidades e incongruências jurídicas, ainda que isso aconteça apenas no tempo político (Pode, Arnaldo?) do judiciário.

Os jornalões, assim como as elites em geral, estão consternados. Os grupos que capitanearam o golpe, em 2016, não tiveram condições para assumir o controle político da situação. Tiveram de aceitar Bolsonaro e todo o ódio preconizado pela grande mídia, apropriado de um enraizado e historicamente construído sentimento anticomunista, semeado contra os “vermelhos” e a classe trabalhadora, tudo sintetizado e direcionado ao PT. Após a publicação dos editoriais, Lula perguntou, em nota, “por que os jornais têm medo da justiça e da verdade?”[3].

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O receio do retorno de Lula à cena política não é que Bolsonaro ganhe poder a partir do antipetismo, mas que a população, mobilizada por Lula, coloque fim à draconiana agenda econômica que retira direitos e desmonta o país. Este cenário também romperia com a tradição política da nossa República, cujas mudanças foram todas acordadas pelo alto, entre as elites, sem a participação da população. Notem que a disputa política segue sendo entre extrema-direita e esquerda. A direita, sem opções de líderes populares e carismáticos, se debate.

Quem se debate é afogado.

#LulaLivre

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#ForaBolsonaro

[1] https://oglobo.globo.com/opiniao/segunda-turma-do-stf-desfalcada-prenuncia-retrocesso-na-lava-jato-1-24609774

[2] https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,os-muitos-efeitos-de-uma-nulidade,70003414317

[3] https://pt.org.br/globo-e-estadao-por-que-tanto-medo-da-verdade-e-da-justica/

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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