A grande mídia na fronteira da estupidez

Sem saber o que fazer, Guedes apela para as “reformas”. Não há nenhuma contribuição possível que a reforma tributária e a reforma administrativa venham a dar no sentido de reverter a crise. Tudo é pura empulhação

(Foto: Marcos Corrêa - PR)
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É infinita a capacidade da grande mídia brasileira de naturalizar o absurdo. As entrevistas que Paulo Guedes está concedendo nesses dias de crise generalizada estão na fronteira da idiotice mais absoluta. Nada tendo para dizer em termos concretos para enfrentar a situação, decidiu agarrar-se à imbecilidade pura e simples de uma teoria fantasmagórica, segundo a qual a saída da crise seria a união dos poderes, não se sabe exatamente para quê. O grande cacique neoliberal, em outros tempos tão arrogante, revela-se totalmente perdido.

Sem saber o que fazer, Guedes apela para as “reformas”. Não há nenhuma contribuição possível que a reforma tributária e a reforma administrativa venham a dar no sentido de reverter a crise. Tudo é pura empulhação. Mesmo que fosse possível aplicar as reformas para reduzir a crise, isso não seria possível porque não há tempo em termos de tramitação das medidas no Congresso, aonde os projetos sequer chegaram. Entretanto, a mídia insiste em levar Guedes a sério, enquanto os mercados desabam.

Outro mistificador é o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Este fala em ajuste fiscal num ambiente de extrema recessão. O pobre Keynes deve estar dando voltas no túmulo. Numa recessão, segundo o gênio de Keynes, a única saída para a crise é o aumento do gasto público, inclusive do gasto deficitário. Ajuste fiscal é veneno para uma economia em depressão, como é o caso de uma economia para a qual estamos caminhando. A mídia estúpida não consegue entender isso. Naturaliza a estupidez do ministro e seu secretário. 

Mansueto é drasticamente contrário ao pagamento de 20 bilhões aos aposentados aprovado pelo Congresso. Guedes anunciou que vai ao Supremo para derrubar a medida. Os dois adoram ajuste fiscal. Como são a nata dos economistas brasileiros imbecis, recorrem a outra imbecilidade, a Lei de Responsabilidade Fiscal, para impedir o pagamento. Se não tiverem apoio do Supremo, Mansueto descobriu o pulo do gato: vai antecipar os pagamentos do próximo ano para o ano atual, fazendo uma pequena ginástica fiscal.

Ouviram bem? Não seria isto uma pedalada fiscal? Lembram-se, pedaladas fiscais não seria o crime com que Mansueto carimbou Dilma Roussef para justificar seu impeachment? Então pedalada fiscal vale para Bolsonaro mas não vale para Dilma. No caso dela, vale um impeachment. Lamento tudo isso porque, tanto no caso da Presidente e no caso de Bolsonaro, o que chamaram de pedalada fiscal é uma boçalidade. O que me incomoda é a hipocrisia. Sobretudo a hipocrisia que, no caso de Dilma, esteve a serviço dos ricos contra os pobres.

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